Xiaomi AI Glasses estreia com lentes eletrocrômicas, câmera de 12 MP e integração total ao celular

Lead: O Xiaomi AI Glasses chegou ao mercado chinês em junho de 2025 como a aposta da fabricante para o segmento de óculos inteligentes, oferecendo lentes que escurecem em frações de segundo, câmera de 12 MP apta a filmar em 2K e autonomia superior a oito horas, tudo em apenas 40 g. Lançado por 1.999 yuan (cerca de R$ 1.518, em conversão direta), o dispositivo procura disputar espaço com alternativas como o Ray-Ban Meta 2 ao combinar captura de imagem na perspectiva do usuário, assistente de voz e sincronização em tempo real com o smartphone.

Quem lançou, o que é, quando e onde

A Xiaomi apresentou o AI Glasses durante o evento Human × Car × Human, realizado na China Continental em junho de 2025. O produto é um wearable em formato de óculos capaz de executar funções de fotografia, filmagem, chamada de vídeo, reprodução de música e tradução instantânea, operando de forma autônoma ou emparelhado a um telefone com HyperOS.

Por que o modelo foi criado

O propósito declarado da marca é fornecer uma alternativa que una design convencional a recursos de inteligência artificial, atendendo tanto criadores de conteúdo que buscam gravações em primeira pessoa (POV) quanto usuários que precisam de auxílio por voz em atividades cotidianas. A lente eletrocrômica, destaque do lançamento, pretende eliminar a necessidade de carregar óculos de grau e de sol separados, enquanto a integração com o celular viabiliza múltiplos ângulos de filmagem sem equipamentos adicionais.

Ficha técnica completa

Estilo: armação em D, de inspiração clássica

Cores disponíveis: preto, marrom-tartaruga e verde-esmeralda

Lentes: eletrocrômicas com transição de 0,2 s entre transparência total e tonalidade escura

Câmera: sensor óptico de 12 MP; abertura f/2.2

Vídeo: resolução 2K (1440p) a 30 quadros por segundo; estabilização eletrônica EIS

Som: alto-falantes duplos com contenção de vazamento sonoro

Microfones: conjunto de cinco unidades com cancelamento de ruído

Peso: 40 g

Bateria: 263 mAh para até 8 h 36 min de uso contínuo

Conector: USB-C na haste

Preço inicial na China: 1.999 yuan (aprox. R$ 1.518)

Design e construção

Optando por linhas discretas, a Xiaomi manteve o formato em D, habitual em óculos tradicionais, para que o dispositivo passe despercebido no cotidiano. O baixo peso de 40 g, segundo a empresa, minimiza a sensação de incômodo durante uso prolongado. As hastes foram dimensionadas para acompanhar o contorno da cabeça, contribuindo para estabilidade sem pressão excessiva nas orelhas. Os três acabamentos — preto, marrom-tartaruga e verde-esmeralda — atendem perfis estéticos distintos sem comprometer a neutralidade típica de um acessório de rosto.

Lentes eletrocrômicas: funcionamento detalhado

As lentes utilizam tecnologia eletrocrômica que reage a um estímulo elétrico. Ao deslizar o dedo sobre a haste, o usuário ativa um circuito que altera instantaneamente a opacidade do material, completando a transição em 0,2 segundo. No modo transparente, o vidro lembra uma lente de grau comum; ao escurecer, assume tonalidade equivalente à de óculos de sol. Esse ajuste manual dispensa sensores de luminosidade e coloca o controle diretamente nas mãos (ou melhor, nos dedos) do usuário.

Câmera de 12 MP e filmagem em 2K

A parte frontal direita da armação abriga a câmera de 12 megapixels com abertura f/2.2, especificação que favorece captação de luz e define profundidade de campo ampla. Ao pressionar o comando fotográfico, o obturador digital reage em 0,8 segundo, reduzindo o intervalo entre intenção e registro. Para vídeo, a qualidade atinge 1440p a 30 fps, padrão conhecido como 2K, equilibrando nitidez e consumo energético. A estabilização eletrônica (EIS) busca compensar trepidações comuns ao caminhar ou pedalar, produzindo imagens mais estáveis sem acréscimo no peso da armação.

Integração com smartphone via HyperOS

Quando emparelhado a um telefone da Xiaomi ou compatível com HyperOS, o AI Glasses aparece no Centro de Dispositivos. Essa central permite alternância em tempo real entre a câmera do óculos e a do celular, criando sequências de gravação com múltiplos pontos de vista sem edição posterior complexa. O mesmo vínculo viabiliza chamadas de vídeo e transmissões ao vivo diretamente da haste, com áudio captado pelos cinco microfones e reproduzido pelos alto-falantes integrados.

Bateria e recarga

Com 263 mAh, a bateria assegura 8 horas e 36 minutos de uso contínuo, de acordo com dados da fabricante. O tempo cobre uma jornada integral de filmagem moderada, participação em reuniões on-line ou reprodução de música. O conector USB-C localizado na parte interna da haste direita permite carregar o wearable em fontes convencionais de energia ou conectá-lo a cabos já utilizados no ecossistema móvel do usuário, simplificando logística de carregadores.

Sistema de áudio: captação e reprodução

Dois drivers embutidos entregam som direcionado, enquanto estruturas de contenção de vazamento reduzem a dispersão para o ambiente. Dessa forma, o usuário pode ouvir música ou instruções da assistente sem incomodar pessoas próximas. O conjunto de cinco microfones, distribuído pela armação, filtra ruídos externos e prioriza a voz, permitindo comandos claros mesmo durante atividades em velocidade, como ciclismo.

Assistente de voz e funções inteligentes

O comando “Hey Xiaomi” desperta os circuitos de IA do dispositivo. A partir daí, o usuário solicita ações como disparar fotos, iniciar vídeos, trocar a tonalidade da lente ou consultar traduções em tempo real. O reconhecimento de objetos amplia a usabilidade para pessoas com deficiência visual ou baixa visão, oferecendo feedback auditivo sobre elementos do ambiente. Em viagens, a tradução instantânea de conversas ajuda na compreensão de idiomas estrangeiros sem recorrer ao celular.

Comparação com Ray-Ban Meta 2

A disputa mais direta ocorre com o Ray-Ban Meta 2, lançado três meses após o modelo da Xiaomi. Em termos de peso, o AI Glasses leva vantagem, registrando 40 g contra 52 g do rival. Ambas as marcas adotam sensor de 12 MP, mas o dispositivo da Meta grava em 3K, oferecendo resolução ligeiramente superior às filmagens 2K da Xiaomi. No quesito energia, a diferença é mínima: 8h36 para o AI Glasses e cerca de 8h para o Ray-Ban, segundo dados de cada fabricante.

Contudo, a Xiaomi oferece o diferencial das lentes eletrocrômicas, ausentes no concorrente, que utiliza opções polarizadas ou transition tradicionais. Os dois produtos contam com assistentes de voz ativadas por comando e disponibilizam captura de foto, vídeo, tradução e integração com smartphones Android ou iPhone (no caso do Ray-Ban). A estratégia da Xiaomi concentra-se em oferecer maior personalização visual e alternância ágil entre gravações do óculos e do telefone, enquanto a Meta foca em streaming para redes sociais.

Público-alvo

A Xiaomi direciona o AI Glasses a três grandes grupos. O primeiro reúne criadores de conteúdo que produzem vlogs em primeira pessoa e se beneficiam da captura hands-free. O segundo contempla entusiastas de tecnologia interessados em testar recursos emergentes, como tradução ao vivo e controle por gestos. O terceiro inclui pessoas com deficiência visual que podem aproveitar a identificação de objetos e os alertas de áudio para aumentar a autonomia em ambientes desconhecidos.

Disponibilidade e preço

Desde o lançamento, o wearable permanece à venda apenas na China Continental pelo valor de 1.999 yuan, equivalentes a R$ 1.518 na cotação direta e sem impostos. Até o momento, não há cronograma divulgado para distribuição oficial em outros territórios, inclusive o Brasil. A estratégia de expansão internacional ainda não foi detalhada pela empresa.

Como cada característica se conecta aos objetivos do produto

A soma de lente ajustável, câmera frontal, microfones múltiplos e integração em tempo real reforça o propósito de criar um dispositivo que substitua, em parte, a combinação tradicional de smartphone e óculos de sol. Ao permitir a troca instantânea entre gravações POV e imagens captadas pelo telefone, o AI Glasses promete fluxos de produção mais dinâmicos. Já a autonomia de 8h36 garante cobertura de um dia típico de trabalho ou lazer sem recargas frequentes, fator determinante para creators que dependem de mobilidade.

Perspectiva de uso cotidiano

No trajeto matinal, o usuário pode transitar entre lentes claras dentro do metrô e escuras ao sair para a luz solar sem trocar de acessório. Em reuniões remotas, a câmera embutida oferece enquadramento no ângulo dos olhos, enquanto o microfone isolado reduz o ruído ambiente. Em atividades físicas, a gravação estabilizada livra as mãos para o esporte, e a assistente de voz gerencia playlists ou metricas. Toda essa sequência demonstra o esforço da Xiaomi em integrar recursos múltiplos em um formato familiar.

Cenário competitivo e fatores de decisão

A competição no nicho de óculos inteligentes tende a se intensificar à medida que empresas de tecnologia exploram aplicações de IA em wearables. O peso reduzido, a lente eletrocrômica e a sincronia com HyperOS constituem os principais argumentos do AI Glasses. Por outro lado, potenciais compradores podem considerar a resolução 3K do Ray-Ban Meta 2 ou aguardar por modelos futuros que tragam hardware mais potente. O posicionamento de preço da Xiaomi — inferior ao de muitos óculos inteligentes ocidentais — busca atrair early adopters que valorizam custo-benefício.

Próximos passos possíveis

Embora a Xiaomi ainda não tenha comunicado datas para mercados adicionais, o interesse global em wearables com IA sugere futura expansão. Caso o AI Glasses chegue ao Brasil, fatores como tributação, homologação e suporte pós-venda influenciarão o valor final. Até lá, o dispositivo permanece como um exemplo do que já é tecnicamente viável quando câmera, processamento e lentes inteligentes convergem em um acessório de uso diário.

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