Quem, o quê, quando, onde, como e porquê se unem para explicar a ascensão dos celulares dobráveis. Fabricantes como Samsung e Motorola concentram esforços em modelos do tipo flip (formato concha) e fold (formato livro). Esses aparelhos registraram, de acordo com dados da Counterpoint Research, aumento de 14% nas remessas globais no terceiro trimestre de 2025, configurando um recorde trimestral. O crescimento sustenta um cenário em que design diferenciado e recursos de câmera feitos sob medida se tornaram fatores centrais de compra.
O comportamento do público demonstra curiosidade não apenas pela característica física que permite dobrar a tela, mas, sobretudo, pelas possibilidades inéditas de captura de foto e vídeo. As funções embarcadas aproveitam a existência de duas telas, dobradiças articuladas e sensores fotográficos traseiros de maior qualidade. Entre essas funcionalidades destacam-se cinco recursos que, somados, ajudam a explicar a demanda crescente: Modo Filmadora, Pré-visualização na Tela Externa, Selfies com a Câmera Traseira, Flex Mode e Capture View.
Contexto do mercado e importância da inovação fotográfica
A adoção de smartphones dobráveis ocorre em ritmo constante desde a chegada dos primeiros produtos de consumo. O levantamento da Counterpoint Research mostra que, mesmo em um ambiente competitivo e de troca de aparelhos mais espaçada, os dobráveis sustentam desempenho positivo. Esse comportamento coincide com uma mudança de hábito do usuário, que valoriza dispositivos capazes de funcionar como ferramentas de criação de conteúdo. A câmera deixou de ser acessório e passou a ser critério decisivo de aquisição; por essa razão, recursos exclusivos ganham peso estratégico.
Modelos disponíveis no Brasil, como Galaxy Z Flip 7, Razr 60 e Galaxy Z Fold 7, concentram a maior parte desses recursos. A presença simultânea de dois painéis sensíveis ao toque — um interno principal e outro externo —, combinada com a possibilidade de manter o aparelho semiaberto sobre uma superfície, abre margem para usos que não podem ser replicados em celulares de construção monobloco.
1. Modo Filmadora resgata ergonomia das gravações domésticas
Durante a década de 1990, filmadoras domésticas populares trouxeram a sensação de registrar vídeos com pegada firme e visor dedicado. O Modo Filmadora presente em dobráveis flip retoma esse formato: ao dobrar o smartphone até aproximadamente 90 graus, a interface do aplicativo de câmera se reorganiza. A parte superior da tela interna funciona como monitor de visualização em tempo real, enquanto a metade inferior exibe controles de gravação, botões de captura e informações de tempo.
A disposição facilita o manuseio com uma só mão, pois o peso do aparelho é distribuído e a empunhadura se assemelha à de câmeras tradicionais. Esse layout ergonômico, aliado aos sensores atuais, confere estabilidade adicional no registro de vídeos, reduz a necessidade de acessórios externos e oferece experiência nostálgica sem sacrificar a qualidade digital.
2. Pré-visualização na tela externa garante enquadramento colaborativo
Dobráveis dotados de display secundário exibem a mesma imagem captada pela câmera principal, simultaneamente, em duas telas. A pré-visualização na tela externa permite que o indivíduo filmado ou fotografado acompanhe o enquadramento em tempo real. O procedimento é direto: com o aplicativo de câmera aberto, um toque no ícone correspondente ativa a visualização duplicada. Dessa forma, tanto o operador quanto o enquadrado avaliam pose, expressão e posição antes do disparo.
A funcionalidade é valiosa em autorretratos, gravações de vídeo colaborativas e em ambientes com pouca margem para erros. Em cenários de produção de conteúdo para redes sociais, a correção antecipada de enquadramento reduz refações, economiza tempo de captura e melhora a eficiência do fluxo de trabalho.
3. Selfies com a câmera traseira eliminam limitações típicas da lente frontal
Em smartphones tradicionais, a câmera frontal geralmente recebe investimentos menores. Ela tende a carecer de estabilização óptica, apresenta sensores menores e dispõe de sistemas de foco mais simples. A consequência é evidente: selfies e vídeos de frente exibem resolução inferior, dinâmica de cores mais restrita e maior suscetibilidade a ruído.
Nos aparelhos dobráveis, o usuário fecha o dispositivo, posiciona a tela externa como visor e recorre aos sensores principais para captar autorretratos. Com esse método, selfies com a câmera traseira usufruem de toda a engenharia óptica destinada à fotografia de maior qualidade. O resultado inclui níveis superiores de nitidez, alcance dinâmico mais amplo e melhor desempenho em ambientes de pouca luz. Além disso, funcionalidades avançadas de foco e estabilização, que raramente chegam à lente frontal, transformam-se em padrão para quem busca vlogs e transmissões ao vivo.
4. Flex Mode converte o celular em tripé integrado
Conhecido comercialmente como Modo Flex em linhas da Samsung ou Flex View em aparelhos da Motorola, o Flex Mode reorganiza a interface sempre que o dispositivo repousa semiaberto sobre uma superfície. O visor se desloca para a metade superior, enquanto comandos de câmera, atalhos para filtros e miniaturas de fotos recentes permanecem na metade inferior. A divisão gera duas vantagens concretas.

Imagem: Internet
Primeiro, livra as mãos do usuário: apoiado em mesa, balcão ou chão, o aparelho faz as vezes de tripé reduzido, útil para vídeos estáticos, conferências ou autorretratos com temporizador. Segundo, permite ajuste instantâneo de parâmetros, dispensando toque no quadro ativo. Por se tratar de recurso nativo, não requer acessórios adicionais, preserva a portabilidade e se alinha à proposta de produtividade associada aos dobráveis.
5. Capture View facilita revisão imediata de conteúdo
Em smartphones da linha Fold da Samsung, o Capture View mantém a filosofia de tela dividida. Enquanto metade do painel interno exibe a cena captada pela lente, a outra metade apresenta a galeria da sessão corrente. Essa organização permite navegar, ampliar ou excluir imagens instantes após o disparo, sem sair do modo de captura.
A funcionalidade contabiliza automaticamente a quantidade de fotos registradas e disponibiliza movimentação por gestos, agilizando a triagem. O recurso não está presente em todos os dobráveis comercializados no Brasil; algumas linhas, como o Honor Magic V3, adotam interface distinta, evidenciando que a implementação de visualização avançada ainda não constitui padrão universal.
Desdobrando o “como” e o “porquê” dos recursos exclusivos
Os cinco recursos analisados se apoiam em três pilares técnicos. O primeiro é a existência de dobradiça articulada, que propicia múltiplos ângulos de abertura e sustenta o aparelho parado. O segundo é o display externo independente, essencial para selfies com a lente traseira e para pré-visualização colaborativa. O terceiro envolve software adaptativo; sem ele, a rotação automática e a redistribuição de comandos não ocorreriam.
A conjugação desses elementos cria experiências inéditas, pois cada função explora simultaneamente hardware mecânico e interface gráfica. A capacidade de transformar o telefone em filmadora de mão, miniestúdio ou minitripé surge da sinergia entre componentes. Vale destacar que a matriz de sensores fotográficos permanece a mesma dos smartphones premium, reforçando o compromisso com qualidade de imagem.
Impacto na produtividade e na criação de conteúdo
Profissionais independentes de vídeo, influenciadores e usuários comuns encontram nos dobráveis um recurso imediato para produção sem equipamento adicional. O Modo Filmadora adequa a ergonomia a longas captações; a Pré-visualização na Tela Externa abre espaço para controle duplo de cena; o uso da Câmera Traseira em selfies eleva o padrão visual de transmissões; o Flex Mode agiliza gravações de tutoriais; e o Capture View acelera a curadoria. Ao reduzir barreiras técnicas, o conjunto contribui para fluxo de trabalho mais ágil e menos dependente de dispositivos complementares.
Dados de vendas reforçam tendência de consolidação
O crescimento de 14% nas remessas globais no período analisado não se resume a um pico pontual. Ele indica resposta do mercado às melhorias práticas oferecidas por design dobrável. A cada geração, fabricantes incorporam processadores mais eficientes, dobradiças com menor folga e painéis externos maiores, fatores que alimentam ciclos de atualização e ampliam a base instalada. Ao mesmo tempo, a segmentação entre modelos flip e fold possibilita escolha alinhada ao perfil do usuário, seja para conveniência de bolso reduzido, seja para tela interna expansível.
Panorama de disponibilidade no Brasil
No mercado brasileiro encontram-se aparelhos que concentram os cinco recursos descritos, caso de representantes das séries Galaxy Z Flip, Galaxy Z Fold e Motorola Razr. Esses dispositivos trazem a vantagem de suporte oficial, garantia local e atualizações de sistema alinhadas às políticas de cada marca. Embora outros fabricantes globais possuam dobráveis, nem todos chegam a comercialização oficial, o que limita o acesso local a determinadas funções proprietárias.
Considerações finais sobre adoção e diferenciação
A consolidação dos recursos de câmera exclusivos transforma celulares dobráveis em plataformas de captura audiovisual completas. Design flexível, telas adicionais e software específico convergem para experiências que aparelhos convencionais não replicam. Os números de mercado sugerem que tais diferenciais já impactam a decisão de compra do consumidor, reforçando o potencial de expansão do segmento nos próximos ciclos de inovação.

Paulistano apaixonado por tecnologia e videojogos desde criança.
Transformei essa paixão em análises críticas e narrativas envolventes que exploram cada universo virtual.
No blog CELULAR NA MÃO, partilho críticas, guias e curiosidades, celebrando a comunidade gamer e tudo o que torna o mundo dos jogos e tecnologia tão fascinante.

