Receita global de aplicativos atinge US$155,8 bi em 2025 apesar de menor volume de downloads

Palavra-chave principal: economia global de aplicativos

Panorama geral da economia global de aplicativos em 2025

A pesquisa anual da Appfigures sobre a economia global de aplicativos documentou, em 2025, o contraste entre um consumo mais restrito em quantidade e um desembolso financeiro recorde. O estudo, que consolida os resultados da App Store, da Apple, e da Play Store, do Google, registrou 106,9 bilhões de instalações, volume 2,7% inferior ao observado em 2024. Paralelamente, o valor movimentado pelas compras internas, assinaturas e aplicativos pagos alcançou US$155,8 bilhões, montante 21,6% superior ao do ano anterior e o maior já anotado pela série histórica do levantamento. Esses dois indicadores — número de downloads e receita — balizam a análise de um setor que, pelo quinto ano consecutivo, viu a demanda em unidades recuar enquanto a disposição de gasto do usuário final avançou.

Quem está envolvido no levantamento e por que ele importa

Os dados apresentados são resultado do monitoramento feito pela Appfigures, consultoria especializada em métricas de mercado mobile. Ao unir as estatísticas dos dois maiores repositórios de aplicativos do mundo, o relatório fornece um retrato abrangente do comportamento de centenas de milhões de usuários distribuídos por diversos países. Conhecer essas métricas é fundamental para desenvolvedores, investidores e empresas interessadas em modelar estratégias de distribuição, monetização e publicidade digital.

Queda de downloads: a continuidade de uma tendência quinquenal

O recuo de 2,7% em 2025 consolidou o quinto ano consecutivo em que o total de instalações diminui. Na prática, 106,9 bilhões de downloads representam uma base de comparação ampla o suficiente para confirmar que a redução é estrutural, não pontual. A retração pode ser observada tanto na soma geral quanto nos cortes por categoria, com intensidade variável entre jogos e demais aplicativos.

A métrica, ainda que negativa, evidencia um mercado que se aproxima de um ponto de saturação em termos de volume de novos downloads. Usuários que já possuem smartphones há vários ciclos de atualização de hardware tendem a manter uma carteira de apps relativamente estável, substituindo aplicações específicas sem necessariamente aumentar a quantidade total instalada.

Por que os gastos cresceram mesmo com menos instalações

O contraste entre queda de downloads e alta de receitas sugere que a monetização por usuário se tornou mais eficiente. Embora o relatório não detalhe modelos de cobrança, a conclusão direta é que os usuários ativos gastaram mais em 2025 do que em 2024. Com a cifra de US$155,8 bilhões, o crescimento percentual de 21,6% superou com folga a inflação média de serviços digitais, indicando disposição ampliada para pagar por assinaturas recorrentes, recursos premium ou compras pontuais dentro de apps.

Esse comportamento reforça a importância das estratégias de retenção e de valor agregado. Desenvolvedores que conseguem manter o usuário engajado ao longo do tempo tendem a ampliar o ticket médio por conta, compensando a estagnação ou mesmo queda na aquisição de novos usuários.

Desempenho dos jogos: retração em downloads e expansão moderada na receita

Dentro do recorte de jogos, a pesquisa registrou 39,4 bilhões de instalações em 2025. O número equivale a uma queda de 8,6% frente a 2024, intensificando a retração já observada anteriormente, quando o período 2023-2024 havia marcado um decréscimo de 6,6%. Ou seja, o ritmo de queda no interesse por novos títulos acelerou.

No entanto, o gasto do público gamer avançou. As compras em jogos totalizaram US$72,2 bilhões, valor que corresponde a 46% de todo o dinheiro movimentado em aplicativos móveis no ano. O crescimento, de 10% em relação a 2024, indica que a base de jogadores continua disposta a investir em entretenimento digital mesmo em um cenário de menor volume de downloads. Esse gasto engloba aquisições como moedas virtuais, passes de temporada e desbloqueio de funcionalidades extras.

Aplicativos que não são jogos: estabilidade em instalações e liderança em receita

O segmento de apps não relacionados a jogos apresentou um comportamento distinto. Enquanto os downloads ficaram praticamente estáveis, com leve incremento de 1,1% e total de 67,4 bilhões de unidades, a receita cresceu e superou a dos jogos, alcançando US$82,6 bilhões. Esse valor coloca o grupo na liderança em fatia de faturamento — aproximadamente 54% do dinheiro investido por consumidores em 2025.

O desempenho evidencia a consolidação de modelos de assinatura em categorias como produtividade, educação, saúde, entretenimento sob demanda e serviços de streaming. Ainda que o relatório da Appfigures não discrimine cada subsetor, a diferença entre estabilidade em instalações e expansão no faturamento sugere que os aplicativos vêm agregando camadas de valor pelo incremento de funcionalidades pagas.

Comparação ano a ano: 2024 versus 2025

O intervalo de doze meses capturado pelo estudo oferece alguns pontos de contraste relevantes:

Downloads totais: decréscimo de 2,7%, reforçando a tendência de queda iniciada cinco anos antes.

Receita total: avanço de 21,6%, novo recorde absoluto da série.

Segmento de jogos: recuo de 8,6% em instalações, porém alta de 10% em gastos.

Segmento sem jogos: estabilidade em instalações (1,1% de crescimento) e fortalecimento na receita, que chegou a US$82,6 bilhões.

Esses contrastes demonstram que o eixo de expansão de mercado migrou do volume de novos downloads para a otimização da rentabilidade sobre a base instalada.

Distribuição relativa de gastos entre categorias

Mesmo perdendo participação em receita total, os jogos mantiveram parcela expressiva, com 46% do montante global. Os aplicativos não lúdicos, por sua vez, responderam pelos 54% restantes. Essa divisão revela uma leve inflexão em relação a anos anteriores, quando os jogos tinham peso dominante. O dado sugere que áreas como saúde digital, produtividade e serviços sob demanda ganharam tração na disposição de pagamento do usuário.

Efeito da saturação de mercado na dinâmica de downloads

A redução contínua do volume de instalações destaca a hipótese de saturação nos principais ecossistemas móveis. Depois de mais de uma década de crescimento ininterrupto, parte substancial da população global com acesso a smartphones já passou pela fase de adoção massiva. Nesse contexto, o ganho marginal de novos usuários diminui, e o foco do setor se desloca para retenção e monetização aprimorada da base existente.

Embora o relatório da Appfigures não detalhe fatores regionais, a consolidação de smartphones em economias maduras pode explicar parte da retração, pois usuários nessas regiões tendem a baixar menos aplicativos inéditos ao longo do tempo.

Importância estratégica dos dados para desenvolvedores e investidores

Para quem publica aplicativos, o estudo confirma a necessidade de priorizar modelos de negócio que ampliem a receita individual, como assinaturas escalonadas ou conteúdo premium. Já para investidores, o crescimento de 21,6% na receita total, mesmo em cenário de menor volume, reforça a atratividade financeira do setor.

Indicadores complementares citados no período

Além das métricas globais, o ano de 2025 foi marcado por listagens paralelas que ranquearam os aplicativos mais baixados e os que mais faturaram no Brasil e no mundo. Esses rankings específicos, apesar de não fazerem parte dos números consolidados aqui analisados, servem de referência para entender quais títulos e modelos de negócio prevaleceram em diferentes mercados regionais.

Síntese factual do levantamento da Appfigures

• Downloads totais em 2025: 106,9 bilhões (-2,7% ante 2024)
• Gastos totais em 2025: US$155,8 bilhões (+21,6% ante 2024)
• Downloads de jogos: 39,4 bilhões (-8,6%)
• Downloads de apps não jogos: 67,4 bilhões (+1,1%)
• Gastos em jogos: US$72,2 bilhões (46% do total, +10%)
• Gastos em apps não jogos: US$82,6 bilhões (54% do total)

Os números ressaltam um cenário em que o crescimento financeiro supera, com folga, a retração no volume de instalações, destacando a maturidade e o potencial de rentabilidade da economia global de aplicativos em 2025.

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