Petrobras inaugura o supercomputador Harpia e amplia capacidade de análise sísmica em escala inédita

Lead – Quem, o que, quando, onde, como e porquê

A Petrobras colocou em operação, em novembro de 2025, o Harpia, um supercomputador de 50 toneladas que consumiu investimento de aproximadamente R$ 435 milhões. A máquina, cujo poder equivale a 10 milhões de smartphones ou 200 mil notebooks, foi adquirida para intensificar as etapas de localização, avaliação e extração de petróleo, tarefa que exige processamento de bilhões de cálculos simultâneos.

Dimensões do projeto

O Harpia mede cerca de 50 metros de comprimento e pesa 50 mil quilogramas. Diferente dos computadores convencionais, capazes de executar tarefas domésticas, profissionais ou de entretenimento, o novo sistema da companhia foi desenhado para executar bilhões ou até trilhões de operações em cada segundo de atividade.

Por que um supercomputador é necessário na indústria de petróleo

Explorar petróleo envolve múltiplas variáveis físicas e geológicas. Antes de qualquer perfuração, equipes precisam identificar o local exato do reservatório, estimar a profundidade de ocorrência, avaliar a pressão da coluna d’água, compreender a composição do terreno rochoso e antever riscos de falhas geológicas que possam provocar tremores. Cada um desses aspectos requer cálculos de alta complexidade, modelagens tridimensionais e simulações que projetam diferentes cenários de operação.

Diante dessa multiplicidade de parâmetros, um supercomputador torna-se indispensável. Somente um hardware de altíssimo desempenho consegue processar, em tempo hábil, a enorme massa de dados sísmicos e geofísicos captada em campo, converter essas informações em imagens de alta resolução do subsolo e fornecer resultados precisos às equipes de engenharia e geociências.

Comparação de capacidade computacional

Segundo dados divulgados pela empresa, a capacidade de processamento do Harpia equivale a 10 milhões de celulares ou a 200 mil notebooks. Essa equivalência traduz, de forma prática, a diferença entre a computação de uso diário e um sistema projetado para ambientes científicos e industriais. O volume de cálculos paralelos que o supercomputador absorve permite que simulações de semanas sejam concluídas em horas, fator que acelera decisões estratégicas e reduz custos operacionais.

Etapas que se beneficiam do Harpia

1. Aquisição de dados sísmicos
Sensores instalados em superfície ou em navios sísmicos registram vibrações que retornam do subsolo. Esses sinais brutos precisam ser convertidos em dados numéricos compreensíveis pelo software de interpretação.

2. Processamento primário
Nessa fase, algoritmos de correção e filtragem reduzem ruído e alinham as ondas sísmicas. O volume de informação é elevado, exigindo altas taxas de leitura e escrita — tarefas que se tornam mais eficientes com a arquitetura paralela do supercomputador.

3. Geração de imagens
A partir dos dados filtrados, o sistema constrói representações tridimensionais das camadas rochosas. A resolução e a nitidez das imagens dependem diretamente da potência computacional disponível, pois cada pixel representa cálculos de propagação de ondas em diferentes profundidades.

4. Modelagem geológica
Geofísicos alimentam softwares que geram mapas 3D do reservatório, estimando volume, extensão e conectividade das rochas armazenadoras. Nessa etapa, o Harpia possibilita integrar variáveis de densidade, porosidade e pressão em modelos de maior fidelidade.

5. Simulações de produção
Antes da perfuração, equipes projetam cenários de extração que testam pressões, vazões e comportamentos de fluidos. O supercomputador roda milhares de iterações, medindo impacto de cada variável e apontando o plano mais seguro e econômico.

Função estratégica nas áreas de pré-sal e águas ultraprofundas

Reservatórios localizados abaixo da camada de sal ou em lâminas d’água com profundidades extremas impõem desafios adicionais. A densidade das formações e as condições de temperatura e pressão requerem cálculos ainda mais robustos. Com o Harpia, a Petrobras obtém respostas mais rápidas sobre estabilidade de poços, integridade de equipamentos e riscos de eventos sísmicos, fatores decisivos para operações nessas fronteiras tecnológicas.

Papel dos geofísicos na operação

Profissionais de geofísica utilizam o Harpia para transformar ondas sísmicas em imagens detalhadas do subsolo. Ao empregar algoritmos específicos de migração sísmica e inversão, essas equipes produzem representações que indicam contatos entre rochas-reservatório e rochas-selantes, presença de falhas estruturais e possibilidade de armadilhas estratigráficas que acumulam petróleo e gás.

A qualidade das imagens interfere diretamente na tomada de decisão sobre localização de poços exploratórios, espaçamento entre perfurações e estratégias de completação. Quanto mais detalhada for a imagem, menores as incertezas e maior a probabilidade de sucesso na etapa de perfuração.

Resultados esperados em velocidade e precisão

Com a nova infraestrutura, análises que antes demandavam grandes janelas de tempo podem ser entregues em prazos significativamente menores. A redução no ciclo de interpretação contribui para acelerar campanhas exploratórias e otimizar alocação de recursos. Ao mesmo tempo, a elevação da precisão de dados reduz riscos financeiros e ambientais associados a perfurações malsucedidas.

Impacto no posicionamento global da companhia

A modernização do parque computacional reforça a exposição internacional da Petrobras. Supercomputadores de alto desempenho atraem a atenção de potenciais parceiros e fornecedores de tecnologia, abrindo oportunidades de cooperação em projetos de pesquisa, desenvolvimento de software especializado e integração de novas metodologias de análise geofísica.

Características físicas e custo do equipamento

O Harpia ocupa uma área compatível com seus 50 metros de comprimento e demanda infraestrutura específica de refrigeração, alimentação elétrica e controle de temperatura. O investimento de cerca de R$ 435 milhões inclui aquisição do hardware, instalação e integração aos sistemas de armazenamento de dados já existentes na companhia.

Comparativo entre computadores convencionais e o Harpia

Computador de uso geral
– Processa aplicações de escritório, internet, jogos e edição multimídia.
– Realiza bilhões de operações por segundo, porém em escala restrita se comparado a um supercomputador.
– É limitado por quantidade de núcleos, memória e capacidade de paralelismo adequadas ao consumo doméstico ou profissional comum.

Harpia
– Executa trilhões de cálculos por segundo, distribuindo tarefas por um número muito superior de núcleos de processamento.
– Mantém sistemas de resfriamento industriais para preservar desempenho contínuo.
– Permite que softwares de sismologia, modelagem de reservatórios e simulações de engenharia rodem simultaneamente sem perda de performance.

Benefícios para a segurança operacional

Ao possibilitar simulações mais realistas, o Harpia ajuda a prever cenários que incluem falhas de rochas, variações inesperadas de pressão e fluxos de fluidos fora do padrão. Essa capacidade antecipa medidas de mitigação, reduzindo probabilidade de acidentes e fortalecendo a segurança de trabalhadores, comunidades e ecossistemas.

Potencial de redução de custos

Ainda que o desembolso inicial seja elevado, a expectativa é que o supercomputador minimize despesas a longo prazo. A antecipação de riscos e a escolha de rotas de extração mais eficientes evitam perfurações improdutivas, diminuem necessidade de intervenções corretivas e otimizam cronogramas de plataformas offshore.

Perspectivas futuras

O início das operações do Harpia cria um novo patamar para projetos de pesquisa interna. Diferentes áreas técnicas da Petrobras podem submeter modelos numéricos sobre reservatórios maduros, comportamento de dutos e eficiência de métodos de recuperação avançada, expandindo as frentes de inovação apoiadas pela capacidade de cálculo da máquina.

A entrega do supercomputador Harpia marca, portanto, um ponto de inflexão na forma como a empresa processa volumes maciços de dados sísmicos, otimiza planos de exploração e fortalece sua competitividade em ambientes de alta complexidade geológica.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *