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Mesmo figurando entre os smartphones mais desejados do mercado, o iPhone acumula críticas frequentes que partem dos próprios admiradores da marca. Ao ouvir usuários experientes, identificar debates da comunidade e observar polêmicas antigas, surgem pelo menos nove pontos de insatisfação recorrente: preço elevado, ausência de carregador na embalagem, autonomia aquém do ideal, fragilidade do acabamento traseiro em vidro, ritmo lento de evolução das câmeras, falta de multitarefa plena no iOS, recarga mais demorada que a de concorrentes, custos de reparo altos e impossibilidade de instalar aplicativos fora da App Store. A seguir, cada tema é detalhado, sempre com base nos fatos coletados.
1. Preço alto em comparação com o que entrega
O fator financeiro é, segundo usuários de longa data, o primeiro obstáculo. Modelos como o iPhone 14 Pro Max ultrapassam valores cobrados por topos de linha concorrentes que oferecem avanços técnicos relevantes em câmera, bateria e carregamento. Embora a Apple costume defender seu posicionamento premium pela integração ao ecossistema, pela longevidade do suporte de software e pela consistência de desempenho ao longo dos anos, a diferença de preço vem se ampliando enquanto rivais encurtam o abismo em recursos.
Especialistas lembram que, além do valor do aparelho, pesam acessórios vendidos à parte, como carregadores e capas, além de reparos e expansões de armazenamento em nuvem. Dessa forma, o custo total de propriedade tende a superar o de dispositivos equivalentes da Samsung, Xiaomi e outras fabricantes, que oferecem pacotes completos por cifras iguais ou inferiores.
2. Ausência de carregador na caixa desde 2020
Outro ponto sensível surgiu com o iPhone 12, lançado em 2020. Naquele ano, a Apple retirou o carregador e também os fones de ouvido da embalagem mundialmente, alegando redução de resíduos eletrônicos e menor emissão de carbono graças às caixas mais compactas. A medida gerou reações jurídicas relevantes em vários países, com multas superiores a R$ 165 milhões no Brasil, aplicadas tanto por órgãos de defesa do consumidor quanto por tribunais estaduais.
Em decisões isoladas, consumidores chegaram a ser indenizados, como no caso de um comprador que recebeu R$ 3 mil após constatar a necessidade de adquirir o adaptador por R$ 219. Ainda assim, a política permanece: iPhones são vendidos apenas com cabo, o que obriga quem não tem carregador compatível a gastar mais ou reaproveitar acessórios antigos.
3. Bateria considerada insuficiente para uso intenso
A autonomia energética desponta como reclamação quase unânime. Usuários relatam que, em rotinas com redes sociais, câmera e navegação constante, a carga não suporta um dia inteiro, especialmente em modelos anteriores à linha iPhone 15. Há também apontamentos sobre degradação acelerada da saúde da bateria, perceptível, por exemplo, em relatos envolvendo o iPhone 14 Pro.
Outro fator citado é o gerenciamento de energia do iOS: processos em segundo plano, localização e recursos de câmera podem consumir mais do que em sistemas Android. Em paralelo, marcas rivais adotam baterias maiores e técnicas de carregamento rápido que reduzem a ansiedade do usuário acerca do nível de carga.
4. Traseira de vidro: estética elevada, resistência limitada
Introduzido no iPhone 4 e consolidado em toda a linha a partir do iPhone 8, o acabamento em vidro proporciona visual premium, mas adiciona vulnerabilidade. Relatos de estilhaçamento, mesmo com capa protetora, circulam em fóruns e redes sociais, apontando que impactos comuns geram rachaduras expansivas. Quando ocorrem, os reparos podem custar de R$ 250 a R$ 2.000 em versões Pro, pois o vidro é colado ao chassi e exige substituição específica de painel.
A soma entre delicadeza do material, preço de conserto e tempo de reposição faz com que muitos usuários mantenham capas robustas, anulando parte do apelo estético que motivou a adoção do vidro.
5. Evolução de câmera em ritmo considerado lento
A qualidade fotográfica sempre foi ponto de orgulho para a Apple, sustentada por sensores grandes, estabilização óptica eficiente e processamento de imagem voltado para cores naturais. Entretanto, a adoção de inovações acontece gradualmente. Enquanto empresas como Samsung e Xiaomi oferecem zoom óptico de longo alcance ou múltiplos sensores de 50 MP ou mais, a Apple introduziu uma teleobjetiva de 48 MP apenas nas gerações mais recentes e ainda restringe parte dos avanços às variantes Pro.
Para criadores de conteúdo ou profissionais que precisam de flexibilidade, a limitação em zoom, variedade de distâncias focais e recursos só disponíveis em modelos de topo gera desconforto, sobretudo diante de concorrentes que democratizam novidades em faixas de preço menores.

Imagem: Internet
6. iOS sem multitarefa em tela dividida ou janelas flutuantes
O smartphone da Apple continua sem oferecer multitarefa plena. Diferentemente do Android, onde dois aplicativos podem ocupar a tela simultaneamente ou permanecer em janelas redimensionáveis, o iOS mantém apenas a alternância entre apps. A ausência de tela dividida afeta atividades como estudar com vídeos e anotações lado a lado, acompanhar jogos e redes sociais ou comparar documentos no mesmo instante.
A peculiaridade chama atenção porque o iPadOS, derivado do mesmo ecossistema, disponibiliza recursos como split-screen, Slide Over e Stage Manager. Analistas veem indícios de estratégia comercial: a separação de funções preservaria a diferenciação entre iPhone e iPad.
7. Carregamento rápido mais lento que o de rivais
Enquanto aparelhos Android chegam a potências de 45 W, 68 W, 90 W ou até 120 W, permitindo recargas completas em 18 a 45 minutos, os iPhones permanecem próximos de 30 W. Mesmo quando o usuário adquire um adaptador compatível – já que o item não acompanha a caixa –, o tempo para sair de 0 a 100% é nitidamente maior.
Quem testa diversos smartphones observa que marcas como Realme, Motorola e Xiaomi incluem carregadores rápidos de série, destacando recarga de 65% em meia hora ou carga total em menos de cinquenta minutos em modelos intermediários. Nesse cenário, o iPhone pode exigir períodos longos na tomada, o que agrava a percepção de bateria insuficiente.
8. Custos de reparo elevados e limitações técnicas
A substituição de componentes em iPhones é mais cara do que em muitos concorrentes. Além dos preços tabelados, existe dependência de calibrações via software que, em alguns casos, vincula peças a números de série específicos. Quando a troca é feita fora da rede autorizada, avisos persistentes de “peça não genuína” podem aparecer, ainda que o componente seja original.
Essa configuração, somada a desenhos internos que dificultam desmontagem, reforça o argumento de grupos defensores do chamado direito ao reparo, que pedem processos mais transparentes e acessíveis. Para o consumidor final, o resultado prático é a necessidade de investir valores consideráveis ou contratar seguro contra danos.
9. Ausência de sideloading no ecossistema iOS
Por fim, uma crítica antiga persiste: a impossibilidade de instalar aplicativos fora da App Store. A Apple sustenta que o bloqueio protege o usuário de malwares, enquanto críticos afirmam que a restrição limita a liberdade, dificulta testes de aplicativos corporativos avançados e garante à empresa comissão sobre cada transação digital.
Para quem migra do Android, no qual a instalação de pacotes externos (APK) é habilitada com poucos toques, a limitação do iOS é percebida como barreira adicional. Em ambientes de desenvolvimento ou de emulação de softwares, a prática conhecida como sideloading faz falta, e a demanda segue sem indicação oficial de mudança.
Panorama geral
O levantamento das nove limitações mostra que parte das reclamações toca aspectos essenciais da experiência: custo inicial, acessórios, autonomia, desempenho fotográfico e liberdade de uso. Embora a Apple mantenha diferenciais em chipset, integração com outros dispositivos do ecossistema e política de atualização extensa, os temas listados indicam oportunidades de revisão para atender até quem já se identifica com a marca.

Paulistano apaixonado por tecnologia e videojogos desde criança.
Transformei essa paixão em análises críticas e narrativas envolventes que exploram cada universo virtual.
No blog CELULAR NA MÃO, partilho críticas, guias e curiosidades, celebrando a comunidade gamer e tudo o que torna o mundo dos jogos e tecnologia tão fascinante.

