Lead: Um grupo de pesquisadores da Universidade da Pensilvânia avaliou o sistema de alertas de hipertensão lançado no watchOS 26 e concluiu que, embora o recurso apresente desempenho aceitável em alguns cenários, ele pode acabar atrasando ou até impedindo o diagnóstico de pressão alta em parte dos usuários do Apple Watch.
Quem está envolvido
A iniciativa de análise partiu de especialistas ligados à divisão de nefrologia da Universidade da Pensilvânia, sob coordenação da pesquisadora Jordana Cohen. O estudo original sobre o qual eles se debruçaram foi produzido pela própria Apple e entregue à Food and Drug Administration (FDA), órgão regulador norte-americano responsável por aprovar tecnologias de saúde. Além dos autores da universidade norte-americana, médicos das universidades de Exeter e Oxford, no Reino Unido, também comentaram as conclusões.
O que motivou a investigação
Com a liberação do watchOS 26, a Apple introduziu notificações passivas de possível hipertensão. A promessa subentendida era simples: utilizar os sensores já presentes no relógio para revisar dados obtidos durante o uso cotidiano e avisar quando indícios de pressão elevada fossem identificados. A funcionalidade, no entanto, chamou a atenção de pesquisadores por se basear em um algoritmo proprietário que opera de forma não transparente, levantando dúvidas sobre a real capacidade de detectar alterações significativas na pressão arterial.
Como o estudo da Apple foi estruturado
Para enviar o recurso à avaliação da FDA, a Apple reuniu 1.863 voluntários em um protocolo de 30 dias. Durante esse período, cada participante manteve o uso regular do Apple Watch e, paralelamente, realizou medições domiciliares tradicionais com esfigmomanômetro de manguito. A comparação entre os dois métodos permitiu calcular a frequência de alertas corretos e incorretos emitidos pelo dispositivo.
Resultados numéricos principais
Segundo os dados encaminhados pela empresa:
• 41,2 % das pessoas que tinham hipertensão não diagnosticada receberam pelo menos um alerta de possível hipertensão.
• 92,3 % dos participantes sem a condição não receberam qualquer notificação.
• 7,7 % dos indivíduos considerados normotensos receberam um alerta, caracterizando um falso positivo.
Interpretação dos pesquisadores
Ao analisar esses percentuais, o grupo liderado por Jordana Cohen classificou a evidência fornecida pelo relógio como moderada para confirmar hipertensão, porém fraca para excluí-la. O raciocínio foi o seguinte: pouco mais de 40 % de detecção em quem realmente possui a doença indica que a maioria dos casos passaria despercebida se o usuário confiasse exclusivamente no relógio. Paralelamente, a taxa de falsos positivos, embora relativamente baixa, ainda pode gerar solicitações desnecessárias de exames clínicos.
Possíveis consequências para o diagnóstico
A equipe da Pensilvânia destacou um efeito colateral potencialmente mais grave do que os falsos alarmes. Caso o usuário interprete a ausência de avisos como garantia de boa saúde, ele pode adiar consultas médicas e retardar a descoberta da hipertensão. Esse atraso é relevante porque a pressão alta costuma evoluir de forma silenciosa e, quando não tratada, aumenta o risco de complicações cardiovasculares.
Declaração formal da Apple
No material submetido à FDA, a Apple afirmou que as notificações não se destinam a diagnosticar, tratar ou gerir hipertensão, coágulos sanguíneos, acidente vascular cerebral, fibrilação atrial, insuficiência cardíaca congestiva ou colesterol elevado. A empresa também enfatizou que nem todos os usuários receberão um alerta, mesmo quando as leituras internas sugerirem alterações.
Sugestão de aprimoramento feita pela equipe de pesquisa
Embora reconheça a utilidade potencial do recurso, Jordana Cohen defende que a Apple inclua um lembrete periódico. O objetivo seria recordar anualmente aos proprietários do dispositivo que a ausência de notificação não substitui a medição com equipamento de manguito realizada em ambiente clínico ou domiciliar.
Repercussão em outras instituições médicas
Chris Clark, professor de medicina cardiovascular da Universidade de Exeter, avaliou que falsos positivos de dispositivos vestíveis, como o Apple Watch, tendem a aumentar a procura por profissionais de saúde. Para ele, essa demanda adicional pode sobrecarregar sistemas de atendimento e gerar ansiedade nos usuários. Já Helen Salisbury, clínica geral vinculada à Universidade de Oxford, partilhou preocupação semelhante e sugeriu que recursos desse tipo tragam avisos de saúde mais visíveis ou sejam disponibilizados somente quando apresentarem maior precisão.

Imagem: Divulgação/Apple
Funcionamento técnico do algoritmo
De acordo com a descrição da Apple, o software trabalha de maneira passiva, examinando amostras coletadas ao longo de ciclos de 30 dias. Durante esse intervalo, o algoritmo cruza variáveis de frequência cardíaca, padrões de exercício e outras métricas internas para estimar a probabilidade de pressão elevada sustentada. Caso o cálculo ultrapasse um limiar predefinido, o usuário recebe uma notificação de possível hipertensão.
Compatibilidade e modelos aptos
As notificações estão disponíveis nos Apple Watch Series 9, Ultra 2 e versões lançadas posteriormente. O Apple Watch SE, mesmo de segunda geração, permanece fora da lista de aparelhos compatíveis. A funcionalidade chega pré-instalada com o watchOS 26 e não requer ativação manual, operando em segundo plano assim que o relógio é configurado.
Valores indicados no mercado brasileiro
O Apple Watch Ultra 3 foi listado em duas cores — natural e preto — e pode ser adquirido com pulseiras loop Alpina, loop Trail, Oceano ou estilo milanês de titânio. Os preços informados variaram entre R$ 8.499,00 e R$ 10.499,00, a depender da combinação de pulseira e revendedor.
Já o Apple Watch Series 11, fabricado em alumínio ou titânio, apareceu em sete opções de cor, com tamanhos de 42 mm ou 46 mm e versões apenas GPS ou GPS + Cellular. Os valores anunciados foram de R$ 4.222,11 a R$ 5.499,00.
Impacto potencial sobre usuários
Do ponto de vista do consumidor, o sistema pode funcionar como primeiro gatilho de atenção para quem jamais mede a própria pressão. Todavia, as estatísticas analisadas sugerem que confiar exclusivamente no relógio não garante rastreio abrangente. Usuários que, por acaso, não recebam alerta continuarão obrigados a realizar exames convencionais para afastar o risco de hipertensão silenciosa. Ao mesmo tempo, aqueles que receberem notificação deverão confirmar o quadro em ambiente clínico, evitando decisões baseadas apenas no software.
Reflexos na rotina dos profissionais de saúde
Médicos de atenção primária tendem a observar dois efeitos distintos. O primeiro é o comparecimento de pacientes motivados por falsos positivos, demandando avaliação mesmo quando não existe alteração real. O segundo é a falsa sensação de segurança em pessoas que, sem alerta no relógio, adiam a ida ao consultório. Esse binômio — excesso de consultas desnecessárias e falta de triagem em casos verdadeiramente doentes — reforça a necessidade de orientação clara aos usuários sobre as limitações do algoritmo.
Contexto regulatório
O fato de a Apple ter submetido o estudo à FDA indica preocupação em alinhar o recurso às exigências sanitárias norte-americanas. Entretanto, a aprovação regulatória não implica garantia de acurácia perfeita. A agência avalia a segurança e o desempenho dentro dos parâmetros propostos, mas não substitui o acompanhamento médico tradicional. Por isso, a pesquisa da Universidade da Pensilvânia reforça que o aval regulatório deve caminhar com monitoramento contínuo e transparência sobre a performance real do algoritmo.
Conclusão dos pesquisadores
Em síntese, o grupo universitário considera que as notificações oferecem apenas confirmação moderada para casos de hipertensão e desempenho fraco para descartar a condição. A recomendação central é que usuários encarem o alerta como um complemento — não como substituto — às medições padrão, mantendo visitas regulares a profissionais de saúde para aferições por manguito.

Paulistano apaixonado por tecnologia e videojogos desde criança.
Transformei essa paixão em análises críticas e narrativas envolventes que exploram cada universo virtual.
No blog CELULAR NA MÃO, partilho críticas, guias e curiosidades, celebrando a comunidade gamer e tudo o que torna o mundo dos jogos e tecnologia tão fascinante.

