Lead — síntese do cenário
A empresa de pesquisa Smart Analytics Global (SAG) estima que a receita mundial com óculos inteligentes alcance US$ 5,6 bilhões em 2026, valor quatro vezes superior ao registrado no ano anterior. A consultoria relaciona esse possível salto a um incremento de remessas que pode chegar a 20 milhões de unidades no período e, sobretudo, à esperada entrada da Apple no segmento, evento considerado pela própria SAG como capaz de redefinir os rumos do mercado.
Quem protagoniza a transformação
O levantamento da SAG identifica várias forças motrizes. Em primeiro plano está a própria firma de Cupertino, cuja chegada ao universo de wearables com visor é tratada como momento de inflexão. No cenário atual, o destaque pertence ao Ray-Ban Meta (Gen 2), primeiro êxito comercial significativo da empresa de Mark Zuckerberg nesse ramo. A expectativa é que, até 2030, a Meta divida a liderança com a Apple e com a Samsung, esta última também citada nos relatórios como candidata a ingressar oficialmente no setor em 2027.
O que se projeta para 2026
Em termos numéricos, a SAG aponta duas métricas essenciais para o ano que se inicia após o próximo ciclo fiscal completo. A primeira é a receita consolidada de US$ 5,6 bilhões, quantia que representa multiplicação por quatro sobre os US$ 1,2 bilhão calculados para o ano imediatamente anterior. A segunda é a previsão de 20 milhões de unidades expedidas globalmente, sinalizando não apenas aumento de faturamento, mas também expansão concreta do parque instalado de dispositivos.
Quando o ponto de virada deve ocorrer
Embora as primeiras transformações já estejam em curso, a consultoria destaca a temporada de 2026 como período em que as mudanças ficarão mais visíveis. O ápice, no entanto, é esperado para 2027, quando a Apple tende a lançar seu próprio modelo — referido nos bastidores como Apple Glass. A mesma janela temporal contempla a presumida estreia oficial da Samsung. A combinação dessas movimentações é descrita como catalisadora de um ciclo de adoção em massa a partir da segunda metade da década.
Onde a demanda se concentra
De acordo com a SAG, dois polos geográficos continuarão representando a maior parte do consumo: Estados Unidos e China. Somados, esses mercados responderão por 80% das vendas num futuro próximo, reforçando tanto a importância do poder de compra estadunidense quanto o ritmo de adoção tecnológica do varejo chinês. A consultoria não distribui as porcentagens individuais, mas indica que o domínio compartilhado permanecerá relevante durante toda a fase de maturação do setor.
Como o cenário evolui tecnologicamente
No recorte de produto, a preferência tende a migrar para modelos equipados com telas ou projetores integrados, capacidade considerada mais robusta que a de dispositivos focados apenas em áudio. O sucesso do Ray-Ban Meta (Gen 2) confirma a receptividade do público a funcionalidades visuais, servindo como estudo de caso para fabricantes que pretendem unir design leve e recursos avançados. A SAG cita ainda o interesse por soluções híbridas, definidas como aparelhos discretos no formato, mas potentes em processamento e sensores.
Por que a presença da Apple é estratégica
Segundo as projeções, o Apple Glass reúne três fatores-chave: design industrial, apelo estético e integração ao ecossistema. O design industrial engloba a construção de hardware durável e otimizado; o apelo estético corresponde à tradição da marca em entregar produtos com acabamento diferenciado; a integração garante sinergia imediata com serviços e dispositivos já populares, como iPhone, Apple Watch e Mac. O conjunto desses atributos aumenta a probabilidade de adoção generalizada e justifica a definição de “momento de inflexão” utilizada pela SAG.
Impacto previsto em categorias adjacentes
Embora a consultoria defenda a coexistência inicial entre óculos inteligentes e smartphones, ela também projeta uma eventual sobreposição de funcionalidades. Essa aproximação pode, segundo o relatório, atingir o mercado de fones TWS, no qual figura a linha AirPods. A premissa é que parte das tarefas executadas hoje por acessórios de áudio seja absorvida por wearables com visor, sobretudo se esses equipamentos oferecerem comandos de voz, gestos e reprodução multimídia sem dependência de aparelhos adicionais.

Imagem: Shutterstock
Informações de bastidor sobre o Apple Glass
Rumores recentes mencionados na pesquisa indicam transferência de integrantes da equipe responsável pelo Vision Pro para o desenvolvimento do Apple Glass, elevando o projeto à condição de prioridade interna. Existe ainda a expectativa de que o novo produto execute uma versão simplificada do visionOS quando utilizado de forma independente, alternando para um sistema mais completo ao ser conectado a um Mac. A abordagem modular sugere que o dispositivo poderá operar tanto como complemento quanto como plataforma standalone.
Perspectivas até 2030
A SAG conclui que, após a ampliação de 2026 e o marco de 2027, a maturidade competitiva consolidará um trio de liderança formado por Apple, Samsung e Meta. O relatório não especifica fatias de mercado, mas sustenta que a divisão de protagonismo se manterá até 2030, período em que a base global de usuários deve atingir dezenas de milhões. Essa projeção está condicionada ao ritmo de inovação, à logística de produção e à aceitação do consumidor final, considerados satisfatórios pelos analistas diante dos resultados atuais.
Repercussões para a cadeia de valor
O crescimento de unidades e receita implica aumento proporcional na demanda por componentes, serviços de desenvolvimento de software e distribuição no varejo. A SAG relaciona as oportunidades a segmentos como telas miniaturizadas, baterias de alta densidade e sensores de rastreamento. Além disso, o ecossistema de aplicativos específicos para realidade aumentada e assistentes virtuais deve ganhar relevância à medida que os dispositivos se tornarem parte do cotidiano.
Cenários de adoção e comportamento do usuário
O relatório considera que a curiosidade dos primeiros compradores — motivada hoje por produtos como o Ray-Ban Meta — evoluirá para uso cotidiano quando marcas reconhecidas oferecerem recursos estáveis, design confortável e integração imediata. A expectativa de remessas de 20 milhões de unidades em 2026 sugere uma base de usuários significativa o bastante para motivar desenvolvedores, varejistas e produtores de conteúdo a apostar em experiências dedicadas. Esse ciclo de retroalimentação é visto como essencial para sustentar o crescimento após o primeiro boom.
Fatores que podem influenciar as previsões
Mesmo otimista, a SAG reconhece variáveis que podem afetar o desempenho do mercado, como flutuações econômicas e desafios na cadeia de suprimentos. Contudo, a empresa mantém a projeção central ao avaliar o histórico recente de lançamentos bem-sucedidos de wearables e a familiaridade crescente dos consumidores com formatos híbridos entre moda e tecnologia.
Conclusão operacional dos dados
Os números destacados apontam que, se confirmadas as remessas de 20 milhões de unidades e os US$ 5,6 bilhões em receita, o setor de óculos inteligentes entrará em nova fase de relevância industrial. O ponto de virada, previsto para coincidir com o possível lançamento do Apple Glass em 2027, tende a acelerar a adoção, definir padrões de experiência e reorganizar cadeias de fornecimento. Com Estados Unidos e China mantendo protagonismo e a competição entre Apple, Samsung e Meta projetada até 2030, o mercado se prepara para transitar de nicho experimental a categoria de consumo em larga escala.

Paulistano apaixonado por tecnologia e videojogos desde criança.
Transformei essa paixão em análises críticas e narrativas envolventes que exploram cada universo virtual.
No blog CELULAR NA MÃO, partilho críticas, guias e curiosidades, celebrando a comunidade gamer e tudo o que torna o mundo dos jogos e tecnologia tão fascinante.

