Relatórios de mercado e a evolução do portfólio das fabricantes indicam que os celulares com tela flexível devem alcançar um novo patamar de popularização em 2026. O cenário é sustentado por uma sequência de trimestres de crescimento, melhorias estruturais nos aparelhos e ampliação de opções no varejo brasileiro. Para quem considera a troca de smartphone, entender a dinâmica desse segmento — do desempenho comercial às características técnicas — torna-se fundamental. A seguir, são detalhados os fatores que sustentam a expectativa de expansão, os públicos mais beneficiados, as polêmicas ainda presentes e as especificações dos cinco modelos que lideram as prateleiras neste ano.
Expansão prevista para 2026 segundo a Counterpoint Research
O monitoramento global da consultoria Counterpoint Research aponta que as remessas de smartphones dobráveis avançaram 14% no terceiro trimestre de 2025 em relação ao mesmo período do ano anterior, desempenho que configurou o maior volume trimestral já registrado nessa categoria. No ranking de participação de mercado, a Samsung ampliou sua liderança: saltou de 56% no terceiro trimestre de 2024 para 64% no mesmo intervalo de 2025. Huawei e Motorola mantiveram fatias estáveis, com 15% e 7%, respectivamente.
Para 2026, a Counterpoint projeta fase de expansão ainda mais acelerada. Entre os motivos listados estão: maior durabilidade dos painéis flexíveis, redução de espessura e peso dos aparelhos, dobradiças redesenhadas para distribuir melhor as tensões e software mais sofisticado, apoiado por recursos de Inteligência Artificial. Rumores sobre a eventual entrada da Apple no segundo semestre de 2026 são apontados como outro vetor potencial de aquecimento, capaz de reorganizar a concorrência global.
Perfis de uso e formatos disponíveis
Os dispositivos flexíveis distribuídos no Brasil agrupam-se em duas arquiteturas principais: Flip e Fold. Modelos Flip resgatam o conceito de concha, ficando com cerca de 88 mm de altura quando fechados — dimensão próxima à de um cartão de crédito, o que favorece o transporte. Além da portabilidade, a tela externa vem recebendo atenção especial das marcas. Acesso rápido a widgets, leitura de notificações e até uso de aplicativos completos sem abrir o produto já fazem parte da rotina nesses aparelhos. O design dobrável também facilita selfies e gravações, pois permite empregar as câmeras traseiras, normalmente mais completas.
Ao abrir, os aparelhos Fold revelam um display interno significativamente maior, transformando o produto em um mini-tablet. Essa característica atende usuários que precisam de multitarefa avançada, como profissionais que editam documentos em mobilidade ou estudantes que consomem leitura extensa. No uso diário, um comentário recorrente entre entusiastas ilustra a proposta: “smartphone no bolso, tablet no sofá”.
Desafios e percepções que ainda cercam a categoria
Apesar da curva de adoção ascendente, a categoria carrega questionamentos. A sensação de fragilidade segue entre as principais barreiras. Películas protetoras de plástico aplicadas de fábrica costumam apresentar descolamento gradual na área da dobra após meses de abertura e fechamento, mesmo com políticas de garantia de até 90 dias para esse item. Outro ponto sensível historicamente é o vinco no centro do display, que gerava estranhamento em gerações anteriores. Fabricantes vêm redesenhando dobradiças para atenuar o relevo e, ao mesmo tempo, alongar a vida útil do painel.
Autonomia de bateria compõe a lista de pendências. Rankings especializados mostram que vários modelos Flip e Fold ocupam posições inferiores quando o assunto é tempo longe da tomada, efeito de um design que precisa acomodar dobradiça, múltiplas telas e componentes de refrigeração. Por outro lado, unidades com mais de 5.000 mAh começam a surgir, principalmente originárias de marcas chinesas, sinalizando que a limitação tende a ser mitigada.
Como avaliar se um dobrável atende às suas necessidades
A decisão de compra passa, antes de tudo, pela autoavaliação do usuário. Criadores de conteúdo encontram nos modelos Flip aliados para capturas versáteis, pois o telefone pode atuar como tripé embutido e disponibilizar câmeras mais capazes para autorretratos. Consumidores que priorizam produtividade e leitura ampliada podem optar por modelos Fold, que reúnem display amplo, processadores de topo de linha e multitarefa facilitada. Para rotinas básicas — troca de mensagens, navegação leve e eventuais jogos casuais — o custo superior a R$ 3.000 dificilmente se justifica.
Cinco smartphones dobráveis em destaque em 2026
Os preços apresentados foram consultados para o mês de fevereiro de 2026 e podem variar conforme promoções ou disponibilidade em estoque.
Motorola Razr 60 – a partir de R$ 3.339
Lançado em maio de 2025, o Razr 60 posiciona-se como porta de entrada da linha Flip da marca. O painel principal utiliza tecnologia AMOLED de 6,9 polegadas, resolução Full HD+ (2.640 × 1.080) e taxa de 120 Hz, alcançando brilho de até 3.000 nits. A tela externa de 3,6 polegadas, em pOLED, oferece 90 Hz e chega a 1.700 nits. Em fotografia, há sensor principal de 50 MP com estabilização óptica e lente híbrida de 13 MP que cobre funções ultrawide e macro. O aparelho traz certificação IP48, 12 GB de RAM e três atualizações garantidas de Android. Entre os pontos fracos, autonomia abaixo da média e ausência de slot para cartão de memória.

Imagem: Internet
Galaxy Z Flip 7 FE – a partir de R$ 3.498
Primeiro dobrável da série “Fan Edition” da Samsung, o Z Flip 7 FE chegou em julho de 2025. O display interno de 6,7 polegadas emprega painel AMOLED Dinâmico 2X com taxa variável de 1 a 120 Hz e pico de 2.600 nits. A tela externa mede 3,4 polegadas. O conjunto fotográfico combina sensor principal de 50 MP, estabilização óptica e lente ultrawide de 12 MP, recebendo elogios pelo desempenho em zoom digital. O processamento fica a cargo do Exynos 2400 de 4 nm, que superou 1,26 milhão de pontos no AnTuTu. Entre as virtudes estão proteção contra água e poeira; entre as limitações, quinta pior autonomia do ranking GSM Arena e display externo relativamente pequeno.
Galaxy Z Flip 7 – a partir de R$ 5.998
Versão mais avançada da linha, o Z Flip 7 diferencia-se pela tela externa maior, agora com 4,1 polegadas, resolução de 1.048 × 948 píxeis e frequência de 120 Hz. Internamente, o display cresce para 6,9 polegadas, ainda em AMOLED Dinâmico 2X, com brilho máximo de 2.600 nits. A bateria sobe para 4.300 mAh e o processador muda para o Exynos 2500, fabricado em 3 nm. Testes apontam melhora perceptível de autonomia, embora aquecimento seja relatado sob tarefas intensas. O aparelho sai de fábrica com Android 16 e tem suporte programado até a versão 23. Pontos negativos incluem carregamento relativamente lento e poucas novidades em comparação com o antecessor direto.
Motorola Razr 60 Ultra – a partir de R$ 7.199
Apresentado simultaneamente ao Razr 60 convencional, o Razr 60 Ultra figura como o Flip mais potente comercializado no país. O painel interno de 7,0 polegadas entrega resolução de 2.992 × 1.224 píxeis e taxa de 165 Hz, com pico de 4.500 nits. Externamente, a tela de 4,0 polegadas repete 165 Hz e atinge 3.000 nits. A bateria de 4.700 mAh lidera o ranking de autonomia do GSM Arena, registrando até 33 horas em chamadas. O chipset Snapdragon 8 Elite trabalha com 16 GB de RAM. Em fotografia, o sistema inclui duas câmeras de 50 MP: principal com OIS e lente híbrida que cobre ultrawide e macro. O preço elevado é o principal entrave à adoção.
Galaxy Z Fold 7 – a partir de R$ 8.686
Único representante do formato livro nesta lista, o Galaxy Z Fold 7 estreou em julho de 2025 com estrutura de alumínio de blindagem avançada e 4,2 mm de espessura quando aberto, peso de 215 g. Fechado, exibe tela de 6,5 polegadas (2.520 × 1.080 píxeis, 120 Hz); aberto, oferece display de 8 polegadas (2.184 × 1.968 píxeis, 120 Hz) com brilho de 2.600 nits. O processador Snapdragon 8 Elite for Galaxy de 3 nm opera a até 4,47 GHz, acompanhado de 12 ou 16 GB de RAM. No conjunto fotográfico, o sensor principal de 200 MP é auxiliado por ultrawide de 12 MP e telefoto de 10 MP com zoom óptico de 3×. A bateria de 4.400 mAh rendeu até 33 horas em chamadas. Ausência de suporte a S Pen e carregamento demorado aparecem como ressalvas.
Panorama final do segmento em 2026
Indicadores de vendas e avanços técnicos sugerem que 2026 seja o ponto de virada para a adoção de displays flexíveis. Enquanto melhorias em durabilidade, ajustes estruturais e incrementos de software reduzem barreiras históricas, a diversidade de preços — hoje iniciando em pouco mais de R$ 3.000 — amplia a base de potenciais compradores. Para o consumidor, a recomendação principal continua sendo mapear prioridades de uso, pois os diferenciais de cada formato impactam diretamente na experiência diária e na relação custo-benefício.

Paulistano apaixonado por tecnologia e videojogos desde criança.
Transformei essa paixão em análises críticas e narrativas envolventes que exploram cada universo virtual.
No blog CELULAR NA MÃO, partilho críticas, guias e curiosidades, celebrando a comunidade gamer e tudo o que torna o mundo dos jogos e tecnologia tão fascinante.

