A proposta da linha Family Hub, desenvolvida pela Samsung, é ampliar o papel do refrigerador na rotina doméstica. Em vez de limitar-se à função de preservação de alimentos, o eletrodoméstico passa a agir como um hub digital, reunindo tela sensível ao toque, software próprio e recursos do ecossistema SmartThings. Essa combinação transforma a geladeira em ponto de acesso a informações, tarefas e comandos voltados à casa conectada.
Plataforma multifuncional no centro da cozinha
No conceito delineado pela Samsung, o Family Hub não é um recurso isolado, mas uma plataforma. A estrutura compreende hardware – representado pela tela na porta do refrigerador – e software, que integra serviços digitais da empresa e dispositivos vinculados ao SmartThings. Desse modo, a geladeira assume posição de painel de organização que centraliza atividades cotidianas, permitindo criá-las, editá-las e visualizá-las sem recorrer a outros aparelhos.
Com esse foco, a cozinha, tradicional ponto de convivência, recebe uma ferramenta que une as demais áreas da residência. A partir do refrigerador, é possível acessar listas, lembretes, informações de consumo energético e conteúdo multimídia, tudo em um mesmo local físico.
Tela integrada: principal interface do usuário
O elemento mais visível – e decisivo – do Family Hub é a tela sensível ao toque instalada na porta frontal. O display desempenha três papéis centrais. O primeiro é a visualização de conteúdo: vídeos, músicas e até o espelhamento do smartphone podem ser reproduzidos diretamente ali. O segundo papel é o controle da casa conectada, pois o painel exibe atalhos para lâmpadas, tomadas e outros itens cadastrados no SmartThings. O terceiro é a organização de rotinas, com criação de agendas, notas e listas de compras.
A adoção desse visor integrado dispensa a abertura da porta para conferir o interior, reduzindo a perda de ar frio. O display também substitui post-its e quadros magnéticos, permitindo atualizar recados de forma digital, visível a qualquer membro da família que passe pela cozinha.
View Inside: câmeras internas a serviço da praticidade
Entre as ferramentas disponibilizadas pela Samsung, o recurso View Inside utiliza câmeras instaladas no compartimento de refrigeração. Elas capturam imagens do interior e as disponibilizam tanto na própria tela quanto no aplicativo SmartThings. O consumidor, portanto, pode verificar o que há na geladeira sem estar em casa.
Além da exibição do conteúdo interno, o sistema identifica categorias de alimentos e auxilia a formular listas de compras. Também é possível registrar lembretes, evitando esquecimentos relacionados a reposição ou vencimento de produtos. Toda essa dinâmica reforça a ideia de acompanhamento remoto: basta o telefone para conferir o estoque antes de ir ao supermercado.
Integração constante com o aplicativo SmartThings
A experiência não se limita ao refrigerador. O mesmo conjunto de informações disponível na tela é replicado no aplicativo SmartThings, instalado no smartphone. Esse espelhamento garante continuidade de uso: o consumidor inicia uma lista na cozinha e finaliza enquanto se desloca, por exemplo. Notificações sobre o funcionamento do eletrodoméstico também chegam ao telefone, permitindo reação imediata caso algo fuja do padrão de operação.
Ao centralizar dados em nuvem, a Samsung mantém coerência entre dispositivos. Sempre que um ajuste é feito – seja na geladeira, seja no celular – o conteúdo é atualizado em ambos. Essa comunicação bidirecional é a base do conceito de casa conectada promovido pela marca.
AI Energy Mode: inteligência aplicada ao consumo elétrico
No Family Hub, a expressão “geladeira inteligente” não implica autonomia total. O principal uso de inteligência artificial concentra-se no modo AI Energy, embutido no SmartThings Energy. O sistema analisa padrões de abertura de porta e variações internas de temperatura. Quando projeta consumo acima da meta estipulada pelo usuário, altera automaticamente a velocidade do compressor para reduzir gastos.
A visualização em tempo real do consumo elétrico está disponível no aplicativo. Dessa forma, o morador acompanha a economia alcançada sem precisar recorrer a medidores externos. Caso prefira, pode redefinir a meta de kWh mensais, ajustando a sensibilidade do algoritmo ao seu perfil de uso.
Limites da automação e papel ativo do usuário
Ainda que a IA apoie decisões, o Family Hub não substitui a participação humana. O sistema não reconhece itens de forma plena nem realiza compras sem autorização. A atuação da geladeira limita-se a centralizar dados e oferecer sugestões. Cabe ao usuário aprovar pedidos, cadastrar produtos ou alterar preferências de temperatura.
Essa característica evita ações inesperadas e garante que o controle permaneça com os moradores. Ao mesmo tempo, a centralização alivia tarefas repetitivas, pois listas e lembretes ficam agrupados em um só lugar, prontos para consulta e edição.

Imagem: Samsung
Family Hub versus Bespoke: tecnologia e design em camadas distintas
É comum associar o Family Hub à linha Bespoke, mas cada termo descreve um aspecto diferente do produto. O Family Hub refere-se à camada tecnológica, isto é, à presença da tela e dos serviços conectados. Já o Bespoke trata da camada estética, voltada a cores, acabamentos e harmonização visual com o ambiente.
Assim, uma geladeira pode oferecer o conjunto de funcionalidades inteligentes sem necessariamente exibir o design modular do Bespoke. Inversamente, um modelo focado em personalização externa pode ser entregue sem a plataforma digital. No mercado brasileiro, contudo, a Samsung costuma unir os dois conceitos em aparelhos que entregam tanto visual customizável quanto recursos do Family Hub.
Exemplo de combinação: quatro portas com FlexZone
Modelos recentes vendidos no país, como a Bespoke Family Hub com quatro portas, ilustram essa fusão. A unidade exibe a tela sensível ao toque e incorpora o compartimento FlexZone, que possui controle independente de temperatura. Dessa forma, o usuário decide se aquele espaço funcionará como freezer, refrigerador ou gaveta de bebidas, adequando-se a ocasiões específicas.
Embora o compartimento flexível represente um benefício palpável para conservação de alimentos, ele não altera a premissa da plataforma digital. A tecnologia do Family Hub continua vinculada ao display e à conectividade, enquanto a FlexZone amplia a versatilidade interna.
FlexZone: ajuste térmico personalizado
Ao oferecer controle térmico separado, a FlexZone agrega versatilidade sem exigir outro equipamento. O consumidor adapta rapidamente o espaço, configurando a temperatura conforme a necessidade: frio intenso para carnes, resfriamento moderado para frutas ou leve aquecimento para vinhos, conforme os níveis disponíveis. A decisão ocorre diretamente na tela do refrigerador, mantendo a lógica de centralização de comandos.
Connected Living: geladeira como elo na automação residencial
Dentro do ecossistema SmartThings, o recurso Connected Living posiciona a geladeira ao lado de lâmpadas, câmeras e termostatos conectados. Na prática, o usuário visualiza todos os dispositivos compatíveis em um painel único. A compatibilidade com Google Nest expande ainda mais o leque, integrando equipamentos de segurança e climatização que já utilizam o assistente do Google.
Os comandos podem ser enviados pela tela da geladeira ou por voz, dependendo da configuração de cada ambiente. Com isso, a rotina de automação não fica restrita à sala ou ao corredor onde geralmente se instalam hubs dedicados; ela alcança a cozinha, local de permanência prolongada em grande parte dos lares.
Tendência de mercado: eletrodomésticos conectados
A adoção do Family Hub integra um movimento mais amplo na indústria de eletrodomésticos. Em vez de buscar funções futuristas desconectadas da prática diária, empresas investem em conectividade e análise de dados para tornar o consumo previsível. Dentro desse contexto, a Samsung enfatiza três pilares: centralização de informações, integração de serviços e uso de dados para economia de recursos.
Essa estratégia prioriza conveniência e controle, aproximando o usuário dos indicadores de desempenho do aparelho. O reflexo é a consciência sobre hábitos de uso, que pode resultar em decisões de compra mais precisas e menor desperdício de energia ou alimentos.
Papel do refrigerador no cotidiano digital
Com o Family Hub, o refrigerador deixa de ser um item passivo da cozinha. Ele passa a interagir ativamente com outras áreas da casa, fornecendo feedback em tempo real e facilitando tarefas de gestão doméstica. Embora não assuma o protagonismo da automação, seu posicionamento estratégico como ponto de passagem frequente o transforma em uma das principais interfaces entre tecnologia e vida cotidiana.
Dessa maneira, a geladeira integra funções de entretenimento, economia de energia e organização. Ao reunir essas frentes, a Samsung busca redefinir a relação das famílias com o eletrodoméstico mais acessado da residência, mantendo a proposta de eficiência sem fugir dos limites funcionais estabelecidos pela participação consciente do usuário.

Paulistano apaixonado por tecnologia e videojogos desde criança.
Transformei essa paixão em análises críticas e narrativas envolventes que exploram cada universo virtual.
No blog CELULAR NA MÃO, partilho críticas, guias e curiosidades, celebrando a comunidade gamer e tudo o que torna o mundo dos jogos e tecnologia tão fascinante.

