Lead. Informações obtidas por veículos do setor financeiro asiático indicam que os resultados comerciais pouco expressivos do iPhone Air estimularam Xiaomi, vivo e OPPO a abandonar, ao menos por ora, projetos de smartphones ultrafinos desenhados para competir diretamente com o modelo da Apple, cuja espessura é de 5,6 mm.
Quem: os atores envolvidos na decisão
A movimentação parte de três das maiores marcas chinesas de eletrônicos de consumo: Xiaomi, vivo e OPPO. Cada uma delas mantinha, em estágios variados, iniciativas internas dedicadas ao desenvolvimento de aparelhos com perfil inferior a 6 mm. Esse conjunto de fabricantes foi citado por fontes ouvidas pelo Sina Finance e pelo Jiemian.com, veículos que acompanham o mercado de capitais e a indústria de tecnologia na China. As companhias, até o momento, não comentaram publicamente a suspensão — o que significa que o cenário descrito depende exclusivamente das declarações anônimas apresentadas pelos portais asiáticos.
O que: congelamento ou cancelamento de projetos ultrafinos
Os relatos apontam para duas ações principais. Primeiro, certos dispositivos foram cancelados, encerrando completamente seu ciclo de pesquisa, design e preparação fabril. Segundo, outros modelos foram congelados, ou seja, tiveram o cronograma interrompido sem previsão de retomada. Em ambos os casos, o ponto de convergência é a desistência de lançar, no curto prazo, concorrentes diretos do iPhone Air na mesma categoria de espessura.
Quando: período imediatamente posterior aos números de vendas
As decisões tornaram-se públicas na quinta-feira em que o DigiTimes compilou as informações dos portais chineses. O momento coincide com circulações recentes sobre a performance do iPhone Air no exterior e com indícios de redução na produção do aparelho por parte das parceiras da Apple. Assim, o intervalo temporal reforça a relação de causalidade sugerida: o comportamento de mercado do smartphone ultrafino da Apple teria sido monitorado e, logo em seguida, considerado insuficiente para sustentar investimentos semelhantes de rivais.
Onde: foco na cadeia industrial chinesa
Embora o reflexo atinja uma estratégia global de produto, o epicentro do impacto está na China. O país abriga não apenas as sedes de Xiaomi, vivo e OPPO, mas também boa parte da infraestrutura de pesquisa, desenvolvimento e manufatura que daria vida a aparelhos ultrafinos. É igualmente na China que o iPhone Air apresentou a melhor receptividade inicial, segundo os mesmos relatórios. Fora desse território, a procura teria sido inferior às expectativas.
Como: redirecionamento de recursos e soluções de eSIM
Com a pausa nos projetos, recursos previamente alocados para a categoria ultrafina estão sendo redistribuídos. O destaque das fontes recai sobre as soluções de eSIM desenvolvidas para os modelos em questão. Esses componentes agora passam a abastecer outras linhas de produção que permaneceram ativas. Tal movimento minimiza perdas e aproveita investimentos já efetuados em design de placas, antenas e softwares de gerenciamento de cartão virtual, evitando que fiquem ociosos.
Porquê: influência do desempenho comercial do iPhone Air
O mote principal para a mudança é o desempenho considerado fraco do iPhone Air fora da China. Vendido a partir de US$ 1 000, ou cerca de R$ 10 500, o aparelho aposta em uma espessura de 5,6 mm, mas para alcançar esse formato sacrifica duas características relevantes para o público: capacidade de bateria e versatilidade do conjunto fotográfico. A bateria reduzida limita a autonomia, enquanto a presença de apenas uma lente traseira restringe possibilidades de captura que hoje se tornaram padrão em vários segmentos de preço.
Detalhamento de cada elemento do iPhone Air
O smartphone ultrafino da Apple estreou com quatro opções de cor — azul-céu, dourado-claro, branco-nuvem e preto espacial — e três variações de armazenamento interno: 256 GB, 512 GB e 1 TB. Embora tais especificações de memória posicionem o dispositivo na faixa premium, o formato delgado impôs restrições mecânicas. Em consequência, todo o sistema óptico foi condensado em apenas um sensor traseiro, decisão que difere de outros modelos da própria Apple e de concorrentes na mesma faixa de preço.
Efeitos sobre fornecedores: Foxconn e Luxshare
Fontes adicionais mencionam a Foxconn, principal montadora de iPhones, e a Luxshare, parceira secundária. A primeira teria reduzido drasticamente o ritmo de fabricação do iPhone Air, enquanto a segunda teria encerrado completamente todas as linhas relacionadas ao aparelho ainda em outubro. Esses recuos mostram que o impacto não se limita à concepção de produto, afetando também a execução fabril e o planejamento logístico contratado pela Apple.
Reflexo de outra referência de mercado: Galaxy S25 Edge
Além do iPhone Air, o suposto fracasso do Samsung Galaxy S25 Edge teria servido de alerta. O modelo, também encaixado na categoria ultrafina, não alcançou o desempenho esperado e reforçou a percepção de que o público pode atribuir menos valor à espessura mínima do que às funcionalidades sacrificadas nesse processo. Embalada por esse segundo exemplo, a probabilidade de retorno financeiro pareceu ainda mais incerta para Xiaomi, vivo e OPPO.
Projetos específicos de Xiaomi, vivo e OPPO
As fontes descrevem níveis distintos de avanço entre as empresas:
Xiaomi: manteria um protótipo “verdadeiramente Air”, isto é, com espessura ainda mais baixa que a meta de 6 mm. O dispositivo já estaria em fase de validação, mas acabou suspenso antes de entrar em linhas-piloto.

Imagem: Divulgação/Apple
vivo: teria definido o formato ultrafino como característica-chave de sua série intermediária “S”. A orientação priorizava design enxuto para se diferenciar em um segmento onde o custo-benefício é a métrica mais observada pelo consumidor.
OPPO: imagem geral menos detalhada nos relatórios, mas engloba outra fatia dos investimentos em placas compactas, câmeras rebaixadas e baterias de menor volume.
Consequências para a estratégia de portfólio
A crise de confiança no nicho ultrafino empurra as fabricantes a repensar onde canalizar capital e engenharia. Recursos originalmente planejados para chassis de 5–6 mm agora podem reforçar projetos com foco em bateria ampliada, múltiplas câmeras ou recursos de inteligência artificial embarcada, ainda que tais objetivos não tenham sido explicitados pelas fontes. O que se sabe é a reorientação imediata de componentes já desenvolvidos, como módulos de eSIM, para aparelhos em pipelines mais seguros.
Incidência sobre o cronograma de iPhone Air 2
Reportagens paralelas indicam que uma eventual segunda geração, inicialmente aventada para 2026, teria sido postergada para 2027. Embora a mudança de data não faça parte do anúncio oficial da Apple, a referência temporal colabora para contextualizar o ambiente no qual rivais percebem risco alto ao insistir em formatos de extrema delgadeza.
Percepção inicial na China versus resposta internacional
No lançamento doméstico, o iPhone Air registrou vendas sólidas. A base de consumidores chineses, já habituada a ciclos rápidos de novidade, aderiu ao diferencial estético. Entretanto, em mercados externos, a mesma aposta não converteu em número de unidades suficientes para manter a produção em escala planejada. Este contraste — sucesso em um território, desempenho modesto no restante — pontua como qualquer inovação física extrema, por si só, não garante aceitação mundial.
Dimensões do desafio técnico
A construção de um smartphone abaixo de 6 mm exige concessões em bateria, módulo de câmera, dissipação de calor e distribuição de antenas. Ao concentrar vários compromissos em um só produto, fabricantes criam um delicado equilíbrio entre estética e usabilidade diária. Os últimos eventos demonstram que, quando esse equilíbrio pende para limitações percebidas pelo usuário, o preço premium não se sustenta, especialmente em moeda forte como o dólar norte-americano ou o real brasileiro.
Repercussão na cadeia de componentes
Componentistas especializados em chapas de metal ultrafinas, baterias de baixa espessura e lentes compactas podem enfrentar volatilidade na demanda. À medida que OEMs desaceleram planos, ordens de compra previstas para o quarto trimestre e para o próximo ano fiscal tornam-se incertas. O redirecionamento das soluções de eSIM, relatado pelas fontes, ilustra uma tentativa de absorver parte desse excedente tecnológico.
Perspectiva imediata para o segmento ultrafino
O recuo simultâneo de Apple, Samsung e das principais chinesas sinaliza um hiato no lançamento de smartphones com espessuras radicais. Sem previsão de novas datas oficiais ou anúncios substitutos, consumidores e analistas passam a observar se as lições de autonomia e recursos serão internalizadas pelas equipes de produto ou se o conceito de “superfino” voltará em ciclos futuros com compromissos técnicos mitigados.
Com base exclusivamente nas declarações de fontes próximas às empresas e nos registros de parcerias fabris, o cenário, neste momento, aponta para a predominância de estratégias que priorizam equilíbrio entre design, bateria e câmeras, relegando a busca por milímetros extras ao segundo plano.

Paulistano apaixonado por tecnologia e videojogos desde criança.
Transformei essa paixão em análises críticas e narrativas envolventes que exploram cada universo virtual.
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