Na próxima sexta-feira, dia 28, a Black Friday volta a concentrar a atenção de consumidores que planejam trocar de smartphone. A data é reconhecida pelos descontos agressivos; porém, armadilhas como ofertas infladas, condições duvidosas e escolhas apressadas transformam a ocasião em terreno fértil para erros. Seis falhas costumam impedir a aquisição de um aparelho adequado: ignorar o histórico de preços, optar por modelos com apenas 4 GB de RAM, comprar celulares sem resistência à água, aceitar telas com resolução HD+, acreditar que megapixels indicam qualidade fotográfica e desconsiderar a política de atualizações de software.
O que está em jogo na Black Friday de 28 de novembro
O evento ocorre simultaneamente em lojas físicas e virtuais de todo o país. De um lado, varejistas divulgam reduções expressivas; de outro, especialistas em educação financeira alertam que o valor anunciado nem sempre representa economia real. Ferramentas que registram a variação de preços ao longo do ano, como Zoom, Buscapé, JáCotei e Proteste, mostram que alguns estabelecimentos elevam o valor semanas antes, criando a ilusão de desconto no grande dia. A prática, conhecida como “metade do dobro”, pode transformar a compra em prejuízo. Para quem pretende trocar de celular, observar a curva de preços desde meses anteriores torna-se a condição básica para reconhecer promoções legítimas.
Além das cifras, outro ponto crítico é o impulso. Levantamento mencionado na reportagem original indica que 14 % dos consumidores da Black Friday de 2024 compraram sem planejamento. O comportamento precipitado, motivadopela sensação de oportunidade única, leva à escolha de modelos que não atendem às exigências diárias ou que envelhecem rapidamente.
1. Ignorar o histórico de preços
O primeiro erro decorre da confiança irrestrita no cartaz de desconto. Sem acompanhar a etiqueta durante o ano, o comprador não distingue baixas reais de alterações artificiais. Ao verificar plataformas de comparação, é possível identificar variações suspeitas, alertas de aumento repentino ou queda abrupta fora de padrão. Caso o gráfico indique que o valor promocional coincide com a média de meses anteriores, a oferta não representa vantagem. Outra precaução é analisar a idade do site onde a mercadoria está listada. Endereços recém-criados, divulgados em redes sociais ou aplicativos de mensagens, apresentam maior probabilidade de golpe, especialmente em um período de busca intensa por ofertas.
Planejar também significa definir um teto de gasto e o modelo desejado antes do grande dia. Quando o limite financeiro está claro, o consumidor resiste melhor à tentação de levar opções mais caras ou inadequadas. Da mesma forma, conhecer antecipadamente as características mínimas do celular reduz o risco de compra por aparência ou preço isolado.
2. Escolher aparelhos com apenas 4 GB de RAM
Memória RAM é o componente que mantém aplicativos ativos e permite alternar tarefas sem recarregamento constante. Nos lançamentos atuais de entrada, 4 GB representam o mínimo operacional do sistema Android, deixando espaço reduzido para apps adicionais. O resultado são travamentos, fechamentos inesperados e lentidão perceptível mesmo em ações simples, como alternar entre mensageiro, navegador e redes sociais.
Modelos que oferecem 6 GB ou 8 GB de RAM custam um pouco mais, mas entregam experiência consideravelmente mais fluida. A diferença de preço tende a encolher na Black Friday, tornando o aumento de memória um dos investimentos de melhor custo-benefício. Ao priorizar configurações superiores, o usuário prolonga a vida útil do aparelho, pois futuras versões de aplicativos e atualizações de sistema exigirão mais recursos.
3. Comprar celular sem resistência à água
Resistência à água, indicada por certificações IP67 ou IP68, é frequentemente negligenciada, embora seja determinante para a durabilidade do dispositivo. A classificação IP indica que o aparelho foi submetido a testes de submersão controlada em laboratório, geralmente entre um e 1,5 metro de profundidade por até 30 minutos em água doce. O procedimento não garante imunidade total, mas reduz os riscos de danos causados por quedas acidentais em pias, poças ou exposição a chuva intensa.
Dispositivos sem a certificação podem sofrer oxidação interna mesmo com respingos. Caso o dano ocorra, a garantia não cobre prejuízos originados por líquidos. Já em modelos certificados, o Código de Defesa do Consumidor assegura reparo, substituição ou ressarcimento se o problema surgir dentro dos limites especificados pelo fabricante. Em um cenário de ofertas tentadoras, analisar a ficha técnica e confirmar a presença do selo IP evita gastos altos com manutenção logo após a compra.
4. Aceitar telas com resolução HD+
Resolução determina quantos pixels compõem a imagem exibida. Em aparelhos com mais de 6,5 polegadas, o padrão HD+ (720p) resulta em densidade de pixels mais baixa: vídeosperdem nitidez, textos ficam serrilhados e figuras ganham contornos menos definidos. A economia obtida pelo fabricante ao adotar painel de menor resolução reflete em redução de preço, porém compromete a experiência diária de quem assiste a séries, joga ou lê por longos períodos.

Imagem: Internet
No mesmo período promocional, surgem smartphones com tela Full HD+ (1080p) ou superior cuja diferença de valor é pequena em comparação com os modelos HD+. Além de maior definição, esses aparelhos costumam trazer brilho mais intenso, cores calibradas e taxas de atualização que podem chegar a 90 Hz ou 120 Hz, conferindo fluidez a animações. Quem antecipa a análise e monitoramento de preços tende a encontrar essas versões mais completas dentro do orçamento planejado.
5. Acreditar que mais megapixels significam fotos melhores
Megapixel quantifica a resolução da imagem, não a qualidade final. Uma câmera de 12 MP acoplada a sensor grande, abertura ampla, lente bem construída e estabilização óptica gera fotografias superiores às obtidas por sensores de 50 MP ou 108 MP de tamanho reduzido. A ilusão de que o número isolado corresponde a desempenho está entre as estratégias de marketing que influenciam compradores desavisados.
Outro dado relevante é que redes sociais, principal destino de grande parte das fotos, comprimem arquivos para dimensões bem inferiores a 2 MP. Dessa forma, disparar com câmeras de altíssimos megapixels não se traduz em ganho perceptível na publicação. Análises independentes e comparativos de imagens em condições variadas revelam limitações de aparelhos de entrada. O processo de pós-processamento de software, iluminação e qualidade do sensor são fatores mais determinantes do que a contagem de pixels impressa na embalagem.
6. Desconsiderar a política de atualizações de software
Segurança digital e acesso a novos recursos dependem dos ciclos de atualização fornecidos pelo fabricante. Entre as marcas que usam Android, os prazos variam amplamente. A Samsung, por exemplo, chega a oferecer sete anos de suporte para determinados modelos, enquanto empresas como Xiaomi e Motorola concedem períodos menores em grande parte de seus aparelhos. Ignorar esse detalhe pode limitar a vida útil do smartphone.
Se o consumidor adquirir um modelo lançado há três anos, pode restar apenas alguns meses de cobertura de segurança. Após esse período, falhas recém-descobertas não serão corrigidas, deixando o dispositivo mais vulnerável e potencialmente incompatível com aplicativos recentes. Para aparelhos da Apple, o tempo de suporte costuma ser longo, mas unidades muito antigas acabam igualmente excluídas de versões novas do sistema. Confirmar, antes da compra, quantas grandes atualizações e quantos anos de patches de segurança ainda estão previstos impede que o investimento se torne obsoleto em curto prazo.
Planejamento, verificação e escolha informada
Cada um dos seis erros destacados possui origem diferente, mas todos convergem para a mesma consequência: desperdício de dinheiro e insatisfação. A forma mais eficiente de evitá-los é cercar a decisão de dados concretos. Acompanhar o histórico de preços impede fraudes; especificações técnicas como RAM, certificação IP e resolução de tela definem desempenho e durabilidade; analisar características da câmera além dos megapixels reflete em fotos realmente melhores; e observar o cronograma de atualizações garante segurança e compatibilidade prolongadas.
Ferramentas de monitoramento, leitura atenta da ficha técnica e comparação de ofertas em sites confiáveis reduzem drasticamente o risco de arrependimento. Na Black Friday que se aproxima, quem alia paciência, pesquisa e limites financeiros claros tem maior probabilidade de encontrar um smartphone que realmente corresponda às necessidades diárias, mantendo desempenho adequado e suporte de software durante vários anos.

Paulistano apaixonado por tecnologia e videojogos desde criança.
Transformei essa paixão em análises críticas e narrativas envolventes que exploram cada universo virtual.
No blog CELULAR NA MÃO, partilho críticas, guias e curiosidades, celebrando a comunidade gamer e tudo o que torna o mundo dos jogos e tecnologia tão fascinante.

