Fabricar telas OLED em escala elevada, respeitando especificações rígidas, continua sendo o principal desafio enfrentado pela chinesa BOE na parceria com a Apple. Informações veiculadas pelo portal sul-coreano The Elec descrevem uma sequência de obstáculos que impediram a empresa de manter o ritmo de entregas para os iPhones 15, 16 e 17. Segundo o leaker chinês Instant Digital, esses mesmos percalços agora colocam em risco a participação da BOE no fornecimento de displays para o futuro iPhone 18, cuja característica destacada seria um nível de brilho jamais visto em um smartphone da companhia de Cupertino.
Quem está envolvido
O enredo gira em torno de três atores centrais. De um lado, a Apple, responsável por definir metas de desempenho visual cada vez mais exigentes para os próximos iPhones. De outro, a BOE, que figura entre as fornecedoras de painéis OLED da marca desde a era do iPhone 14 e do atual iPhone 16e. Por fim, aparece a Samsung Display, concorrente direta da BOE e potencial substituta nas linhas de produção sempre que falhas emergem.
O que aconteceu
A BOE sofreu interrupções na fabricação de seus painéis entre novembro e dezembro do ano passado. As falhas afetaram lotes direcionados aos modelos 15, 16 e 17, causando desequilíbrio no volume total entregue. A mesma situação havia ocorrido em períodos anteriores: no início de 2025, enquanto a empresa ainda produzia módulos para o então comercializado iPhone 14, gargalos semelhantes também vieram à tona. Dois anos antes, dificuldades técnicas já tinham sido relatadas no projeto do que viria a ser o iPhone SE de quarta geração, posteriormente renomeado para iPhone 16e.
Quando as complicações se agravaram
O marco temporal mais crítico foi o bimestre novembro–dezembro, fase em que a linha de produção da BOE registrou falhas contínuas. A partir daí, as consequências se tornaram imediatas: todos os pedidos referentes às famílias 15, 16 e 17 foram impactados, e a Apple iniciou tratativas emergenciais para suprir a demanda não atendida.
Onde ocorrem as falhas
Os problemas se concentram na planta industrial da BOE destinada a painéis OLED para smartphones premium. Esse ambiente exige controle rigoroso de luminosidade, uniformidade de cor e durabilidade. Quando qualquer padrão não é alcançado, peças são descartadas, afetando a taxa de rendimento e, em última instância, o cronograma de remessas para a Apple.
Como a questão interfere no iPhone 18
Instant Digital afirma que o próximo iPhone 18 trará uma tela com níveis de brilho superiores aos 3.000 nits observados no iPhone 17. Ultrapassar essa marca exige avanços na arquitetura dos diodos emissores de luz orgânicos, bem como precisão no encapsulamento e na deposição de camadas emissivas. Caso não consiga adequar suas linhas a esse requisito, a BOE corre o risco de ser excluída do rol de fornecedores do novo aparelho.
Por que a Apple recorreu à Samsung Display
Para contornar o déficit de painéis provocados pela BOE, a Apple iniciou negociações com a Samsung Display há cerca de dois meses — período indicado pelas fontes do The Elec. O acordo em discussão envolve o fornecimento de milhões de telas destinadas às famílias de iPhones já em produção. Em 2024, a BOE havia entregado aproximadamente 40 milhões de unidades, cota que agora pode ser parcialmente transferida para a concorrente sul-coreana.
Repercussões para a cadeia de suprimentos
Quando um fornecedor falha em cumprir metas, a Apple redistribui encomendas para outros parceiros certificados. Tal reposicionamento garante o abastecimento contínuo das lojas, mas também redefine a participação de mercado entre os fabricantes de componentes. Uma perda no iPhone 18 seria significativa para a BOE porque a linha principal representa contratos de grande volume e alta visibilidade no setor.
Histórico de desafios da BOE
O histórico de contratempos não se limita a situações pontuais. No início de 2025, restrições técnicas afetaram a produção voltada para o iPhone 14, culminando no encerramento de entregas do modelo já descontinuado. Em outro episódio, relatado dois anos antes, as telas destinadas ao que seria o iPhone SE de quarta geração (mais tarde chamado iPhone 16e) esbarraram em gargalos semelhantes, reduzindo a confiança da Apple na consistência operacional da BOE.
Níveis de brilho e recordes recentes
O iPhone 17 estabeleceu um recorde de luminosidade entre os modelos de entrada da linha ao atingir picos de 3.000 nits em condições externas. Essa medição se tornou referência para estimar o grau de desafio que espera os fornecedores no projeto do iPhone 18. Se a próxima geração ultrapassar esse patamar, o salto técnico demandará processos ainda mais precisos na formação das camadas emissoras e no controle de corrente elétrica aplicada aos subpixels.
Papel da Samsung Display
Além de negociar lotes adicionais para suprir as linhas atuais, a Samsung Display já mantém histórico de litígio com a BOE por alegada violação de patentes. Essa disputa judicial não impede que a gigante sul-coreana figure como parceira preferencial da Apple em momentos de urgência. O vínculo se fortalece sempre que uma fornecedora concorrente falha em atingir a meta de qualidade, cenário observado no final do ano passado.

Imagem: Shutterstock
Impacto na relação comercial
Para a BOE, a incapacidade de corrigir rapidamente defeitos de produção ameaça não apenas contratos futuros, mas também a reputação junto a outros fabricantes de dispositivos móveis. A substituição temporária por parte da Apple pode evoluir para perda permanente de quota, caso a Samsung Display ou outra fornecedora demonstre capacidade de atender às demandas de brilho ampliado e volume constante.
Detalhes do iPhone 17 disponíveis atualmente
A título de comparação de especificações, o iPhone 17 é oferecido em cinco cores — lavanda, sálvia, azul-névoa, branco e preto — e em três opções de armazenamento interno: 256 GB, 512 GB ou 1 TB. O preço circula na faixa de R$ 7.998,84 no varejo nacional. Embora esses valores não interfiram nas negociações de componentes, eles refletem a importância de manter a produção estável para sustentar o portfólio em todos os mercados.
Expectativas para a linha 18
Mesmo sem cronograma público, a próxima geração deverá manter a cadência anual de lançamentos já observada. Diante do histórico, a Apple pode adotar estratégias de contingência para garantir que os níveis de brilho planejados cheguem às prateleiras dentro do primeiro lote de produção. A escolha dos fornecedores finais dependerá da capacidade comprovada de alcançar esse novo limiar técnico.
Quantidade de telas comprometidas
O The Elec não divulga números exatos de unidades renegociadas, mas menciona que o acordo em vista envolve “milhões” de componentes. Considerando o total de 40 milhões de telas fornecidas pela BOE em 2024, qualquer parcela remanejada para a Samsung Display representará perda substancial de receita para a chinesa.
Ponto de vista das partes
Nenhum dos envolvidos apresentou declaração oficial sobre a fase mais recente de negociações ou sobre a eventual exclusão da BOE do iPhone 18. O silêncio reforça a natureza sensível das tratativas e a relevância estratégica das especificações de brilho para a próxima geração de smartphones da Apple.
Cronologia resumida dos eventos
Dois anos atrás: gargalos na produção de telas para o então planejado iPhone SE de quarta geração (hoje iPhone 16e).
Início de 2025: problemas persistem durante o ciclo final do iPhone 14, já em processo de descontinuação.
Novembro–dezembro do ano passado: interrupções atingem linhas dedicadas aos iPhones 15, 16 e 17.
Há dois meses: Apple e Samsung Display iniciam conversas para suprir lotes afetados.
Atualmente: risco de a BOE não integrar a cadeia de fornecimento do iPhone 18, que exigirá painel com brilho acima de 3.000 nits.
Perspectiva imediata
Enquanto a BOE trabalha para superar as falhas identificadas, a Samsung Display se posiciona como principal candidata a preencher o espaço deixado. A decisão final dependerá da capacidade da BOE de otimizar seus processos a tempo das validações necessárias para o iPhone 18.
Ao longo de toda a cadeia, permanecem três pontos factuais incontornáveis: a recorrência de falhas na produção da BOE, a meta de brilho superior aos 3.000 nits do iPhone 17 e a movimentação da Apple em direção à Samsung Display para assegurar o cronograma dos modelos já em circulação e daqueles que chegarão ao mercado na próxima geração.

Paulistano apaixonado por tecnologia e videojogos desde criança.
Transformei essa paixão em análises críticas e narrativas envolventes que exploram cada universo virtual.
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