Visão geral do experimento
Um usuário decidiu enfrentar o desgaste acelerado da bateria do celular realizando um ajuste simples: revogar três grupos de permissões concedidas a aplicativos instalados no aparelho. O teste consistiu em desabilitar a execução em segundo plano, reduzir o acesso à localização e limitar o escaneamento Bluetooth de apps não essenciais. Após poucos dias, o resultado foi expressivo: a carga, que antes se exauria em aproximadamente 24 horas de uso moderado, passou a suportar quase dois dias completos nas mesmas condições de utilização.
O que motivou a mudança
Com telas cada vez maiores, brilho intenso, processadores robustos e diversos recursos de conectividade, os smartphones modernos exigem maior quantidade de energia. Consequentemente, o intervalo entre uma recarga e outra tende a diminuir após meses ou anos de uso, gerando incômodo recorrente para quem depende do aparelho no dia a dia. A constatação de que o consumo aumentava, mesmo sem mudanças drásticas no comportamento de uso, levou o proprietário a investigar o que poderia ser ajustado sem recorrer a medidas extremas, como ativar o modo de economia de energia a todo momento ou desinstalar aplicativos populares.
Método aplicado: foco nas permissões
Em vez de remover ferramentas indispensáveis ou limitar o brilho da tela ao mínimo, o usuário concentrou esforços em identificar permissões potencialmente desnecessárias. A lógica seguida foi simples: se um aplicativo não precisa executar tarefas fora de vista ou acessar sensores sensíveis constantemente, revogar esse direito ajudaria a reduzir processos ocultos que drenam a bateria ao longo do dia. Três áreas foram eleitas como prioritárias: atualização em segundo plano, serviços de localização e varredura Bluetooth.
Atualizações em segundo plano
Tanto dispositivos Android quanto iOS oferecem uma função que permite aos aplicativos continuar ativos mesmo enquanto permanecem minimizados. Esse recurso garante que, quando o usuário reabre o app, o conteúdo já esteja sincronizado e pronto para consulta. Entretanto, manter o processador e a conectividade ocupados repetidamente gera consumo contínuo de energia. Na prática, jogos, redes sociais e outros programas de entretenimento nem sempre precisam de dados atualizados em tempo real. O proprietário, portanto, acessou o menu de configurações e desativou a execução em segundo plano para a maior parte dos apps instalados, preservando apenas os que, em sua avaliação, se beneficiam verdadeiramente de sincronização constante.
Serviços de localização
Entre todos os sensores de um smartphone, o conjunto responsável por definir a posição geográfica figura entre os mais exigentes em termos de energia. Para obter um ponto preciso no mapa, o sistema pode utilizar GPS, antenas de Wi-Fi, Bluetooth e informações de rede celular simultaneamente. Essa combinação garante acurácia, mas drena a bateria muito mais rápido do que muitas pessoas imaginam. A solução adotada foi dupla: desligar a opção de “localização exata” em aplicativos que funcionam bem com uma estimativa aproximada e desautorizar totalmente o uso de localização por programas que não precisam, como redes sociais, jogos casuais e apps de compras. Foram preservados os serviços de carona, navegação por mapas e navegação web, pois dependem de posicionamento detalhado para oferecer rotas ou calcular tarifas.
Bluetooth e busca por dispositivos próximos
Mesmo quando o ícone de Bluetooth aparece como desligado na barra de status, muitos celulares continuam realizando varreduras periódicas em busca de acessórios compatíveis. Esse comportamento existe para permitir emparelhamento rápido, mas implica desperdiçar bateria se houver aplicativos com permissão para acionar a função. No teste, o usuário verificou a lista de programas autorizados a procurar dispositivos por perto e manteve apenas aqueles essenciais ao uso diário, como fones sem fio ou relógios inteligentes. Os demais tiveram a permissão revogada. Dessa forma, sempre que um emparelhamento for realmente necessário, a ferramenta pode ser reativada manualmente, evitando verificações automáticas a cada poucos minutos.
Condições do teste
O período de observação abrangeu vários dias de rotina semelhante, composto por navegação em redes sociais (Instagram, Facebook e X), partidas esporádicas de um jogo leve, consumo de vídeos no navegador e no aplicativo de streaming, além de consultas ocasionais em pesquisas web. Ao longo do experimento, nenhum aplicativo foi desinstalado e o modo de economia de energia permaneceu desativado. O brilho da tela variou conforme a iluminação ambiente, sem ajustes drásticos. Dessa forma, o único fator alterado foi o conjunto de permissões, garantindo que a melhoria observada pudesse ser atribuída exclusivamente à nova configuração.
Comparativo de autonomia
Antes das mudanças, o dispositivo chegava ao final do dia praticamente sem energia, exigindo recarga total após cerca de 24 horas de uso moderado. Em períodos com sessões de jogo prolongadas, o carregador era necessário ainda mais cedo, pois o consumo se acelerava. Depois da revogação das permissões, a situação se inverteu: a mesma rotina permitiu alcançar quase dois dias longe da tomada. A capacidade de permanecer distante do carregador mesmo durante navegação em redes sociais e reprodução de vídeo evidencia que processos ocultos – anteriormente constantes – eram responsáveis por parcela significativa do gasto de energia.
Etapas seguidas para revisar as permissões
1. Acesso às configurações gerais: O usuário abriu o menu de configurações do sistema operacional, onde ficam listados todos os aplicativos instalados.

Imagem: Internet
2. Seleção da opção de uso em segundo plano: Dentro do painel específico de cada app, procurou a categoria relativa à execução quando o aplicativo está fechado e desativou o recurso para a maioria deles.
3. Revisão das solicitações de localização: Ainda nas configurações individuais, mudou a preferência de “sempre” ou “enquanto em uso” para “nunca” ou “aproximada” em softwares que não exigem posicionamento detalhado.
4. Auditoria de Bluetooth e dispositivos próximos: No submenu destinado a conectividade, foi conferida a lista de apps com autorização para pesquisar dispositivos via Bluetooth. Apenas ferramentas de áudio ou monitoramento foram mantidas ativas.
5. Monitoramento contínuo: Nos dias subsequentes, o usuário observou o consumo de bateria no gráfico interno do sistema para confirmar a redução no número de processos rodando em segundo plano.
Por que as permissões impactam tanto o consumo
Aplicativos que rodam sem supervisão mantém o processador acordado, ativam antenas de rede e, por vezes, escrevem dados na memória. Cada uma dessas operações requer energia elétrica. Quando o smartphone acumula dezenas de programas autorizados a agir dessa maneira, o efeito se soma e encurta visivelmente a vida útil da carga. Ao barrar a execução em segundo plano, o sistema só desperta os componentes internos quando o usuário lança o aplicativo, minimizando tarefas latentes. De forma parecida, limitar localização e varredura Bluetooth reduz a quantidade de sensores ativos, poupando ciclos de CPU e transmissões de rádio.
Resultados observados na prática
O ganho relatado foi objetivo: rotinas de uso que antes exigiam recarga diária passaram a ocorrer sem pressa, com o nível de energia ultrapassando 48 horas em algumas ocasiões. Esse salto reforça a tese de que a manutenção de permissões desnecessárias cria um consumo oculto considerável. Vale destacar que a experiência descrita não exigiu conhecimentos técnicos avançados, nem envolveu instalações de softwares externos ou alterações de sistema. Tratou-se apenas de explorar opções nativas já presentes no aparelho.
Limitações e cuidados
Embora o resultado tenha sido positivo, o teste foi conduzido em um único dispositivo e pode variar conforme o modelo do smartphone, versão do sistema operacional e perfil de uso de cada pessoa. Revogar permissões de forma indiscriminada também pode afetar funcionalidades legítimas de alguns aplicativos. Por esse motivo, o usuário manteve ativa a localização precisa em apps de transporte e mapas, bem como a execução em segundo plano em programas que realmente dependem de dados atualizados em tempo real.
Conclusão do relato
O experimento demonstrou que revisar e desativar permissões de aplicativos é um método simples, ao alcance de qualquer pessoa, para aumentar a autonomia da bateria sem abrir mão de recursos essenciais. Ao focar em três pontos – segundo plano, localização e Bluetooth – foi possível praticamente dobrar o tempo entre recargas, validando a hipótese de que parte do consumo energético cotidiano se origina de processos invisíveis ao usuário.

Paulistano apaixonado por tecnologia e videojogos desde criança.
Transformei essa paixão em análises críticas e narrativas envolventes que exploram cada universo virtual.
No blog CELULAR NA MÃO, partilho críticas, guias e curiosidades, celebrando a comunidade gamer e tudo o que torna o mundo dos jogos e tecnologia tão fascinante.

