Cinco smart TVs reveladas na CES 2026 destacam tendências de brilho, cor e tamanho

No espaço dedicado aos televisores da CES 2026, cinco modelos capturaram a atenção dos visitantes e sintetizaram as direções que o segmento de smart TVs deve seguir nos próximos anos. Selecionados pelo site The Verge, esses aparelhos oferecem um panorama que vai de conceitos quase prontos a protótipos de alto impacto visual. A lista reúne duas famílias da LG, além de propostas de TCL, Samsung e Hisense, todas apontando para três eixos dominantes: níveis inéditos de brilho, precisão cromática ampliada e diagonais que superam confortavelmente as 75 polegadas.

Panorama geral: mais luz, mais cor, mais polegadas

Os corredores da CES 2026 expuseram uma convergência clara entre os fabricantes. O primeiro ponto é o salto de luminosidade, medido em nits, que amplia o alcance do conteúdo em alto alcance dinâmico. O segundo é o refinamento no uso de subpixels, pontos quânticos ou emissão micro-LED para cobrir a totalidade — ou até exceder — do padrão de cores BT.2020, referência atual para vídeo. Por fim, a adoção de tamanhos cada vez maiores, sustentada por tecnologias de montagem ultrafina ou módulos autossuficientes de iluminação, indica que telas acima de 100 polegadas deixarão de ser exceção.

A seguir, cada um dos cinco televisores que simbolizam esse movimento é detalhado com base nas informações coletadas pelo veículo norte-americano no pavilhão do evento.

LG OLED evo W6: a volta da “Wallpaper TV” com 9 mm de espessura

Apresentada originalmente em 2017, a ideia de uma televisão que se confunde com a parede retornou em 2026 sob a sigla W6. O aparelho tem apenas nove milímetros de profundidade, o que permite instalação rente ao suporte e elimina qualquer saliência perceptível. Para manter o design limpo, a marca recorreu à segunda geração da Zero Connect Box, um hub de conexões totalmente sem fio. A versão 2.0, 35 % mais compacta que a anterior, transmite sinal 4K a até 165 quadros por segundo por todas as portas HDMI, algo que ainda não havia sido especificado em conjuntos similares.

Além da forma, o painel recebeu alterações internas. A LG adotou um novo arranjo de subpixels acompanhado por algoritmos de processamento que elevam o brilho em aproximadamente 20 % em comparação com a geração passada. O resultado, de acordo com a avaliação do The Verge, coloca o W6 como uma retomada amadurecida do conceito de televisão ultrafina que “desaparece” no ambiente quando desligada.

TCL X11L SQD Mini LED: 10 000 nits e 20 000 zonas de escurecimento

Se a LG focou em elegância, a TCL apostou no impacto técnico com o X11L SQD Mini LED. O projeto substitui o convencional trio de LEDs vermelho, verde e azul por fontes exclusivamente azuis, combinadas a pontos quânticos desenvolvidos pela própria fabricante. Essa abordagem possibilitou atingir picos de até 10 000 nits de luminosidade e a implementação de 20 000 zonas de escurecimento local, número que segmenta a retroiluminação com maior precisão e atenua halos em objetos claros.

O ganho cromático também aparece nos dados divulgados: cobertura total de 100 % do espaço BT.2020. O modelo mais compacto da linha parte de 75 polegadas e foi anunciado a US$ 6 999, valor que reforça o posicionamento premium da série. Ainda assim, a exibição na feira sugere que a tecnologia Mini LED continuará a evoluir para disputar espaço com painéis emissivos, oferecendo contraste elevado sem abrir mão de níveis extremos de luminosidade.

Samsung R95H Micro RGB de 130 polegadas: protótipo para impressionar

O estande da Samsung dedicou destaque especial ao protótipo R95H Micro RGB de 130 polegadas, exibido durante o evento privado “First Look”. Diferentemente de televisores retroiluminados, o Micro RGB utiliza elementos emissores nos três subpixels primários, eliminando filtros e permitindo que cada ponto da imagem produza sua própria luz. A ficha técnica indica cobertura integral do padrão BT.2020, tratamento antirreflexo e compatibilidade com HDR10+ Advanced.

Visualmente, o design denominado “Timeless Frame” cria a sensação de que o painel flutua dentro da moldura, reforçando o apelo cenográfico. Embora não haja previsão de lançamento comercial, a presença do protótipo sinaliza a ambição da empresa de levar a tecnologia micro-LED colorido para telas domésticas em larga escala.

Hisense UXS 116ʺ: quarto LED ciano para suavizar tons e poupar visão

A contribuição da Hisense ficou por conta do UXS de 116 polegadas, que acrescenta um elemento ciano ao conjunto retroiluminado normalmente formado por vermelho, verde e azul. Essa adição objetiva suavizar a transição entre tons azuis e verdes, regiões em que a pureza cromática costuma ser desafiadora. De acordo com dados da fabricante, a mudança também reduz a emissão de luz azul, fator frequentemente associado à fadiga ocular.

O ganho mensurado atinge 110 % de cobertura do BT.2020, ultrapassando ligeiramente o volume de cor real do padrão. Para o veículo que compilou a seleção, a proposta não representa ruptura, mas sim refinamento que demonstra como tecnologias baseadas em LEDs convencionais ainda apresentam margem para otimização.

LG G6 OLED: equilíbrio entre desempenho e formato tradicional

Encerrando a lista, o LG G6 OLED posiciona-se como a oferta topo de linha da marca para 2026 sem recorrer a formatos de instalação inusitados. O televisor compartilha o novo painel e o aumento de brilho vistos no W6, porém em um chassi mais convencional, adequado a suportes de mesa ou parede comuns. A empresa destaca pretos ainda mais profundos — característica inerente aos OLEDs — e um revestimento antirreflexo que preserva o contraste em salas iluminadas.

Para o The Verge, o G6 reúne avanços técnicos com aplicabilidade prática, tornando-se candidato a melhor escolha do ano dentro do catálogo da LG. A avaliação apoia-se no equilíbrio entre qualidade de imagem, maturidade de recursos e acessibilidade relativa quando comparada a protótipos ou a televisores focados em números extremos de brilho.

O que os cinco modelos revelam sobre o futuro próximo das TVs

A comparação dos aparelhos evidencia a coexistência de caminhos distintos para alcançar metas similares. O uso de hubs sem fio, como a Zero Connect Box 2.0, aponta para ambientes mais limpos. A intensificação do Mini LED, representada pelos 10 000 nits da TCL, indica que a retroiluminação baseada em zonas seguirá relevante. Soluções emissivas, exemplificadas pelo Micro RGB, permanecem em desenvolvimento para oferecer pretos absolutos em grandes tamanhos. Já a introdução de um quarto LED ciano pela Hisense sugere que ajustes finos no clássico RGB podem render ganhos tangíveis sem reengenharia completa. Por fim, o G6 reforça que há espaço para televisores que adotam tecnologias de ponta sem abandonar a ergonomia tradicional.

Os números apresentados na CES 2026 — 165 quadros por segundo em 4K, 20 000 zonas de escurecimento, 10 000 nits de pico e cobertura total ou ampliada do espectro BT.2020 — funcionam como balizas para modelos que chegarão gradualmente ao mercado. À medida que esses patamares se consolidam, espera-se que recursos como caixas de conexão remota, camadas antirreflexo avançadas e maior controle de luz se tornem itens comuns nos próximos lançamentos.

Pontos-chave observados na CES 2026

Brilho: aumentos consistentes, com destaque para o patamar de cinco dígitos atingido pela TCL.

Cor: procura por cobertura integral do BT.2020 por meio de subpixels adicionais, pontos quânticos ou emissão direta de luz.

Tamanho: normalização de telas acima de 100 polegadas em protótipos e produtos quase finais.

Conectividade: soluções sem fio dedicadas a reduzir cabos visíveis, como demonstrado pela LG.

Design: interfaces que buscam integrar o aparelho ao ambiente ou transformá-lo em peça central de exibição.

Com base nessas constatações, as cinco smart TVs exibidas na CES 2026 ilustram não apenas avanços isolados, mas um conjunto de prioridades compartilhadas pela indústria que deve influenciar a oferta disponível ao consumidor ao longo dos próximos ciclos de lançamento.

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