Eventos de tecnologia de larga escala costumam servir a dois propósitos simultâneos: apresentar produtos praticamente prontos para chegar às lojas e exibir conceitos que ainda estão em fase de teste. A CES 2026 manteve essa tradição ao concentrar, num único espaço, fabricantes que demonstraram soluções voltadas tanto ao consumidor comum quanto a entusiastas fascinados por inovações radicais. Dentro desse cenário, o site The Verge compilou uma lista de notebooks considerados mais reveladores do que necessariamente os “melhores”. O objetivo foi avaliar ideias capazes de influenciar o caminho da indústria de PCs portáteis nos próximos anos.
Ao elaborar a curadoria, o veículo deixou claro que não se tratava de um guia de compras. Foram reunidos produtos em diferentes estágios de desenvolvimento: alguns quase prontos para chegar às prateleiras, outros ainda longe de uma versão comercial. O ponto de união é o impacto potencial de cada projeto, seja por resolver limitações antigas, testar novos formatos de uso ou sinalizar mudanças de postura no design industrial. A seguir, cada modelo citado pelo The Verge é detalhado, explicitando como, quando, onde e por que pode se tornar relevante.
Zephyrus Duo: experiência multitela em um único chassi
A Asus apresentou o Zephyrus Duo como um exemplo de conceito que encontrou maturidade. Toda a metade inferior do notebook foi transformada em um segundo display OLED de 16 polegadas, criando um ambiente multitela portátil até então sem paralelo direto. De acordo com o The Verge, a proposta não pretende atender a todos os perfis de usuário e deverá custar mais que o Zephyrus G16 tradicional, além de oferecer desempenho um pouco menor. Em troca, disponibiliza uma estação de trabalho ou entretenimento que permite manter jogos, janelas de comunicação e ferramentas criativas abertos simultaneamente.
O modelo demonstra o como os fabricantes estão repensando espaço interno: ao substituir o teclado por uma segunda tela, a Asus reconfigura a ergonomia e a lógica de produtividade, sugerindo que flexibilidade visual pode valer mais que poder bruto em determinadas ocasiões. O porquê dessa abordagem reside na demanda de heavy users que operam múltiplas janelas e desejam essa experiência sem recorrer a monitores externos.
Legion Pro Rollable: tela que expande horizontalmente
Entre os protótipos, o Legion Pro Rollable foi descrito como um dos momentos de maior impacto visual da feira. O notebook parte de um painel de 16 polegadas que se estende até 24 polegadas no sentido horizontal, resultando em um formato ultrawide ajustável conforme a necessidade. A iniciativa apresenta quando a expansão acontece — sob comando do usuário — e como muda a imersão em jogos ou multitarefa. O The Verge observou ruídos nos motores de expansão, resolução que ainda não se adapta de modo perfeito e pequenas folgas no painel, mas reconheceu o valor conceitual: caso a tecnologia amadureça, pode levar telas expansíveis além do mero efeito estético.
O porquê de apostar em um display rolável está ligado à busca por versatilidade sem abandonar portabilidade. Expandir a largura, e não a altura, preserva a base do aparelho e proporciona campo de visão ampliado, algo valorizado em jogos e em edição de conteúdo audiovisual.
ThinkPad Rollable XD: expansão vertical voltada à produtividade
Também na categoria de protótipos, o ThinkPad Rollable XD adotou caminho oposto ao Legion: o painel cresce verticalmente, indo de 13,3 para 15,9 polegadas. Essa orientação mira fluxos de trabalho que dependem de rolagem extensa, como leitura de documentos ou edição de código. O The Verge apontou preocupação com a parte do display que permanece exposta quando retraída, situação que pode afetar durabilidade. Mesmo assim, o experimento reforça a visão de que ajustes de formato podem tornar-se um recurso entre as opções de tela da linha ThinkPad no futuro.
O como da proposta se resume à capacidade de aumentar a altura útil sem exigir um corpo maior no modo fechado. Já o porquê permeia a eficiência: usuários corporativos poderiam carregar um dispositivo compacto no deslocamento e, ao chegar ao local de trabalho, desbloquear uma área de exibição ampliada.
Swift 16 AI: interação em foco por meio de trackpad háptico
Na Acer, o destaque não recaiu sobre mecanismos de tela, mas sobre a interface de entrada. O Swift 16 AI recebeu um trackpad háptico de dimensões consideradas pelo The Verge as maiores já vistas nesse formato, trazendo ainda suporte a caneta. A iniciativa demonstra o como fabricantes buscam elevar a precisão de gestos e possibilitar novos fluxos criativos sem acessórios externos. As características adicionais incluem painel OLED e ampla variedade de portas, sinais de que a companhia deseja equilibrar imagem de alta qualidade e conectividade.
O quando o modelo chegará ao mercado depende de oficialização de preço, informação que ainda não foi revelada. O porquê do investimento em superfície tátil ampliada está relacionado à tendência de transpor parte das rotinas hoje executadas em tablets diretamente para o notebook, sem sacrificar o formato concha tradicional.
Dell XPS: retorno a escolhas clássicas e tela de taxa variável
A habitual linha XPS voltou aos holofotes com ajustes que, segundo o The Verge, respondem a críticas de gerações anteriores. Teclas físicas de função retornam, e o trackpad invisível recebeu marcações mais evidentes, facilitando a identificação da área clicável. O ponto técnico que mais chamou atenção foi o emprego de um painel com taxa de atualização variável capaz de ir de 1 Hz a 120 Hz. Essa amplitude, comum em smartphones, é rara em notebooks e pode equilibrar fluidez de imagem e consumo energético.
O como a Dell implementa o recurso passa por hardware que altera a frequência conforme a atividade: baixa quando se lê texto estático, alta quando se reproduz vídeo ou navega rapidamente. O porquê revela uma busca por eficiência sem comprometer experiência visual, alinhando-se à expectativa de usuários que alternam entre tarefas leves e intensivas.

Imagem: Divulgação
Zenbook A16: 16 polegadas com foco em leveza e conectividade
O Zenbook A16 recebeu atenção por reunir tela grande e corpo que, segundo o The Verge, não transmite sensação de volume. O uso de OLED de alta taxa de atualização reforça apelo para criadores de conteúdo, e o retorno do leitor de cartão SD em tamanho integral agrada usuários que lidam com câmeras e dados externos. Em paralelo, versões equipadas com chips Snapdragon geram expectativa de boa autonomia de bateria.
O como a Asus alcançou peso reduzido não foi detalhado, mas o resultado indica uma tentativa de combinar mobilidade e área de trabalho extensa. O porquê dessa escolha conecta-se a perfis que desejam tela generosa sem abdicar da possibilidade de transportar o equipamento diariamente.
Stealth 16: design mais sóbrio sem descuidar de potência
A MSI figurou na lista não apenas por desempenho, mas pela mudança de linguagem visual. O Stealth 16 abandonou linhas agressivas tradicionais em produtos gamer da marca e adotou estética adequada a ambientes profissionais. Os elementos técnicos incluem painel OLED de 240 Hz, processadores Intel de nova geração e GPUs Nvidia RTX série 50.
O como a empresa equilibra discrição e performance resulta em um modelo capaz de agradar criadores que precisam de potência e, ao mesmo tempo, procuram um equipamento que não chame atenção em escritórios. O porquê desse reposicionamento mostra reconhecimento de que parte do público gamer também exerce atividades profissionais e busca uniformidade visual entre trabalho e lazer.
TUF A14: gráficos integrados de alto desempenho em corpo compacto
A Asus apresentou ainda o TUF A14, descrito como aposta curiosa por optar em gráficos integrados de alto desempenho em vez de uma GPU dedicada. O The Verge associa a decisão à evolução das APUs, notadamente da AMD. O objetivo seria fornecer equilíbrio entre capacidade de rodar jogos e benefícios de autonomia e portabilidade.
O como essa estratégia impactará a experiência prática depende de testes futuros, mas a escolha ilustra tendência de concentrar mais recursos diretamente no processador. O porquê envolve reduzir custos, peso e consumo energético ao mesmo tempo em que se mantém capacidade lúdica razoável para quem joga de forma casual ou moderada.
HP Eliteboard G1a: computador completo dentro de um teclado
Fechando a lista, o HP Eliteboard G1a é mencionado como caso atípico que conquistou atenção do público. Trata-se de um computador integrado a um teclado, conceito que foge da definição convencional de notebook, embora pertença ao universo de portabilidade. Apesar do estranhamento inicial, o interesse nas redes sociais transformou o modelo em um dos tópicos mais comentados da feira, indicando que propostas fora do padrão podem encontrar nichos de mercado.
O como o dispositivo se propõe a funcionar não foi esmiuçado além da integração hardware-teclado. Ainda assim, o porquê de sua presença na seleção reforça a diversidade de caminhos aos quais fabricantes estão abertos, seja simplificar a forma, seja desafiar o formato tradicional de notebook.
Síntese das tendências observadas
A leitura dos modelos escolhidos pelo The Verge aponta quatro linhas mestras. Primeiro, telas continuam no centro da inovação, seja pela adoção de painéis secundários, seja pela capacidade de expandir área útil. Segundo, a interação recebe atenção renovada, como demonstra o amplo trackpad do Swift 16 AI. Terceiro, eficiência energética ganha novos aliados, exemplificada pela taxa de atualização variável dos novos XPS e pela aposta em APUs do TUF A14. Por fim, o design se mostra cada vez mais versátil, acomodando tanto visuais discretos para ambientes profissionais quanto formatos que desafiam a ideia clássica de laptop.
Ao reunir produtos comerciais e protótipos, a seleção evidencia que o futuro próximo dos PCs portáteis não será definido por um único atributo, mas pela soma de avanços em tela, interação, portabilidade e autonomia. A CES 2026, portanto, funcionou como termômetro para medir a disposição da indústria em questionar soluções consolidadas e testar configurações até pouco tempo consideradas improváveis.

Paulistano apaixonado por tecnologia e videojogos desde criança.
Transformei essa paixão em análises críticas e narrativas envolventes que exploram cada universo virtual.
No blog CELULAR NA MÃO, partilho críticas, guias e curiosidades, celebrando a comunidade gamer e tudo o que torna o mundo dos jogos e tecnologia tão fascinante.

