Smartphones acompanham o usuário na praia, no banheiro, durante exercícios físicos e em diversas rotinas nas quais o contato com líquidos não é raro. Quando o aparelho escorrega na piscina, cai no mar ou enfrenta uma chuva intensa, a reação imediata do dono pode determinar a extensão dos danos. Apesar de avanços em vedação e certificações como IP68 ou IP69, que indicam resistência a poeira e até jatos de água de alta pressão, nenhuma proteção é infalível em todas as circunstâncias. Diante desse cenário, especialistas em dispositivos móveis detalham procedimentos seguros, alertam sobre ações arriscadas e explicam por que certas soluções caseiras jamais devem ser adotadas.
Primeiros passos após o contato com água
Segundo profissionais do setor, o primeiro movimento deve ser retirar o aparelho do líquido o mais rapidamente possível. Esse gesto diminui o tempo de exposição dos componentes eletrônicos à umidade, reduzindo as chances de curto-circuito ou corrosão.
Em seguida, recomenda-se desligar o smartphone. A ausência de corrente elétrica ajuda a prevenir danos internos adicionais. Ao desligar, evita-se que circuitos energizados entrem em contato com água residual, situação que potencializa falhas permanentes.
Com o dispositivo desligado, a próxima etapa consiste em remover cartões SIM e microSD para permitir maior circulação de ar no interior do compartimento. Esses pequenos elementos costumam ficar alojados em bandejas vedadas por borrachas, mas a retirada cria um ponto extra de ventilação.
O aparelho deve ser enxugado suavemente com um pano limpo que não solte fiapos. A orientação é não friccionar botões nem sacudir o dispositivo, pois movimentos bruscos podem espalhar gotículas para áreas sensíveis, como microfone ou alto-falante. Uma vez retirado o excesso de líquido, o smartphone deve permanecer em posição vertical, sobre uma superfície absorvente, em local ventilado e longe da luz solar direta.
Secagem adequada: paciência e ventilação
A secagem eficaz demanda tempo. Especialistas recomendam deixar a umidade evaporar naturalmente, sem recorrer a fontes de calor intenso. Dispositivos de calor, como secadores de cabelo, sopradores, micro-ondas e fornos, elevam a temperatura interna de maneira desigual e podem danificar selos de borracha, deformar plásticos ou comprometer a bateria, cuja segurança depende de limites térmicos específicos.
Durante a espera, o usuário não deve conectar carregadores nem acessórios com fio. A presença de umidade no conector USB ou na porta de áudio favorece curto-circuitos e oxidação. Alguns modelos exibem ícones ou mensagens que sinalizam detecção de água; nesses casos, o aviso precisa desaparecer antes que qualquer cabo seja acoplado.
Contato com água do mar: enxágue com água doce
Quando o incidente ocorre em ambiente salgado, a orientação muda ligeiramente. A maresia contém cloreto de sódio, substância que acelera a corrosão de metais e compromete até mesmo proteções avançadas. Para mitigar esse efeito, os especialistas recomendam enxaguar o aparelho com água doce sob baixa pressão, logo após a retirada do mar. O objetivo é remover sal e resíduos que se acumulam em frestas, conectores e placas internas.
O procedimento exige cuidado: o jato não pode ser forte, pois a força da água pode transpor vedantes e empurrar umidade para dentro do corpo do smartphone. Finalizado o enxágue, o mesmo protocolo de secagem lenta, em área ventilada, volta a valer. Também não se deve recorrer a secadores ou à exposição direta ao sol para acelerar a evaporação.
O que não fazer: mitos e práticas perigosas
Entre as soluções caseiras mais difundidas, colocar o aparelho em um pote de arroz cru se destaca. A ideia parte da premissa de que grãos absorvem umidade, mas, na prática, o método apresenta riscos. Partículas de arroz ou pó podem entrar na porta USB, no alto-falante ou na gaveta do chip, dificultando a secagem real e criando novos obstáculos quando o usuário tentar carregar o aparelho no futuro. Além disso, o processo não garante que a água retida em camadas internas seja efetivamente removida.
Outra recomendação popular, porém inadequada, é utilizar farinha. Assim como o arroz, a farinha possui partículas finas que podem obstruir aberturas e se transformar em resíduos pastosos ao contato com a umidade restante. O resultado combina sujeira interna com persistência de água, cenário desfavorável para a saúde dos circuitos.
Aplicativos que emitem sons com frequências específicas para expelir água do alto-falante têm utilidade limitada. Eles podem ser eficazes quando apenas essa área sofreu respingos leves, mas não resolvem danos provocados por submersão completa. Se a placa lógica ou a bateria foram molhadas, o software não alcança essas regiões e o problema persiste.
Conectar o smartphone à tomada enquanto há umidade visível é outro equívoco. O choque entre eletricidade e água concentra riscos de curto-circuito, aquecimento anormal e choque elétrico ao usuário. Fabricantes programam alertas de umidade justamente para bloquear a alimentação de energia e proteger o sistema.

Imagem: Reprodução
Pode parecer inofensivo lavar o aparelho com água pressurizada após o contato com lama ou sal, mas esse procedimento é contraindicado. Jatos fortes ultrapassam barreiras de vedação projetadas para respingos ou imersões breves, não para pressão contínua. O mesmo raciocínio vale para variações bruscas de temperatura em ambientes como saunas, onde a expansão dos componentes pode romper selos.
Limitações das certificações IP
A sigla IP, de Ingress Protection, classifica o nível de resistência contra poeira e água. O primeiro dígito descreve barreiras contra partículas sólidas; o segundo, contra líquidos. Em linhas gerais:
IP54 — proteção básica contra poeira e respingos.
IP64 — vedação superior a partículas e contato com água em ângulo.
IP66 — resistência a jatos de água potentes.
IP67 — suporte a imersão curta em até 1 metro de profundidade.
IP68 — tolerância a imersão em até 1,5 metro de água doce por 30 minutos.
IP69 — defesa reforçada, incluindo lavadoras de alta pressão e temperaturas elevadas.
Embora números elevados transmitam segurança, eles não substituem cuidado. A certificação ocorre em condições controladas, geralmente com água doce e temperatura estável. Fatores como choques mecânicos, quedas anteriores, desgaste natural das borrachas ou alterações extremas de calor e frio podem comprometer a vedação sem que o usuário perceba.
Como identificar a resistência do seu aparelho
A indicação IP costuma aparecer na ficha técnica, na embalagem original ou em materiais promocionais do fabricante. Modelos topo de linha de marcas como Samsung, Apple e Motorola, especialmente das séries mais recentes, trazem IP67 ou IP68. Exemplo disso são dispositivos Galaxy de categoria premium, capazes de suportar 1,5 metro de submersão em água doce por até meia hora.
Já aparelhos dobráveis tendem a exibir números menores, como IP48, pois o mecanismo de dobradiça torna a vedação mais desafiadora. Nesses casos, a proteção parcial inclui resistência limitada a poeira e respingos, mas não a imersão prolongada.
Além de checar o código IP, vale observar a integridade da gaveta do chip, das tampas de conectores e das juntas de borracha que vedam microfones e alto-falantes. Qualquer trinca, folga ou rachadura reduz a eficácia da certificação original.
Assistência técnica: sinais de que é hora de buscar ajuda
Mesmo após secagem cuidadosa, o smartphone pode exibir sintomas de falhas causadas pela umidade: som abafado, ruído intermitente no microfone, lentidão ao carregar, mau funcionamento de botões ou comportamento anormal da tela. Também merece atenção a perda de sinal de rede, indicativo de oxidação em antenas internas.
Quando sinais desse tipo persistem, o caminho indicado é procurar uma assistência técnica autorizada. Profissionais com acesso a peças originais e ferramentas adequadas podem abrir o aparelho, limpar os conectores, realizar testes em placas e substituir componentes comprometidos. Tentar desmontar o dispositivo em casa, além de anular garantias, tende a ampliar os danos caso ferramentas incorretas sejam utilizadas.
Manutenção preventiva das vedações
Borrachas, anéis de vedação e bandejas de chip sofrem desgaste natural ao longo dos anos. Pequenas fissuras, muitas vezes invisíveis, criam rotas de entrada para água e poeira. A verificação periódica desses itens e a substituição quando necessário fortalecem a barreira contra acidentes e preservam o nível de proteção originalmente oferecido pelo fabricante.

Paulistano apaixonado por tecnologia e videojogos desde criança.
Transformei essa paixão em análises críticas e narrativas envolventes que exploram cada universo virtual.
No blog CELULAR NA MÃO, partilho críticas, guias e curiosidades, celebrando a comunidade gamer e tudo o que torna o mundo dos jogos e tecnologia tão fascinante.

