Celular afeta fertilidade masculina? Veja estudos recentes

Celular afeta fertilidade masculina é a pergunta que ganha força conforme pesquisas apontam possível redução na quantidade e na qualidade dos espermatozoides em homens que passam muitas horas com o aparelho nas mãos ou no bolso.

O tema voltou aos holofotes após dois estudos feitos na Suíça e na Índia relacionarem o uso intensivo do smartphone a indicadores piores de sêmen. Embora os números chamem atenção, especialistas lembram que ainda não existe consenso científico sobre o tamanho do risco.

Celular afeta fertilidade masculina? Veja estudos recentes

A hipótese de que eletrônicos prejudicam a espermatogênese ganhou força no início dos anos 2000, quando laptops começaram a ser usados sobre o colo. Hoje, o debate recai sobre os smartphones, presentes em praticamente todos os bolsos.

De onde vem a preocupação com o calor e a radiação

A produção de espermatozoides ocorre em temperatura entre 34 °C e 35 °C — de 2 °C a 4 °C abaixo da média corporal. O calor gerado pelo aparelho, somado à emissão de ondas eletromagnéticas, pode elevar a temperatura local e, em teoria, prejudicar o processo. Há, no entanto, divergências sobre a intensidade desse efeito.

Estudos pontuais que acenderam o alerta

• Universidade de Genebra, Suíça: análise com 2.886 jovens (18 a 23 anos) mostrou concentração e contagem total de espermatozoides menores em quem usava o celular mais de 20 vezes por dia.
• Universidade de Calcutá, Índia: avaliação de 1.348 homens identificou risco 10 vezes maior de azoospermia em participantes com mutações genéticas específicas expostos à radiação dos smartphones.

Ambas as pesquisas, entretanto, focam em recortes muito particulares (idade, contexto militar e genética rara). Por isso, não podem ser generalizadas para toda a população masculina.

Meta-análises oferecem panorama mais amplo

Para reduzir vieses, meta-análises reúnem resultados de vários trabalhos:

• Universidade de Exeter, Reino Unido: 10 estudos, 1.492 amostras de sêmen. Queda média de 8 % na movimentação e 9 % na viabilidade dos espermatozoides expostos ao celular, sem alteração clara na concentração.
• Universidade Nacional de Pusan, Coreia do Sul: 18 estudos, 4.280 amostras. Piores índices em mobilidade, viabilidade e concentração, mas sem relação consistente entre tempo de uso e dano.
• Universidade de Boston, EUA: 3.100 homens em tentativa de concepção. Carregar o celular no bolso não reduziu a chance de gravidez, exceto em homens com baixo índice de massa corporal.

Por que ainda não há consenso

Médicos como Alessandro Schuffner, especialista em reprodução assistida, ressaltam que correlação não é causalidade: o fato de homens que usam muito o celular apresentarem sêmen de pior qualidade não prova que o aparelho seja o vilão. Há variáveis difíceis de controlar, como dieta, sedentarismo, tabagismo e obesidade, todos fatores já confirmados como prejudiciais à fertilidade.

Recomendações médicas atuais

Até o momento, nenhuma sociedade urológica ou de medicina reprodutiva estabelece limite oficial para tempo de tela ou proíbe o celular no bolso. A orientação é procurar um urologista ou andrologista em caso de suspeita de infertilidade e focar em mudanças de estilo de vida que têm comprovação científica:

• Parar de fumar;
• Moderar o consumo de álcool;
• Praticar atividade física regular;
• Manter peso saudável;
• Priorizar alimentação rica em nutrientes;
• Controlar estresse.

Como reduzir eventuais riscos do smartphone

Enquanto novos estudos não esclarecem a questão, algumas medidas simples podem trazer tranquilidade:

• Evite guardar o celular no bolso da frente por longos períodos;
• Use fones de ouvido em chamadas demoradas;
• Não durma com o aparelho muito próximo ao corpo;
• Mantenha o telefone longe dos testículos durante o carregamento.

Essas estratégias diminuem o calor local e a exposição direta às ondas eletromagnéticas, sem exigir mudanças drásticas na rotina.

Fertilidade masculina depende de hábitos saudáveis

A ciência continua investigando se o calor do celular tem papel significativo na queda de qualidade do sêmen. Até lá, especialistas reforçam que maus hábitos — e não necessariamente o smartphone — são os principais vilões da fertilidade. Controlar peso, evitar tóxicos e praticar exercícios seguem como as recomendações de ouro para quem deseja preservar a saúde reprodutiva.

Quer aprofundar seus cuidados com tecnologia? Confira nosso guia detalhado sobre como usar o smartphone de forma segura e prolongar sua vida útil.

Em resumo, ainda não há prova definitiva de que o uso prolongado do celular cause infertilidade, mas adotar práticas simples de proteção e manter um estilo de vida saudável continuam sendo as melhores atitudes.

Com informações de TechTudo

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