Lead – O que aconteceu
A Ubisoft anunciou a interrupção definitiva do desenvolvimento de Prince of Persia: The Sands of Time Remake. A decisão faz parte de uma revisão corporativa que também encerrou outros quatro projetos não divulgados, atrasou sete jogos em produção, determinou o fechamento de dois estúdios e previu novas demissões. Segundo o comunicado oficial, todos os títulos afetados não atendiam aos critérios de qualidade recém-ampliados nem às prioridades de um portfólio mais seletivo.
O peso histórico de The Sands of Time
Lançado originalmente em 2003, Prince of Persia: The Sands of Time ganhou reconhecimento por combinar narrativa linear, parkour fluido e mecânica de manipulação do tempo. A influência do título permanece citada em discussões sobre design de jogos de ação e aventura. Quando um clássico com essa relevância é escolhido para remake, as expectativas se tornam substancialmente mais altas do que as de um lançamento inédito, pois o público espera não só fidelidade ao material de origem, mas também atualizações capazes de alinhar controles, animações e sistemas de combate aos padrões contemporâneos.
Expectativas específicas de um remake moderno
Jogadores que acompanham refilmagens de jogos antigos costumam demandar três frentes principais de melhoria. A primeira é gráfica, com texturas de alta resolução, iluminação revisada e cenários reconstruídos. A segunda é mecânica, abrangendo controles mais responsivos, ajustes de câmera e física atualizada. A terceira é narrativa, que, mesmo sem mudanças radicais, precisa de ritmo compatível com o mercado atual. Quando esses pilares não progridem de maneira equilibrada, a percepção pública pode migrar rapidamente da nostalgia para a frustração.
Fatores que dificultam a modernização do título
Após a revelação inicial do projeto, feedbacks de demonstrações sugeriram diferenças visuais significativas em relação a obras recentes do estúdio. Para alcançar o nível de refinamento esperado, seria necessário reformular partes substanciais do trabalho já concluído, o que implicaria ampliação de orçamento, prazos e equipe. Diante desse cenário, a Ubisoft se deparou com duas alternativas: investir ainda mais recursos para realinhar o projeto aos padrões atualizados ou reavaliar sua continuidade dentro de um contexto corporativo mais amplo.
Reestruturação organizacional em curso
Paralelamente às dificuldades do remake, a empresa iniciou um processo descrito como “reset organizacional, operacional e de portfólio”. O plano estabelece ajustes na estrutura global, na cultura interna e na seleção de projetos ativos. O objetivo declarado é fortalecer desempenho de longo prazo, incentivar criatividade e assegurar sustentabilidade financeira.
Novo modelo operacional: as cinco Creative Houses
A partir da revisão, a Ubisoft passará a funcionar em torno de cinco unidades criativas, chamadas internamente de Creative Houses. Cada uma terá foco temático próprio e autonomia ampliada para decisões de design e produção. A descentralização proposta pretende reduzir trâmites hierárquicos e acelerar iterações, enquanto uma Creative Network central fornecerá tecnologias, ferramentas e serviços compartilhados. Esse arranjo unifica infraestruturas técnicas, mas distribui poder de decisão, buscando maior agilidade sem dispersar recursos.
Crescimento dos padrões de qualidade internos
O comunicado ressalta que todos os jogos em desenvolvimento serão avaliados por métricas de qualidade mais exigentes. Produtos que não alcançarem esses índices podem ser cancelados ou adiados para revisões. Essa abordagem se baseia na premissa de que atrasos pontuais geram menor impacto financeiro e reputacional do que o lançamento de títulos aquém do esperado.
Seleção de portfólio: menos projetos, maior potencial comercial
Além da questão qualitativa, a companhia decidiu concentrar esforços em um número reduzido de jogos. O critério de escolha considera a combinação de criatividade e retorno projetado. Essa prioridade recaiu sobre franquias consolidadas ou conceitos inéditos avaliados como estratégicos. Projetos sem encaixe nessas categorias foram encerrados, incluindo a nova versão de The Sands of Time.
Títulos afetados e cronograma de adiamentos
No total, seis jogos foram descontinuados. Um deles teve o título explicitado – Prince of Persia: The Sands of Time Remake. Os outros cinco permanecem confidenciais, mas a nota menciona que três eram propriedades intelectuais novas e um era jogo mobile. Em paralelo, sete produções ganharam tempo adicional de desenvolvimento. Uma dessas, ainda não revelada publicamente, estava programada para o ano fiscal de 2026 e foi transferida para 2027.
Impacto sobre estúdios e força de trabalho
Como parte do reajuste, duas unidades da Ubisoft serão encerradas. A empresa indicou que mais cortes de pessoal ocorrerão, embora não tenha informado números nem regiões específicas. O fechamento de estúdios costuma envolver redistribuição de alguns colaboradores para projetos ativos, enquanto outros profissionais enfrentam desligamento. Esse movimento reflete o esforço de alinhar capacidade de produção às novas prioridades.
Motivações que levaram ao cancelamento do remake
A conjunção de três fatores convergiu para a decisão:
1. Exigência técnica elevada: Atualizar um jogo de 2003 para padrões contemporâneos exige refazer arte, animações e lógica de combate. O grau de retrabalho estimado encareceria o orçamento inicial.

Imagem: Nikita Hariname
2. Cronograma comprometido: A necessidade de correções extensas, somada à meta de manter outras franquias em andamento, tornaria a janela de lançamento incerta.
3. Revisão de portfólio: A iniciativa corporativa de focar em projetos com potencial comercial superior gerou disputa interna por recursos. Diante dessa triagem, o remake não foi priorizado.
Repercussões para a série Prince of Persia
A decisão não representa o fim definitivo da franquia, mas adia qualquer retorno do enredo clássico que tornou a série conhecida. O cancelamento indica que futuros capítulos dependerão de avaliações rigorosas de mercado e de critérios técnicos internos. Até o momento, não há informações sobre novos projetos relacionados ao universo de Prince of Persia.
Relação entre cancelamentos e sustentabilidade financeira
Empresas de grande porte frequentemente equilibram carteiras de projetos para reduzir riscos. Cancelar um jogo em estágio de desenvolvimento avançado impacta custos já incorridos, porém evita despesas adicionais com marketing, distribuição e suporte pós-lançamento. Sob a ótica contábil, a retirada de iniciativas consideradas inviáveis pode melhorar margens futuras, embora gere efeito imediato sobre despesas.
Desafios para colaboradores e comunidades de jogadores
A interrupção de produção de um título cria incerteza para equipes que dedicaram meses – às vezes anos – ao conteúdo agora cancelado. Esses profissionais podem ser realocados ou desvinculados, dependendo das necessidades do estúdio. Para a comunidade, a notícia causa frustração, principalmente quando o jogo já havia sido anunciado. A Ubisoft reconheceu a decepção dos fãs, mas reiterou a necessidade de obedecer aos novos padrões de qualidade.
Interdependência entre qualidade e valor de longo prazo
No comunicado, a empresa associa a ampliação dos prazos de sete jogos a uma estratégia de maximizar criação de valor de longo prazo. Essa lógica pressupõe que um produto bem-recebido gera receita por ciclos estendidos, seja por vendas contínuas, DLCs ou programas de fidelidade, enquanto um lançamento prematuro pode comprometer retornos duradouros.
Visão geral do novo ambiente interno
Com a introdução das Creative Houses, o grupo visa estimular especialização temática, acelerar decisões de design e reduzir retrabalho. O suporte centralizado de tecnologia pretende padronizar motores gráficos, bibliotecas de assets e sistemas online. A combinação de autonomia criativa e compartilhamento de infraestrutura dimensiona recursos de forma mais flexível, alinhada ao volume real de cada produção.
Perspectivas para os jogos remanescentes
Os sete títulos adiados permanecem em desenvolvimento ativo. A extensão do prazo indica espaço para aperfeiçoar mecânica, equilibrar monetização e ajustar narrativas. A busca por maior qualidade interna sugere que futuras apresentações públicas ocorrerão apenas quando os projetos alcançarem marcos sólidos, reduzindo o risco de promessas não cumpridas.
Consequências imediatas para o calendário de lançamentos
Com a retirada de seis jogos e o adiamento de sete, o quadro de lançamentos da Ubisoft para os próximos anos fiscais se torna mais enxuto. Essa mudança pode resultar em lacunas na oferta anual tradicional da empresa, mas, em contrapartida, tende a concentrar esforços de marketing e suporte em um número menor de produtos.
Última informação relevante
De acordo com o comunicado, a revisão afeta simultaneamente projetos internos, estrutura operacional e tamanho da força de trabalho, reforçando que o cancelamento de Prince of Persia: The Sands of Time Remake é parte de um reposicionamento corporativo mais amplo, cujo pilar central é o aumento dos padrões de qualidade e a priorização de títulos com maior potencial de sucesso comercial.

Paulistano apaixonado por tecnologia e videojogos desde criança.
Transformei essa paixão em análises críticas e narrativas envolventes que exploram cada universo virtual.
No blog CELULAR NA MÃO, partilho críticas, guias e curiosidades, celebrando a comunidade gamer e tudo o que torna o mundo dos jogos e tecnologia tão fascinante.

