Apple Music reforça combate a fraudes, aposta em IA e leva Bad Bunny ao maior palco do Super Bowl

O Apple Music definiu novas prioridades estratégicas para 2025, concentrando esforços em três frentes centrais: a repressão a fraudes em streaming, a expansão de recursos baseados em inteligência artificial e o fortalecimento da presença cultural em grandes eventos esportivos, como o Super Bowl. As informações foram confirmadas pelo vice-presidente Oliver Schusser, responsável tanto pela plataforma musical quanto pelo segmento esportivo da empresa.

Taxa de fraudes inferior a 0,5% gera corte de 2 bilhões de reproduções em 2025

Schusser revelou que menos de meio por cento das execuções na plataforma apresentava indícios de manipulação, mas mesmo essa fração culminou na desmonetização de aproximadamente 2 bilhões de reproduções consideradas fraudulentas somente em 2025. O executivo classificou o processo de redistribuição dos royalties como “jogo de soma zero”, pois o montante retirado dos responsáveis pelos artifícios retorna imediatamente aos detentores legítimos dos direitos autorais.

Para viabilizar a operação, o Apple Music intensificou a detecção automatizada de padrões suspeitos, bloqueou provedores reincidentes e impôs sanções mais severas. A lógica, explicada pelo vice-presidente, consiste em desestimular financeiramente qualquer tentativa de adulterar métricas de engajamento. O objetivo final é preservar a integridade do ecossistema, garantindo que artistas e gravadoras que seguem as regras recebam a remuneração adequada.

A relevância econômica do tema justifica a postura agressiva. Embora a taxa de detecção seja considerada baixa em proporção, as cifras envolvidas nos pagamentos de royalties globais convertem pequenas porcentagens em valores significativos. Com o novo regime punitivo, o Apple Music espera tornar o ambiente cada vez menos atraente para práticas ilícitas, além de alinhar-se às exigências do mercado fonográfico por maior transparência.

Inteligência artificial amplia recursos e desafia definições tradicionais de criação musical

O dirigente também apontou a inteligência artificial como vetor de inovação na plataforma. No âmbito operacional, algoritmos alimentam funcionalidades como o AutoMix, recurso que ajusta transições e equalizações de forma automática em playlists selecionadas. Essas ferramentas são citadas como exemplo de como a IA já está inserida no cotidiano dos usuários, elevando a experiência de audição sem intervenção manual.

Entretanto, Schusser reconheceu que a indústria musical enfrenta uma fase de debate sobre o que constitui efetivamente “composição” na era da IA. Questões como a legitimidade de vocais gerados por computador, a autoria de melodias criadas por redes neurais e a divisão de receitas permanecem sem consenso. O executivo encorajou selos e entidades representativas a estabelecer parâmetros comuns que possam orientar contratos e modelos de distribuição no futuro.

Em paralelo à discussão conceitual, a Apple desenvolve internamente tecnologias capazes de compreender características granulares das faixas — timbre, ritmo, instrumentação e contexto histórico — para oferecer recomendações mais perspicazes. Essa camada analítica também serve de base para novos formatos de curadoria, playlists temáticas e eventuais recursos que facilitem a descoberta de conteúdo pelos assinantes.

Bad Bunny lidera o Halftime Show do Super Bowl LX sob patrocínio do Apple Music

No recorte esportivo, o Apple Music assumiu a cota máster do Super Bowl Halftime Show em 2023 e, desde então, busca elevar a escala do espetáculo. Para a edição LX foi escolhido o rapper porto-riquenho Bad Bunny, artista que detém ampla penetração na América Latina, Europa e diversas outras regiões fora dos Estados Unidos. Segundo Schusser, o interesse do público explodiu a partir do anúncio oficial feito em setembro, consolidando expectativas de audiência recorde.

O executivo contextualizou que, nos últimos quatro anos, a parceria entre NFL, Roc Nation e Apple Music construiu um ciclo de crescimento contínuo. Espetáculos protagonizados por nomes como Rihanna, Usher e Kendrick Lamar marcaram sucessivos picos de engajamento. A escolha de Bad Bunny atende a um objetivo estratégico de ampliação global, pois o artista já figura entre os mais ouvidos do catálogo da plataforma em múltiplos mercados.

Ao patrocinar o intervalo do Super Bowl, a empresa pretende reiterar a vocação de “estar ao lado dos artistas” no maior palco possível, oferecendo suporte logístico e promocional para maximizar o alcance. A ação também retroalimenta a base de assinantes, pois eleva a exposição da marca em um evento de audiência bilionária.

Portfólio esportivo ganha reforço com Fórmula 1 e Major League Baseball

A estratégia de entretenimento esportivo não se limita ao futebol americano. O Apple TV+ abriga o Friday Night Baseball, que retorna no início da próxima temporada da Major League Baseball. Schusser descreveu a liga como “parceira exemplar”, destacando a receptividade dos assinantes ao conteúdo exclusivo.

No automobilismo, a empresa prepara uma cobertura especial para a categoria Fórmula 1, intensificando a produção de materiais promocionais algumas semanas antes de cada corrida. Além das transmissões, o estúdio da companhia finaliza “F1 – O Filme”, descrito pelo executivo como o maior projeto cinematográfico já realizado sob o selo Apple Original Films. A iniciativa evidencia como conteúdos esportivos e narrativas documentais convergem para reforçar o posicionamento da empresa no segmento de streaming premium.

Catálogo acima de 100 milhões de faixas, áudio de alta fidelidade e oferta de assinatura diversificada

Além das movimentações corporativas, o Apple Music mantém a expansão do acervo, hoje superior a 100 milhões de canções e mais de 30 mil playlists. Grande parte dessas coleções já conta com suporte a Áudio Espacial em Dolby Atmos e a opção de áudio Lossless, que preserva integralmente as informações sonoras dos arquivos originais.

Para o público de música clássica, a plataforma oferece um aplicativo dedicado com mais de 5 milhões de faixas, interface própria e filtros que facilitam a busca por compositor, obra ou regente. O serviço apresenta três modalidades de assinatura no Brasil: Universitária (R$ 11,90 por mês), Individual (R$ 21,90) e Familiar (R$ 34,90). Quem nunca testou o serviço pode avaliar a experiência gratuitamente durante o primeiro mês. O Apple Music também integra o pacote Apple One, que agrupa diferentes serviços digitais da companhia em uma cobrança única.

Convergência de tecnologia, música e esporte define prioridades para 2025

As declarações de Oliver Schusser delineiam um panorama no qual a Apple fortalece simultaneamente a integridade financeira do streaming, investe em inteligência artificial para aprimorar recursos e consolida alianças com grandes espetáculos esportivos. A combinação dessas frentes sustenta o posicionamento da empresa como provedora de experiências multimídia completas, capazes de engajar diferentes públicos em escala global.

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