O chefe do Apple Music, Oliver Schusser, detalhou as frentes prioritárias da plataforma em uma entrevista recente: a ofensiva contra fraudes de streaming, a incorporação de inteligência artificial em recursos musicais, a seleção de Bad Bunny para o Apple Music Super Bowl LX Halftime Show e a consolidação do portfólio esportivo, que abrange Major League Baseball (MLB) e Fórmula 1. Os tópicos abordados revelam como o serviço reorganiza estratégias para preservar receita legítima, impulsionar experiências de escuta, ampliar visibilidade artística e diversificar conteúdos audiovisuais.
Fraudes de streaming: penalidades aumentadas e números expressivos
Schusser apresentou um panorama sobre práticas fraudulentas detectadas na contagem de reproduções. Segundo o executivo, menos de 0,5 % do total de streams realizados no serviço correspondem a atividades ilícitas. Mesmo com esse percentual aparentemente baixo, a equipe de segurança identificou magnitude relevante de reproduções artificiais: aproximadamente 2 bilhões de execuções classificadas como irregulares foram desmonetizadas em 2025.
O dirigente descreveu o processo como uma operação de soma zero. Ao remover remuneração oriunda de comportamentos manipulados, a empresa redireciona os valores a criadores que atuam conforme as normas. Na prática, o mecanismo promove redistribuição imediata de receita, penalizando agentes que empregam bots, fazendas de cliques ou outras táticas para inflar métricas. O objetivo declarado é reduzir progressivamente a incidência de fraudes até níveis residuais, preservando a integridade do sistema de royalties.
Além da retirada direta de ganhos indevidos, o Apple Music intensificou a aplicação de sanções, tornando-as mais rigorosas. A companhia entende que os custos de manipulação precisam superar, e muito, possíveis benefícios para que o incentivo econômico à fraude seja neutralizado. Essa política também busca desencorajar intermediários que vendem pacotes de streams falsos a artistas ou selos independentes.
Inteligência artificial: recursos práticos e debate conceitual
O uso de inteligência artificial (IA) foi outro ponto de destaque. Dentro do aplicativo, funcionalidades como AutoMix exemplificam como algoritmos já interferem de forma visível na experiência de escuta, ajustando transições de faixas ou equilibrando níveis de áudio sem intervenção manual. Schusser indicou que a companhia continuará integrando IA para criar novos recursos que melhorem a usabilidade e personalizem recomendações.
Paralelamente ao aperfeiçoamento do software, a liderança do Apple Music avalia que a indústria fonográfica precisa alinhar definições fundamentais relacionadas à autoria. Questões como “o que caracteriza composição?” ou “qual parte da criação musical envolve contribuição humana indispensável?” seguem em discussão. De acordo com o executivo, gravadoras e demais partes interessadas devem estabelecer diretrizes comuns para lidar com obras geradas parcial ou totalmente por algoritmos, assegurando clareza sobre direitos autorais, repartição de receitas e critérios de elegibilidade para certificações.
No nível interno, engenheiros da Apple desenvolvem ferramentas proprietárias capazes de interpretar estrutura, timbre e características de cada faixa, fornecendo informações que auxiliam filtros de busca, criação de playlists e estratégias de curadoria. O propósito declarado é aprimorar a descoberta musical ao mesmo tempo em que se mantém transparência sobre a origem das composições.
Show do intervalo do Super Bowl LX: Bad Bunny no centro do palco
Patrocinadora do show de intervalo do Super Bowl desde 2023, a Apple reforça a visibilidade global do evento ao selecionar artistas de ampla projeção. Para a edição LX, o destaque ficou com Bad Bunny. Schusser explicou que a escolha segue lógica de ampliação do alcance internacional do espetáculo, ampliando a audiência fora dos Estados Unidos e respondendo ao crescimento do artista em mercados como América Latina e Europa.
Segundo o executivo, os últimos quatro anos demonstram evolução contínua na repercussão do intervalo: apresentações de nomes como Rihanna, seguidas por um show de Usher que superou a marca anterior, e depois Kendrick Lamar, consolidaram a expectativa de audiência recorde. O interesse antecipado pela performance de Bad Bunny, anunciado em setembro, foi classificado como “excepcional” pela companhia, reforçando a estratégia de atrair públicos diversos.
Para a Apple, o Super Bowl funciona como extensão natural do suporte já oferecido aos artistas na plataforma. O evento ao vivo se converte no “maior palco” disponível para consolidar carreiras, fomentar streaming orgânico e, consequentemente, fortalecer a relação entre serviço digital e indústria musical tradicional.
Esportes no ecossistema Apple: MLB, Fórmula 1 e produção audiovisual
Além da música, Schusser supervisiona o segmento esportivo da companhia. Na entrevista, manifestou entusiasmo com a inclusão de transmissões exclusivas e produções originais. Entre elas está o Friday Night Baseball, que retorna ao Apple TV + no início da próxima temporada da MLB, fruto de parceria considerada “excelente” pelas partes envolvidas.

Imagem: Internet
Outra aposta é a cobertura da Fórmula 1. A Apple intensifica presença nas etapas da categoria e prepara operações de produção reforçadas, com ações promocionais planejadas para algumas semanas antes dos Grandes Prêmios. O dirigente mencionou que “F1 – O Filme” representa o maior projeto cinematográfico já produzido pela empresa, sinalizando investimento robusto em conteúdo relacionado ao automobilismo.
O avanço nos esportes indica uma busca por diversificação de receitas e retenção de assinantes, oferecendo programação ao vivo complementada por documentários e longas-metragens originais. A estratégia se alinha à tendência de conglomerados de mídia que combinam música, vídeo sob demanda e transmissões esportivas em um único ecossistema de assinatura.
Catálogo, formatos de áudio e opções de assinatura
O Apple Music disponibiliza mais de 100 milhões de faixas, distribuídas em 30 mil playlists. Muitos desses conjuntos contam com suporte a Áudio Espacial (Dolby Atmos) e reproduções em Lossless, oferecendo qualidade superior para usuários que dispõem de equipamentos compatíveis. Para entusiastas de música clássica, há um aplicativo dedicado com acervo superior a 5 milhões de gravações, organizado em interface simplificada que prioriza compositores, obras e maestros.
No Brasil, o serviço é oferecido em três modalidades de pagamento mensal: Universitária (R$ 11,90), voltada a estudantes elegíveis; Individual (R$ 21,90), destinada a uma única conta; e Familiar (R$ 34,90), que permite compartilhamento com até cinco pessoas. Novos usuários podem testar a plataforma durante um mês sem cobrança, e quem já assina o pacote Apple One recebe acesso incluído.
Relação entre combate a fraudes, inovação tecnológica e expansão de conteúdo
Os dados fornecidos por Schusser demonstram como diferentes áreas convergem para um mesmo objetivo: fortalecer o ecossistema. Ao eliminar streams fraudulentos, a empresa protege credibilidade de suas estatísticas e evita distorções na distribuição de royalties. O aprimoramento por meio de inteligência artificial, por sua vez, busca agregar valor tangível à experiência do usuário, diferenciar o serviço em um mercado com ofertas semelhantes e responder a mudanças na forma de consumo musical.
Paralelamente, iniciativas como o patrocínio do show de intervalo do Super Bowl e a inclusão de eventos esportivos ampliam pontos de contato com audiências que extrapolam o nicho musical. Esses movimentos geram visibilidade cruzada entre produtos, impulsionam assinaturas do Apple TV + e reforçam a percepção de um portfólio integrado.
Próximos passos indicados pelo executivo
No plano imediato, a plataforma continuará aplicando sanções rigorosas a qualquer tentativa de manipular seus sistemas de contagem. Em paralelo, equipes de engenharia expandirão o uso de IA para funcionalidades ainda não anunciadas, mantendo foco na curadoria automática e na personalização das recomendações.
Em relação ao entretenimento ao vivo, a presença de Bad Bunny no Super Bowl LX deverá servir de termômetro para futuras escolhas de artistas, especialmente aqueles com apelo territorial além do mercado norte-americano. No segmento esportivo, o retorno do Friday Night Baseball e a intensificação de esforços na Fórmula 1 sinalizam calendário consistente de transmissões que deverá se estender por todo o ano.
Por fim, a combinação de catálogo volumoso, tecnologias de áudio avançadas e ofertas de assinatura flexíveis permanece como pilar central da proposta de valor do Apple Music, que defende a convergência entre inovação, licenciamento transparente e parcerias estratégicas para sustentar crescimento orgânico e fidelização de usuários.

Paulistano apaixonado por tecnologia e videojogos desde criança.
Transformei essa paixão em análises críticas e narrativas envolventes que exploram cada universo virtual.
No blog CELULAR NA MÃO, partilho críticas, guias e curiosidades, celebrando a comunidade gamer e tudo o que torna o mundo dos jogos e tecnologia tão fascinante.

