Apple redefine cronograma e empurra iPad dobrável para 2029 por causa de peso e desafios técnicos

Apple revisou o plano de lançar seu primeiro iPad dobrável e agora trabalha com 2029 como meta, após identificar obstáculos que incluem peso excessivo do protótipo, custo estimado e incertezas técnicas.

Quem está por trás do adiamento

A decisão parte dos engenheiros responsáveis pelo desenvolvimento do aparelho internamente conhecido como J312. O grupo avalia que, nas condições atuais, a experiência de uso ficaria comprometida por fatores de ergonomia e sustentabilidade de custos, o que obriga a companhia a prorrogar o lançamento.

O que é o iPad dobrável

O dispositivo em gestação surge como a primeira tentativa de unir o formato de tablet da companhia a um conceito de tela flexível. Em fase de prototipagem, a proposta prevê um painel OLED de 18 polegadas capaz de ser aberto para oferecer área de exibição ampliada e, quando fechado, assumir dimensões próximas às de um notebook compacto.

Quando o projeto deveria chegar e o novo calendário

Em um cronograma inicial, a empresa estabelecia 2028 como ano de estreia. A meta foi revista e, dentro do planejamento atualizado, 2029 desponta como a próxima data-alvo. Mesmo assim, há relatos de ceticismo entre profissionais envolvidos, que não descartam a possibilidade de o modelo não avançar para a produção comercial caso os entraves persistam.

Onde o conceito se encaixa dentro do portfólio

Quando fechado, o J312 se aproxima em porte de um MacBook de 13 polegadas graças à ausência de tela externa. Esse desenho posiciona o futuro aparelho como uma peça híbrida entre tablet e notebook, um segmento ainda inexplorado pela marca. A carcaça planejada usa alumínio, material predominante em toda a linha de laptops e tablets do fabricante, reforçando a intenção de alinhar a novidade ao padrão estético vigente.

Como o dispositivo é construído

O protótipo conta com um painel OLED — diodo emissor de luz orgânico — desenvolvido em parceria com a Samsung Display. A tecnologia empregada pretende reproduzir o mesmo recurso já previsto para o futuro iPhone dobrável, cuja meta é minimizar marcas de dobra no ponto de inflexão. A ausência de vinco visível representa requisito central para manter a qualidade de imagem e evitar sensação de fragilidade na superfície maleável.

Por que o peso se tornou o principal desafio

O componente mais crítico apontado pelos engenheiros é a massa total do protótipo, atualmente em torno de 1,5 kg. Para efeito comparativo, o iPad Pro de 13 polegadas com chip M5 chega a 582 g no seu modelo mais pesado. O número revela que o dobrável triplica a carga suportada pelo usuário, o que contraria a premissa de portabilidade vinculada à família iPad.

Além da tela maior, elementos estruturais necessários para permitir a flexão, como dobradiças reforçadas e camadas extras para proteção do painel, acrescentam gramas preciosas. A preocupação interna é que um dispositivo com tamanho de tablet mas peso próximo ao de um notebook de 15 polegadas reduza a atratividade para atividades móveis.

Comparação direta com modelos concorrentes

No mercado atual, a referência mais próxima é o MateBook Fold, equipamento de 18 polegadas oferecido pela HUAWEI. Esse produto mantém conceito similar ao do J312 ao abrir para formato de tela ampla, mas registra 450 g a menos que o protótipo da Apple, situando-se, portanto, abaixo de 1,1 kg. O fator peso, somado à experiência já consolidada pela concorrente, pressiona a equipe de Cupertino a encontrar soluções de alívio estrutural antes de homologar um design final.

Em termos de posicionamento de preço, espera-se que o J312 chegue ao varejo por cerca de US$ 3.000, enquanto o rival chinês circula em torno de US$ 3.400. Embora o intervalo não seja largo em valores absolutos, o custo elevado reforça a necessidade de entregar diferenciais tangíveis em acabamento, desempenho e durabilidade.

Outros obstáculos técnicos

Além da preocupação com peso, o projeto exige uma dobradiça que assegure milhares de ciclos de abertura sem degradação perceptível, além de componentes eletrônicos flexíveis capazes de manter desempenho estável. A meta de eliminar vinco no meio do painel OLED adiciona camadas de complexidade, pois demanda substratos especiais e processos de laminação que ainda buscam maturidade em escala.

O tamanho de 18 polegadas também impõe desafios térmicos. Com uma área tão vasta, a dissipação de calor gerado pelo processador e pela iluminação de pixels precisa de engenharia cuidadosa para não comprometer a espessura ou acrescentar sistemas de refrigeração volumosos.

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Imagem: Internet

Linha atual de iPads e o contexto de vendas

Os dados mais recentes indicam retração nas vendas da categoria de tablets da marca nos últimos anos. Para enfrentar esse cenário, a companhia lançou há poucos dias uma nova geração do iPad Pro equipada com o chip M5, oferecendo telas de 11 e 13 polegadas, capacidades internas de até 2 TB e opções de conectividade Wi-Fi ou Wi-Fi + Cellular.

Em paralelo, o portfólio engloba o iPad Air, também disponível em tamanhos de 11 e 13 polegadas, e o iPad mini, com 8,3 polegadas. Os valores cobrados no mercado brasileiro variam de pouco mais de R$ 5,6 mil pelo modelo mini de entrada até cerca de R$ 13 mil no iPad Pro mais robusto, sempre a depender de armazenamento e configurações. Esses números demonstram como a empresa opera em uma faixa premium e buscam justificar o investimento em um futuro dobrável que possa renovar o interesse do público.

Estratégia por trás da tela OLED de 18 polegadas

A adoção de um painel tão amplo responde à tendência de aumentar áreas úteis sem comprometer a portabilidade, objetivo viabilizado pela possibilidade de dobrar a estrutura. Em uso pleno, o usuário teria um espaço consideravelmente maior que o de um MacBook tradicional ou de um iPad Pro, potencializando produtividade e consumo de mídia. Fechado, o formato se tornaria mais fácil de guardar e transportar. Esse equilíbrio, contudo, depende da superação do peso e da espessura adicionais criados pelo mecanismo de dobradiça.

Impacto potencial do adiamento

Com a mudança de 2028 para 2029, a companhia adia a chance de disputar mercado de dispositivos dobráveis em uma fase inicial de adoção, cedendo espaço a concorrentes asiáticas que já oferecem produtos no segmento. Por outro lado, o tempo extra pode permitir avanços na plataforma de software, na miniaturização de componentes e na redução de custos, requisitos que podem ser decisivos para o sucesso comercial do J312.

Sinalizações financeiras e preço previsto

A expectativa de lançamento por cerca de US$ 3.000 sugere uma precificação ligeiramente inferior ao principal competidor, o que pode funcionar como argumento de valor, desde que os demais pontos — leveza, durabilidade e ausência de vinco — atinjam patamares superiores. O índice de margem também precisa acomodar os custos de pesquisa, desenvolvimento e fabricação de telas flexíveis em parceria com a Samsung Display.

Ceticismo interno

Relatos de colaboradores indicam que, mesmo com o cronograma revisado, não existe consenso sobre a viabilidade final do projeto. A incerteza decorre do ritmo necessário para aprimorar a tecnologia de dobradiça e reduzir peso sem sacrificar a robustez exigida em um tablet que pode ser aberto e fechado repetidamente ao longo de anos.

Papel do codinome J312

A designação de projetos por códigos é prática recorrente dentro da empresa, ajudando a manter sigilo e facilitar a identificação de versões internas. No caso do J312, o codinome se tornou central nas discussões sobre telas flexíveis, servindo como guarda-chuva para equipes de hardware, software e cadeia de suprimentos.

Próximos passos técnicos

Para cumprir o objetivo de 2029, as equipes precisam reduzir aproximadamente 400-500 g do peso atual, aprimorar a confiabilidade da dobradiça e confirmar que o painel OLED de 18 polegadas resiste a ciclos intensos de uso sem formação de marcas. Também será necessário ajustar o sistema operacional para lidar com mudanças de orientação e transições entre estados aberto e fechado.

O que está em jogo

Com vendas de iPads em queda e o mercado de dispositivos móveis buscando formatos inovadores, o iPad dobrável representa um possível novo capítulo na trajetória da linha. Entretanto, a combinação de peso elevado, custo estimado e incertezas de engenharia faz com que o projeto avance com cautela. A definição de 2029 como novo alvo reflete a estratégia de não levar ao público um produto que ainda não atenda aos padrões de qualidade estabelecidos internamente.

Por ora, o J312 permanece como protótipo, carrega a meta de custar cerca de US$ 3.000 e mantém engenheiros mobilizados para vencer a barreira de 1,5 kg. Se essas metas forem alcançadas dentro do prazo revisto, a empresa poderá finalmente introduzir o primeiro iPad com tela dobrável e realinhar sua linha de tablets.

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