Um júri federal dos Estados Unidos avaliou o conflito judicial entre a Apple e a Masimo e concluiu que a gigante de tecnologia deve pagar US$ 634 milhões por infração de patentes relacionadas ao recurso de medição de oxigênio no sangue presente nos Apple Watch. A decisão amplia a disputa entre as duas companhias, que já havia provocado a desativação do oxímetro nos relógios vendidos em território norte-americano e suscitado nova investigação da Comissão de Comércio Internacional (ITC). Embora a quantia fixada represente um marco relevante, o processo ainda não se encerra: a Apple declarou que recorrerá do veredito e que contesta a validade das patentes em questão.
Quem são os envolvidos
A ação judicial contrapõe duas empresas conhecidas em suas respectivas áreas. De um lado, está a Apple, multinacional reconhecida por dispositivos como iPhone, iPad e Apple Watch. De outro, aparece a Masimo, companhia que desenvolve tecnologias de monitoramento médico e que sustenta a autoria de diversas soluções voltadas à oximetria. As duas organizações se encontram em lados opostos desde que a Masimo alegou que a Apple incorporou, sem autorização, inovações patenteadas no sensor de oxigênio do Apple Watch.
O que motivou a disputa
O ponto central da controvérsia reside no recurso de Oxigênio no Sangue, anunciado nos relógios inteligentes da Apple para permitir ao usuário acompanhar, diretamente no pulso, níveis de saturação. A Masimo sustenta ter desenvolvido tecnologia essencial para viabilizar esse tipo de medição não invasiva e afirma que a Apple empregou o invento sem licenciamento, configurando violação de propriedade intelectual. A Apple, por sua vez, defende que a implementação no relógio utiliza abordagens próprias e que várias patentes citadas não são válidas ou já expiraram.
Quando e onde os desdobramentos ocorreram
A disputa ganhou corpo nos tribunais norte-americanos ao longo dos últimos anos, percorreu diferentes instâncias e chegou à apreciação de várias cortes. O julgamento mais recente foi conduzido em um tribunal federal dos Estados Unidos, culminando na fixação do pagamento de US$ 634 milhões à Masimo. Paralelamente, a Comissão de Comércio Internacional, órgão também sediado nos EUA, analisa se restringirá novamente a oferta do recurso de oximetria no país.
Como a Apple alterou o funcionamento do oxímetro
Antes desse veredito, a Masimo já havia obtido decisões que pressionaram a Apple a desativar a medição de oxigênio nos Apple Watch vendidos dentro do mercado norte-americano. Para cumprir a determinação judicial, a empresa removeu o acesso direto aos dados no relógio. Em seguida, contudo, implementou uma forma alternativa: os resultados passaram a ser encaminhados para o iPhone, permanecendo inacessíveis no próprio wearable, mas visíveis no smartphone pareado. Esse rearranjo permitiu que usuários dos Estados Unidos voltassem a acompanhar a saturação, ainda que por outro dispositivo. A solução, entretanto, também se encontra sob análise da ITC e poderá ser novamente restringida.
Detalhes da decisão do júri federal
Conforme divulgado pela agência Reuters, o júri concluiu que a Apple infringiu patentes da Masimo e estabeleceu o valor de US$ 634 milhões como compensação. O montante abrange danos computados a partir da comercialização de relógios equipados com a função contestada. A sentença demonstra, na avaliação da Masimo, o respaldo do tribunal às alegações de violação e reforça a importância de salvaguardar inovações voltadas à área da saúde.
Posicionamento da Masimo
A Masimo emitiu comunicado afirmando estar satisfeita com o resultado e agradecendo ao tribunal e ao júri pela atenção ao caso. A empresa classificou o veredito como “vitória significativa” em seus esforços de proteção à propriedade intelectual e reiterou que considera fundamental defender as tecnologias desenvolvidas para beneficiar pacientes. A nota também ressalta o compromisso de continuar a buscar a preservação de seus direitos nas etapas subsequentes do processo.
Argumentos apresentados pela Apple
A Apple manifestou discordância com a decisão e indicou que apelará. Segundo a companhia, a Masimo moveu processos em múltiplos tribunais durante seis anos e invocou mais de 25 patentes, das quais a maioria foi considerada inválida. A Apple destacou que a patente envolvida no julgamento atual expirou em 2022 e descreveu o título como referente a uma tecnologia de monitoramento hospitalar de décadas anteriores. Nessa ótica, a empresa entende que a condenação carece de fundamento sólido e pretende buscar a reversão do resultado.
Papel da Comissão de Comércio Internacional
Além da via judicial, o recurso de oxigênio do Apple Watch permanece sujeito à análise da International Trade Commission (ITC). O órgão, que tem poder para impor ou suspender restrições de importação e venda de produtos, estuda se o caminho alternativo criado pela Apple—exibir medições apenas no iPhone—também infringe as patentes da Masimo. Caso a ITC conclua que a nova configuração contraria direitos de propriedade intelectual, o serviço poderá ser novamente bloqueado em território estadunidense.
Impacto para usuários nos Estados Unidos
No cenário atual, consumidores que adquiriram Apple Watch em solo norte-americano encontram o oxímetro inativo no relógio, mas podem visualizar dados transferidos para o iPhone. Esse expediente segue disponível até que a ITC finalize a investigação em curso. Caso surja nova restrição, a funcionalidade poderá desaparecer também do smartphone, ampliando os efeitos da disputa diretamente sobre a experiência do usuário.

Imagem: Internet
Funcionamento normal em outros países
Fora dos Estados Unidos, a medição de oxigênio nos Apple Watch sempre permaneceu ativa. Relógios comercializados em diferentes regiões continuam a oferecer resultados no próprio dispositivo, sem mudanças impostas por decisões judiciais locais. Esse contraste evidencia que a controvérsia jurídica se restringe ao mercado norte-americano e reforça a autonomia de consumidores internacionais em utilizar o oxímetro sem limitações.
Produtos da linha Apple Watch atualmente em destaque
Embora a disputa se refira à funcionalidade de saturação, a Apple mantém a comercialização normal de seus relógios. Entre os modelos anunciados, o Apple Watch Ultra 3 é disponibilizado nas cores natural ou preta, com pulseiras loop Alpina, loop Trail, Oceano ou milanesa de titânio. Já o Apple Watch Series 11 chega em alumínio ou titânio e traz opções de cores como cinza-espacial, prateado, ouro rosa, preto brilhante, natural, dourado ou ardósia, nos tamanhos de 42 mm ou 46 mm, nas versões GPS ou GPS + Cellular, com pulseiras esportivas ou em estilo milanês. Em mercados onde a restrição não se aplica, ambos os modelos mantêm o oxímetro plenamente funcional.
Patente única e prazo de validade
Ponto essencial destacado pela Apple é que apenas uma patente permaneceu em discussão nesta etapa do litígio e que o registro expirou em 2022. Na visão da companhia, a vigência encerrada limitaria a relevância da reivindicação. Apesar disso, o júri entendeu que a utilização anterior à expiração já configurava infração passível de indenização. A divergência sobre a extensão dos direitos após o vencimento desse título será tema provável da apelação.
Histórico de múltiplas ações
A Masimo ingressou com processos em diferentes jurisdições ao longo de seis anos, segundo a Apple. Ao todo, foram citadas mais de 25 patentes envolvendo tecnologias de monitoramento. A Apple alega que grande parte desses registros foi considerada inválida pelas cortes, mas a Masimo segue defendendo a legitimidade de suas criações e obtendo decisões favoráveis em alguns fóruns, como evidenciado pela sentença atual.
Próximas etapas no campo judicial
Ao confirmar que recorrerá, a Apple prolonga o litígio para as instâncias superiores. O procedimento de apelação pode envolver a apresentação de novos argumentos, análise de eventuais erros processuais ou questionamentos sobre a mensuração dos danos. Enquanto isso, a ITC continua a averiguar se o redirecionamento das medições ao iPhone também fere patentes. Dessa forma, o desfecho definitivo permanece indefinido e sujeito a novas deliberações.
Possíveis repercussões financeiras
Embora o valor fixado pelo júri represente quantia expressiva, os efeitos contábeis finais dependerão da confirmação ou revisão em instâncias superiores. Caso o resultado seja mantido, a Apple terá de desembolsar US$ 634 milhões, montante que pode ser ajustado conforme decisões posteriores. Se for revertido, poderá haver modificação da indenização ou até anulação do pagamento. Portanto, a dimensão real do impacto financeiro só se define ao término de todos os recursos.
Consequências para a inovação em dispositivos vestíveis
A Masimo ressalta que proteger patentes é vital para continuar desenvolvendo tecnologia voltada a pacientes. Já a Apple considera que a maior parte das reivindicações carece de validade. Em meio ao embate, o caso ilustra como litígios de propriedade intelectual podem influenciar a evolução de recursos em wearables, afetando tanto empresas quanto consumidores que dependem de novidades em saúde e bem-estar.
Situação atual resumida
Até o momento, o cenário combina: condenação de primeira instância que estabelece pagamento de US$ 634 milhões; intenção declarada da Apple de apelar; investigação paralela da ITC sobre o funcionamento alternativo do oxímetro; continuidade normal do recurso fora dos EUA. Com esses elementos, o processo permanece aberto, e qualquer mudança dependerá do resultado nos tribunais e das conclusões da agência de comércio internacional.

Paulistano apaixonado por tecnologia e videojogos desde criança.
Transformei essa paixão em análises críticas e narrativas envolventes que exploram cada universo virtual.
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