Apple encerrou o quarto trimestre de 2025 ampliando a distância em relação às demais fabricantes de tablets. Dados da consultoria Omdia indicam que foram comercializadas aproximadamente 19,6 milhões de unidades de iPad no período, resultado 16,5% superior ao registrado um ano antes. Esse desempenho garantiu à empresa participação próxima de 45% no mercado global, proporção que representa o triplo da fatia detida pela principal concorrente direta, a Samsung.
Quem impulsionou os números
A companhia que lidera o segmento é a Apple, detentora da linha iPad. O relatório da Omdia deixa claro que a marca manteve trajetória de crescimento consistente ao longo de 2025 e chegou ao último trimestre em posição de vantagem substancial. Enquanto os rivais enfrentaram oscilações de procura, a fabricante do iPad sustentou a curva ascendente e colheu os frutos nos últimos três meses do ano.
O que aconteceu no último trimestre de 2025
Entre outubro e dezembro, o mercado global de tablets aumentou 10% em volume de unidades, ritmo considerado expressivo para um setor que vinha se acomodando após o pico de demanda verificado durante a pandemia, em 2020. Nesse contexto, a Apple cresceu acima da média. O salto de 16,5 % em suas vendas superou o avanço geral do segmento, destacando o papel da marca na movimentação total dos embarques mundiais.
O número de 19,6 milhões de iPads enviados às lojas e distribuidores representa quase a metade de todos os tablets que chegaram aos pontos de venda no intervalo analisado. O universo restante foi dividido entre múltiplos fabricantes, com destaque para Samsung, Lenovo, HUAWEI e Xiaomi.
Quando e onde o avanço se consolidou
O período de referência abarca as festas de fim de ano, tradicionalmente o mais aquecido para a indústria de eletrônicos de consumo em escala mundial. O relatório da Omdia não restringe os dados a um território específico; trata-se de uma leitura global. Em outras palavras, o incremento de 19,6 milhões de unidades vendidas pela Apple espalhou-se por diferentes regiões, refletindo uma demanda ampla que ultrapassou fronteiras e variações de câmbio.
Como os modelos mais recentes influenciaram o resultado
Dois lançamentos foram apontados pela consultoria como catalisadores do desempenho: o iPad (A16) e a linha iPad Pro equipada com o chip M5. Esses produtos, posicionados em categorias distintas dentro do portfólio da empresa, serviram a públicos variados e, juntos, elevaram o volume de remessas. O iPad (A16) ofereceu uma porta de entrada renovada para consumidores que buscavam equilíbrio entre preço e especificações, enquanto o iPad Pro com M5 atendeu usuários que demandam potência adicional em processamento gráfico e elevado desempenho geral.
A diversificação de formatos, tamanhos de tela e faixas de preço permitiu que a Apple alcançasse perfis de compradores distintos, potencializando o alcance comercial durante o trimestre.
Por que a procura por tablets voltou a crescer
O gerente de pesquisa da Omdia, Himani Mukka, atribuiu a expansão na reta final do ano a uma combinação de fatores. O primeiro deles foi a procura sazonal de fim de ano, período em que dispositivos móveis costumam figurar entre os presentes mais procurados. O segundo fator foi o aumento de envios por parte das fabricantes que, antecipando possíveis restrições no mercado de memória, aceleraram a produção e o despacho de equipamentos. A soma desses elementos gerou ambiente favorável para o crescimento observado.
A consultoria, contudo, observa que esse impulso pode sofrer pressão ao longo de 2026. O motivo principal reside na expectativa de custos mais altos para componentes de memória, categoria essencial para a fabricação tanto de modelos de entrada quanto dos aparelhos mais avançados.
Comparativo com a concorrência direta
Apesar de deter quase metade do mercado, a Apple não foi a única a apresentar variação positiva no quarto trimestre de 2025. A Samsung permaneceu na segunda colocação, porém viu sua fatia ser três vezes menor que a da líder. Além disso, a presença da marca sul-coreana diminuiu pouco mais de 9% no período, sinalizando leve retração.
As cifras de market share indicam correlação inversa entre a performance da Apple e a de sua principal rival. Enquanto a primeira reforçou participação absoluta, a segunda sofreu redução, evidenciando mudança no equilíbrio competitivo dentro do setor.
Crescimento anual das demais fabricantes
Quando se observa o desempenho ao longo de todo o ano de 2025, outras empresas se destacam. A Lenovo exibiu o maior salto, com avanço anual de 36,2%. Em seguida aparecem HUAWEI, que registrou crescimento de 14,8%, e Xiaomi, com elevação de 10,1%. Esses percentuais demonstram que há espaço para progressão fora do eixo Apple-Samsung, sobretudo em mercados onde os players chineses têm operação consolidada.

Imagem: Divulgação/Apple
Ainda que o volume absoluto dessas companhias permaneça distante do registrado pela Apple, o ritmo de expansão anual sugere estratégias agressivas em preços, parcerias de distribuição ou diversificação de portfólio. Tais elementos, mesmo não detalhados no relatório, são refletidos na evolução percentual informada.
Impacto no cenário global de tablets
A taxa de 10% de crescimento para todo o mercado no trimestre, confirmada pela Omdia, configura o maior salto desde a forte demanda observada em 2020, auge do período de isolamento social. Naquele momento, milhões de usuários buscaram dispositivos adicionais para trabalho remoto, estudo e entretenimento domiciliar. O último trimestre de 2025 marcou, portanto, a retomada de um ritmo que não se repetia há cinco anos.
É importante notar que, mesmo com avanço generalizado, a Apple foi responsável por parcela expressiva do incremento total, visto que seu próprio crescimento (16,5 %) superou a média global.
Desafios previstos para 2026
As projeções da Omdia alertam para um cenário de pressão ao longo de 2026. O primeiro ponto de atenção diz respeito ao custo de componentes de memória, cuja tendência de alta pode afetar margens e preços finais. A consultoria acrescenta que as fabricantes precisarão reposicionar seus tablets dentro de ecossistemas mais amplos de produtos e serviços, adequando-os às experiências centradas em inteligência artificial (IA) que ganham relevância em computadores pessoais e smartphones.
Uma eventual elevação nos custos de produção pode levar empresas a reverem especificações ou estratégias de lançamento. Ao mesmo tempo, a convergência de IA nos dispositivos móveis pressiona as marcas a investir em hardware e software mais robustos. Esse duplo desafio – aumento de despesas e necessidade de inovação – compõe o pano de fundo para as decisões de portfólio no próximo ciclo anual.
Perspectiva histórica: do boom de 2020 ao fim de 2025
O mercado de tablets passou por fases distintas ao longo da década. O ápice recente ocorreu durante o primeiro ano da pandemia, em 2020, quando escolas, empresas e usuários domésticos elevaram a procura por telas adicionais. Nos anos seguintes, o segmento experimentou acomodação e até retrações pontuais. O salto de 10% verificado no quarto trimestre de 2025, portanto, representa a maior taxa de expansão desde aquele boom inicial.
Nesse intervalo de cinco anos, a Apple manteve estratégia de atualização regular do iPad, introduzindo novas gerações de processadores e funcionalidades em diferentes faixas de preço. O resultado aparece nos 45% de participação conquistados agora, índice que confirma a capacidade da empresa de defender e aprofundar liderança mesmo diante de oscilações macroeconômicas e de mudanças de comportamento do consumidor.
Enquanto isso, concorrentes diretas alternaram períodos de estabilidade e redução de market share, casos de Samsung e de algumas fabricantes que não constam entre as que mais cresceram em 2025. Em sentido oposto, marcas como Lenovo, HUAWEI e Xiaomi aproveitaram brechas regionais ou nichos específicos para acelerar, alcançando percentuais de expansão anual de dois dígitos.
Convergência de fatores e panorama final
Os números divulgados pela Omdia resumem o estado de um setor que volta a ganhar fôlego após anos de ajustes. A liderança da Apple, solidificada em 45% do mercado e sustentada por 19,6 milhões de unidades vendidas no trimestre, aconteceu em um ambiente de recuperação geral de 10% para todo o segmento. Modelos baseados nos chips A16 e M5 foram essenciais, assim como o apelo sazonal das festas de fim de ano.
Do lado da demanda, a expectativa é de que o crescimento do final de 2025 seja difícil de repetir em 2026, dadas as pressões de custo de memória e a necessidade de reposicionamento do produto frente a novas experiências de IA. No entanto, o registro do maior aumento desde 2020 mostra que o tablet continua relevante e capaz de atrair consumidores quando alinhado às necessidades do período e às inovações de hardware.

Paulistano apaixonado por tecnologia e videojogos desde criança.
Transformei essa paixão em análises críticas e narrativas envolventes que exploram cada universo virtual.
No blog CELULAR NA MÃO, partilho críticas, guias e curiosidades, celebrando a comunidade gamer e tudo o que torna o mundo dos jogos e tecnologia tão fascinante.

