Apple deve adotar sensor de 200 MP da Samsung nos iPhones a partir de 2028, indica relatório

Uma mudança expressiva no conjunto fotográfico dos iPhones está projetada para 2028. De acordo com relatório do banco de investimentos Morgan Stanley, a Apple planeja introduzir sensores de 200 megapixels na linha iPhone 21 e, para isso, deve recorrer à Samsung Electronics como fornecedora. O mesmo documento antecipa que o acordo ampliará a já consolidada colaboração entre as duas gigantes, que há anos compartilham cadeias de suprimentos apesar da acirrada disputa no varejo de smartphones.

Quem está envolvido: Apple e Samsung em rota de cooperação

A Apple, sediada nos Estados Unidos, e a Samsung, com matriz na Coreia do Sul, competem diretamente na venda de celulares, tablets e computadores pessoais. Ainda assim, mantêm uma relação estratégica de fornecimento de componentes. A Samsung produz, entre outros insumos, telas para iPhones e iPads, prática que reforça a interdependência industrial entre as empresas. O histórico mostra que, em 2017, a fabricante sul-coreana chegou a faturar mais com a venda de peças destinadas à Apple do que com seus próprios lançamentos, segundo o Wall Street Journal. O dado revela como as cadeias de valor podem se sobrepor à rivalidade comercial.

O que vai mudar: do sensor de 48 MP para o salto a 200 MP

A geração atual de iPhones conta com sensores de até 48 MP, solução que já entrega alta qualidade de imagem ao consumidor final. O plano indicado pelo relatório sugere um avanço significativo, multiplicando por mais de quatro a contagem de pixels disponível hoje nos dispositivos da empresa. Essa transição, prevista especificamente para o iPhone 21, posiciona a Apple no mesmo patamar de resolução adotado por rivais que já usam câmeras de 200 MP, casos de marcas como Samsung e Xiaomi.

Quando: cronograma projetado para 2028

O documento do Morgan Stanley situa a adoção do sensor de 200 MP na linha que deve chegar ao mercado em 2028. Trata-se de uma estimativa que alinha o ciclo de lançamentos da Apple – usualmente anual – à maturação tecnológica necessária para integrar componentes de alta resolução sem comprometer fatores como consumo de energia, gerenciamento térmico e processamento de imagem.

Onde: impacto global, produção asiática

Embora a Apple seja responsável pelo design de hardware e software a partir de sua sede na Califórnia, a produção dos sensores de imagem deve ocorrer em instalações da Samsung na Ásia. Esse modelo de fabricação reflete a divisão internacional de tarefas típica da indústria de eletrônicos, em que pesquisa e desenvolvimento, montagem e distribuição se espalham por vários continentes. O resultado final chega a consumidores de todos os mercados onde o iPhone é oficialmente vendido, aumentando o alcance global da parceria.

Como: integração técnica entre sensor, processador e software

A implementação de um sensor de 200 MP exige ajustes em toda a cadeia de captura de imagem do iPhone. Será necessário otimizar o processador de sinal (ISP) do dispositivo para lidar com arquivos maiores e com maior densidade de dados. O software de fotografia computacional, responsável por combinar múltiplas exposições e tratar ruído, também terá de ser recalibrado. A estrutura atual, projetada para 48 MP, precisará ampliar a capacidade de leitura, armazenamento temporário e compressão para acomodar quatro vezes mais informação por disparo.

Por que: demanda de mercado e tendência de alta resolução

A adoção de sensores de 200 MP responde à direção do mercado de smartphones, que se desloca rapidamente em busca de câmeras mais versáteis. Modelos como Galaxy S23 Ultra, Galaxy S24 Ultra, Galaxy S25 Ultra, Galaxy Z Fold 7 e Redmi Note 13 Pro 5G já exploram a alta contagem de pixels como diferencial competitivo. Ao acompanhar a tendência, a Apple reduzirá a distância nas especificações de hardware e enfrentará a concorrência em igualdade de condições no quesito resolução.

Benefícios esperados com 200 MP

Os ganhos associados ao sensor de 200 MP concentram-se em quatro frentes: nível de detalhe, recorte digital, flexibilidade de processamento e ampliação de zoom sem perdas críticas de qualidade. Com mais pixels disponíveis, a câmera pode registrar texturas sutis em fotografias diurnas, mantendo nitidez mesmo após ampliações significativas. A abundância de dados viabiliza recortes mais agressivos sem que o arquivo final apresente degradação perceptível, algo útil, por exemplo, no enquadramento posterior de cenas.

Além disso, algoritmos de fotografia computacional conseguem combinar agrupamentos de pixels para gerar imagens com menor ruído em ambientes de pouca luz. A flexibilidade de processamento se estende à gravação de vídeo, que se beneficia de maior latitude para estabilização digital e para aplicação de zoom durante a filmagem. Essas vantagens respondem diretamente ao perfil de usuário que utiliza o celular como principal câmera para fotos e vídeos em diferentes condições de iluminação.

Histórico dos sensores: de Sony para possível fornecimento Samsung

Em 2022, o CEO da Apple, Tim Cook, confirmou publicamente que os iPhones empregavam sensores de imagem fabricados pela Sony. O eventual redirecionamento para componentes da Samsung representaria uma troca de fornecedor que, apesar de significativa, se mantém coerente com o ecossistema de parcerias da empresa. A Apple costuma trabalhar com múltiplos fabricantes para mitigar riscos de abastecimento e negociar custos, estratégia que explica a coexistência de contratos com concorrentes diretos.

Cadeia de suprimentos: receita e vantagens para a Samsung

A Samsung pode se beneficiar em duas frentes distintas. Primeiro, a venda de sensores de alta resolução para a Apple incrementa a receita da divisão de semicondutores, repetindo o cenário relatado em 2017, quando os componentes destinados ao iPhone superaram o faturamento obtido com aparelhos próprios. Segundo, o fornecimento fortalece a posição da marca sul-coreana como referência em tecnologia de imagem, validando, de forma indireta, a qualidade de seus próprios smartphones junto ao consumidor final.

Comparativo com dispositivos existentes no mercado

Enquanto o iPhone permanece em 48 MP, concorrentes destacam a especificação de 200 MP como ponto de venda. No segmento premium, a Samsung utiliza o sensor de alta resolução em produtos da linha Galaxy Ultra e em seu dobrável topo de linha, o Galaxy Z Fold 7. Já no portfólio da Xiaomi, os modelos Redmi Note 13 Pro 5G e Redmi Note 14 Pro 5G oferecem a mesma contagem de pixels a preços mais competitivos. Com a adoção planejada, a Apple igualará a métrica de megapixels e poderá concentrar esforços em outros diferenciais, como software e ecossistema.

Processo de evolução interna da Apple

A migração para 200 MP, prevista apenas para 2028, sugere um ciclo de desenvolvimento interno que prioriza maturidade tecnológica sobre agilidade de mercado. A empresa tem histórico de incorporar novidades somente quando julga que a experiência de uso atende a padrões de eficiência energética, confiabilidade e integração com o sistema operacional. Esse cronograma dilatado também cria espaço para que a Apple otimize os algoritmos de fotografia computacional, de modo a extrair o máximo do novo sensor sem sacrificar velocidade de captura ou tamanho de arquivo.

Consequências para a concorrência

A movimentação prevista pode alterar o posicionamento competitivo no segmento premium. Com características de hardware equivalentes em resolução, marcas rivais precisarão enfatizar aspectos como zoom óptico, versatilidade de lente e recursos de inteligência artificial para manter vantagem. Por outro lado, a Apple, ao alinhar a contagem de pixels, reforça seu argumento de venda em torno da integração vertical entre hardware e software, reduzindo possíveis críticas sobre defasagem técnica.

Visão de indústria: cooperação além da rivalidade

O acordo projetado reforça a dinâmica em que empresas concorrentes cooperam em etapas cruciais da cadeia produtiva. Ao ceder sensores para a Apple, a Samsung abre mão de exclusividade tecnológica, mas recebe ganho financeiro imediato e reconhecimento de capacidade industrial. A Apple, por sua vez, garante acesso a um componente de alta performance sem assumir os riscos de fabricação, mantendo foco em design de produto e experiência de usuário. A interdependência ilustra como, na indústria de tecnologia, alianças estratégicas podem coexistir com a competição no ponto de venda.

Com base nas informações disponíveis, a adoção de um sensor de 200 MP pela Apple em 2028 se insere num movimento mais amplo de evolução de câmeras móveis. A parceria com a Samsung, já fundamentada em fornecimento de telas, tende a se expandir para a fotografia, ligando dois dos maiores nomes do setor em benefício direto do consumidor que busca imagens cada vez mais detalhadas em um dispositivo portátil.

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