MacBook de 12,9″ com chip A18 Pro é projetado para 2026 e reforça estratégia de baixo custo da Apple, indica TrendForce

Um estudo divulgado pela TrendForce aponta que a Apple planeja introduzir um MacBook de 12,9 polegadas equipado com o chip A18 Pro na primavera do hemisfério norte de 2026. O modelo, concebido para competir nos segmentos de entrada e intermediário, deverá chegar ao mercado com preço estimado em, no mínimo, US$600. A previsão surge em meio a estimativas de retração nas remessas globais de laptops, cenário no qual a Apple tenta ampliar sua base de usuários e consolidar a liderança que compartilha com a Lenovo.

Quem está envolvido

O relatório é assinado pela TrendForce, consultoria especializada em cadeias de suprimentos e projeções de mercado. Além dela, a International Data Corporation (IDC) também aparece com análises sobre oferta de componentes de memória. Do lado corporativo, destacam-se a Apple, responsável pelo suposto lançamento, e a Lenovo, que divide a dianteira do mercado mundial de notebooks. Samsung, outra gigante do setor, integra o contexto por manter acordos de fornecimento de longa duração, fator que a posiciona de forma menos vulnerável na atual crise de memórias RAM.

O que será lançado

O produto central do levantamento é um MacBook de 12,9 polegadas que utilizará o chip A18 Pro. O processador, ainda não presente em nenhum laptop Apple, é citado como o elemento que equipará o dispositivo com desempenho suficiente para atrair consumidores que procuram bom custo-benefício. O notebook será posicionado como alternativa de menor preço em relação às linhas MacBook Air e MacBook Pro, tradicionalmente direcionadas a faixas de preço mais elevadas.

De acordo com a TrendForce, o aparelho terá como meta os segmentos de entrada e intermediário do mercado de computadores portáteis. O valor especulado de, pelo menos, US$600 representa uma redução notável em comparação com modelos atuais da marca, prática que pretende facilitar a migração de usuários de PCs com Windows ou de versões mais antigas do macOS.

Quando o lançamento deve ocorrer

A TrendForce define o período de chegada na primavera do hemisfério norte de 2026, intervalo que abrange março a junho. O horizonte temporal coincide com projeções de queda nas remessas totais de notebooks, estimadas em 173 milhões de unidades para 2026, contra 183 milhões previstas para 2025. Isso equivale a um recuo de 5,4%, segundo a mesma consultoria.

No curto prazo, a IDC indica que a escassez de componentes de memória pode continuar até 2027. Caso o problema persista, o mercado de computadores tende a registrar redução de até 9% nas remessas já em 2024. Em cenários menos severos, o encolhimento ainda pode atingir 4,9%, reflexo da competição por insumos entre fabricantes de PCs e operadores de data centers voltados à inteligência artificial.

Onde o impacto será sentido

As previsões cobrem o mercado global de laptops, sem delimitar regiões específicas. Contudo, o lançamento programado para a primavera indica que o primeiro território a receber o novo MacBook deve ser o hemisfério norte, tradicionalmente alinhado ao cronograma primaveril da Apple. A repercussão, entretanto, deve se estender a todos os mercados em que a marca atua, dada a integração de sua cadeia logística e a distribuição internacional de produtos.

Como a Apple pretende executar a estratégia

O relatório detalha três pilares que sustentam a ofensiva de menor custo: eficiência na cadeia de suprimentos, benefícios de escala de produção e política de preços competitivos. Tais fatores, segundo a TrendForce, concederiam à Apple a margem necessária para oferecer um dispositivo a partir de US$600 sem comprometer a rentabilidade.

A consultoria observa que a empresa conta com acordos de longo prazo para garantia de fornecimento, especialmente de componentes de memória. Esses contratos reduzem a exposição da Apple à atual crise de RAM, possibilitando planejamento de produção em volumes mais estáveis. Além disso, o fabricante supostamente evitará aumentos na quantidade de memória em seus equipamentos, estratégia que alivia a pressão sobre estoques de RAM e direciona os componentes disponíveis aos modelos considerados prioritários.

Por que a empresa aposta nesse movimento

A iniciativa tem como principal motivação expandir a base de clientes em um ambiente de contração das vendas. Com um produto capaz de competir na faixa de preço de US$600, a Apple amplia o alcance junto a consumidores sensíveis a custo, algo que as linhas superiores da marca não conseguem atingir. A medida também busca consolidar a liderança já existente, visto que a companhia e a Lenovo dividem o primeiro lugar em participação no segmento de laptops.

Outro fator é a necessidade de mitigar riscos associados à retração prevista nas remessas. Ao diversificar o portfólio com um modelo mais acessível, a empresa reduz a dependência de faixas altas de preço, que podem sofrer maior impacto em períodos de incerteza econômica.

Cenário de memória RAM e efeitos no mercado

Segundo a TrendForce e a IDC, a escassez de memória RAM é a variável que mais ameaça as projeções de vendas de computadores. Se a insuficiência de oferta persistir, a retração de remessas pode alcançar 10,1% no pior cenário. A demanda crescente por chips DRAM em data centers voltados a inteligência artificial exerce pressão adicional sobre a cadeia de suprimentos, competindo diretamente com a indústria de PCs.

Mesmo com acordos de fornecimento, a Apple e a Samsung adotam política de contenção no uso de memória, evitando a elevação dos limites oferecidos em seus produtos. A estratégia visa otimizar os componentes disponíveis e assegurar continuidade de produção, o que confere a ambas as empresas um impacto menor frente ao das concorrentes que dependem de compras spot ou contratos de curta duração.

Impacto nas projeções de remessas

Os números apresentados delineiam três possíveis trajetórias para o mercado de laptops:

• Cenário base: retração de 5,4% em 2026, com remessas caindo de 183 milhões para 173 milhões de unidades;

• Cenário moderado: declínio de até 4,9% nas vendas anuais, atribuído à competição por memória com data centers de IA;

• Cenário pessimista: redução de até 10,1% se a crise de RAM se prolongar, refletindo em cortes mais drásticos na produção.

Em todas as hipóteses, o MacBook de menor custo surge como tentativa de amortecer o efeito da contração geral, oferecendo um ponto de entrada a consumidores que poderiam adiar ou cancelar a compra de um notebook mais caro.

Produtos atuais e posicionamento

No portfólio existente, a Apple comercializa MacBook Pro e MacBook Air em diferentes tamanhos, capacidades de memória e opções de armazenamento. Pela estrutura de preços dessas linhas, o valor mínimo de US$600 para o futuro MacBook de 12,9 polegadas representa uma redução significativa em relação aos modelos mais baratos hoje disponíveis. A diferença de preço reforça o objetivo de atingir uma camada de usuários que prioriza investimento inicial menor sobre especificações de alto desempenho.

Vantagens competitivas esperadas

A TrendForce credita à Apple três vantagens principais neste movimento:

1. Escala de produção: volumes maiores reduzem custos unitários e possibilitam preços mais agressivos sem sacrificar margens de lucro;

2. Eficiência logística: a integração vertical da cadeia, do design ao varejo, oferece flexibilidade para lidar com flutuações de demanda e restrições de componentes;

3. Reconhecimento de marca: a força da identidade Apple facilita a adoção de novos modelos mesmo em faixas de preço menos tradicionais para a empresa.

Desafios identificados

Apesar das vantagens, o relatório reconhece riscos. A crise de RAM permanece imprevisível e pode elevar custos de componentes, afetando a viabilidade do preço de entrada. Além disso, a retração geral nas vendas cria um ambiente onde mesmo ofertas de baixo custo competirão por uma fatia menor do mercado total.

Outro ponto de atenção é a concorrência direta com fabricantes de PCs que tradicionalmente operam em margens menores. A Lenovo, por exemplo, detém forte presença no segmento de entrada e pode reagir com ajustes de preço ou lançamento de modelos equivalentes.

Perspectivas para 2026

Se as estimativas se confirmarem, o lançamento do MacBook de 12,9 polegadas com chip A18 Pro ocorrerá em um período de transição, marcado por demanda contida e escassez de componentes. A aposta da Apple em preço competitivo e eficiência de produção deverá servir como teste para sua capacidade de ajustar estratégias de hardware a cenários macroeconômicos adversos.

A trajetória do produto também funcionará como indicador da disposição do consumidor em adotar laptops Apple fora das tradicionais faixas premium. Uma recepção positiva pode redefinir o posicionamento da marca em categorias de preço inferiores, enquanto um desempenho aquém do esperado reforçaria a dependência de modelos de maior valor agregado.

Com base nos dados apresentados pela TrendForce e pela IDC, a indústria de notebooks caminha para períodos de ajustes, nos quais decisões sobre preço, oferta de memória e escala de produção se mostrarão determinantes. Dentro desse contexto, o MacBook com chip A18 Pro desponta como uma das iniciativas mais significativas a serem acompanhadas até a primavera de 2026.

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