Saídas de executivos da Apple em 2025: quem deixou a companhia e quais mudanças já estão definidas

O ano de 2025 foi marcado por uma sucessão incomum de desligamentos e anúncios de aposentadoria na Apple. Entre o Apple Park, em Cupertino, e o mercado de tecnologia como um todo, a movimentação de talentos se tornou um dos temas centrais do setor. A lista de profissionais que deixaram ou confirmaram a saída da empresa inclui líderes de design, especialistas em inteligência artificial, responsáveis por operações, vendas, jurídico, iniciativas ambientais e produção de conteúdo. Cada desligamento trouxe impactos imediatos na estrutura interna da companhia e, em vários casos, abriu espaço para contratações externas ou promoções internas já anunciadas.

Dimensão das mudanças no quadro executivo

Os desligamentos alcançaram diferentes níveis hierárquicos, indo de vice-presidentes seniores a chefes de equipes técnicas. Ao longo do ano, a Apple comunicou saídas efetivas, aposentadorias programadas e transferências de profissionais para outras empresas — com destaque para a Meta, que absorveu vários especialistas em inteligência artificial da gigante de Cupertino. Em comum, todas as mudanças ocorreram em 2025, um período em que a companhia passou a reavaliar prioridades estratégicas em design, IA, meio ambiente e serviços.

Design de interface: saída de Alan Dye e chegada de Stephen Lemay

Responsável pela equipe de design de interfaces desde 2015, Alan Dye encerrou suas atividades na Apple e passou a integrar o quadro da Meta, que busca fortalecer iniciativas em dispositivos de consumo com recursos de inteligência artificial. O profissional havia entrado na Apple em 2006, período em que cresceu até chegar à coposição da área de Design de Interface Humana, inicialmente ao lado de Jony Ive. Após a saída de Ive, Dye assumiu a liderança individual e supervisionou tarefas que vão do sistema de ícones do iOS a animações refinadas e conceitos de interface espacial. Para ocupar a vaga, a Apple designou o veterano Stephen Lemay, já experiente nos padrões visuais da empresa.

Inteligência artificial e aprendizado de máquina: transição após John Giannandrea

Outro movimento relevante envolveu John Giannandrea, vice-presidente sênior responsável por aprendizado de máquina e estratégia de IA. Desde 2018 na Apple, ele desempenhou papel central na formulação da frente de IA da companhia e liderou o grupo conhecido como Apple Foundation Models. Apesar da relevância, o executivo perdeu destaque na condução da Siri, principalmente depois de atrasos na liberação de novos recursos para a assistente virtual. Giannandrea continuará como consultor até sua aposentadoria, prevista para o primeiro semestre de 2026. Para reforçar o setor, a Apple contratou Amar Subramanya, profissional com passagens por Microsoft e Google, que assume como vice-presidente de IA.

Operações e estratégia de saúde: fim de ciclo para Jeff Williams

Com 27 anos de casa, Jeff Williams construiu trajetória diretamente ligada a produtos-chave da empresa. Como diretor de operações (COO), contribuiu para o lançamento do iPhone e do Apple Watch e também liderou a estratégia de saúde. Após a saída de Jony Ive, em 2019, Williams passou a supervisionar a equipe de design. Em 2025, a Apple nomeou Sabih Khan como sucessor na função de COO, efetivando a transição em julho. Williams permanece até o término do ano, quando sua aposentadoria entra em vigor.

Departamento jurídico e segurança global: aposentadoria programada de Katherine Adams

Katherine Adams, que ingressou na Apple em 2017, ocupa o cargo de diretora jurídica geral e vice-presidente sênior de assuntos jurídicos e segurança global. Responsável por governança corporativa, propriedade intelectual, litígios, conformidade com leis de valores mobiliários, além da própria segurança global e privacidade, a executiva confirmou aposentadoria para o fim de 2026. Quando a mudança se concretizar, Jennifer Newstead assumirá como diretora de assuntos jurídicos e governamentais.

Iniciativas ambientais, políticas e sociais: despedida anunciada de Lisa Jackson

À frente das iniciativas ambientais, políticas e sociais da empresa, Lisa Jackson informou que se aposentará no final de janeiro de 2026. Durante a passagem pela Apple, ela supervisionou projetos de descarbonização, impulsionou investimentos em energia renovável em toda a cadeia de suprimentos e liderou, a partir de 2020, a Iniciativa de Justiça e Igualdade Racial (REJI). Até a efetivação da aposentadoria, a área de assuntos governamentais ficará sob a responsabilidade interina de Katherine Adams, enquanto as equipes ambientais e sociais responderão ao COO Sabih Khan.

Design industrial, vendas e marketing: mudanças pontuais em 2025

Além das transições em cargos de maior visibilidade pública, 2025 trouxe alterações em posições estratégicas de design industrial, vendas e marketing. Abidur Chowdhury, designer industrial escolhido para apresentar o iPhone Air em setembro, deixou a Apple para iniciar atividades em uma startup de inteligência artificial ainda não identificada. No setor de vendas, Mark Rogers, com 27 anos de casa e atuando como vice-presidente responsável por vendas corporativas globais e pela região da Europa Ocidental desde 2013, encerrou sua trajetória. As atribuições foram distribuídas entre Juan Castellanos, que assume a Europa Ocidental, e Vivek Thakkar, que passa a liderar as vendas corporativas em escala global.

Streaming e conteúdo: saídas em produção e marketing de séries

No segmento de conteúdo original, dois profissionais migraram para outras empresas do setor audiovisual. Justin Manfredi, até então chefe de marketing de séries no serviço de streaming da Apple, assumiu a vice-presidência de marketing televisivo mundial da Lionsgate. Já Chris Parnell, executivo sênior responsável pelo desenvolvimento de séries originais da companhia, mudou-se para a Paramount+, onde passou a liderar desenvolvimento e produção de conteúdo da plataforma. Essas movimentações sinalizam rearranjos internos nas equipes que cuidam de Apple TV+ e de estratégias de divulgação.

A investida da Meta sobre especialistas em IA da Apple

Um ponto de destaque na lista de saídas diz respeito à quantidade de profissionais que trocaram a Apple pela Meta. Ke Yang, que chefiava a equipe de Respostas, Conhecimento e Informação — destinada a aproximar a Siri de sistemas conversacionais no estilo ChatGPT — foi contratado pela Meta em outubro, sendo substituído por Benoit Dupin. A empresa de Mark Zuckerberg também recrutou Jian Zhang, principal pesquisador de IA em robótica, agora envolvido no Robotics Studio do Reality Labs, e Ruoming Pang, ex-gerente dos grandes modelos de linguagem (LLMs) de IA generativa da Apple. As atribuições de Pang ficaram a cargo de Zhifeng Chen.

No mesmo período da saída de Pang, três outros integrantes da área de IA seguiram o mesmo caminho. Bowen Zhang, pesquisador de IA multimodal do grupo Apple Foundation Models, além de Mark Lee e Tom Gunter, encerraram contratos com a companhia e aceitaram propostas na Meta. Frank Chu, que liderava equipes de infraestrutura de nuvem, treinamento de IA e busca, completou a lista de profissionais absorvidos pela concorrente. Na nova empresa, Chu atua em uma equipe batizada de MSL Infra, responsável por infraestrutura de IA.

Repercussões internas e indicações para 2026

Diante da sequência de desligamentos, a Apple já trabalha com substituições — algumas imediatas, outras planejadas — que redesenham a cadeia de comando. A substituição de Alan Dye por Stephen Lemay, a nomeação de Amar Subramanya na frente de IA e a promoção de Sabih Khan para COO representam medidas que procuram assegurar continuidade operacional. De maneira semelhante, as transições programadas de Katherine Adams e Lisa Jackson estabelecem cronogramas que definem claramente quem assumirá cada responsabilidade, minimizando incertezas regulatórias e ambientais.

Ainda assim, previsões apontam para novas movimentações internas ao longo de 2026. Embora os detalhes futuros não tenham sido formalizados, a própria Apple reconhece que o próximo ano poderá registrar mudanças adicionais, inclusive no alto escalão. O cenário indica que a disputa por talentos em inteligência artificial, combinada a processos de aposentadoria naturais em um quadro executivo maduro, continuará influenciando a composição da liderança da empresa.

Panorama consolidado das saídas em 2025

Considerando todos os desligamentos anunciados ao longo do ano, a Apple registrou mudanças em áreas de design de interface, aprendizado de máquina, operações, jurídico, meio ambiente, vendas, design industrial, marketing de conteúdo e infraestrutura de nuvem. Parte das posições já foi preenchida, enquanto outras contam com líderes interinos ou terão sucessores confirmados em prazos que se estendem até 2026. A companhia, portanto, encerra 2025 com uma reestruturação abrangente, marcada tanto pela aposentadoria de executivos veteranos quanto pela migração de especialistas — principalmente em IA — para empresas concorrentes.

Impacto estratégico e continuidade dos projetos

Embora o volume de saídas seja expressivo, cada substituição anunciada sugere continuidade nos projetos centrais da empresa. O departamento de design mantém um veterano à frente, a divisão de IA recebe um líder externo com experiência em grandes corporações, e as áreas jurídica e ambiental contam com cronogramas de sucessão definidos. No curto prazo, o desafio maior reside na retenção de talentos de inteligência artificial, um segmento em que a Meta demonstrou forte capacidade de atração em 2025. Ao mesmo tempo, a reestruturação de vendas, marketing de conteúdo e produção audiovisual indica atenção a segmentos de receita e diferenciação de serviços.

Possíveis desdobramentos no mercado de tecnologia

As movimentações envolvendo Apple, Meta e outras empresas evidenciam uma disputa contínua por profissionais qualificados em IA, design e operações. O caso de 2025 mostra que mudanças na liderança de uma companhia do porte da Apple podem influenciar decisões de contratação de concorrentes e reconfigurar a oferta de competências no setor. Para 2026, a expectativa é de que novos anúncios de aposentadoria ou reposicionamento interno mantenham o mercado atento às estratégias adotadas pela empresa para preservar inovação, cultura corporativa e ritmo de entrega de produtos e serviços.

A retrospectiva das saídas de 2025, portanto, funciona como termômetro dos ajustes que a Apple considera necessários para enfrentar um cenário competitivo em que inteligência artificial, sustentabilidade e expansão de serviços digitais se consolidam como pontos críticos de diferenciação.

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