Pluribus, produção original do Apple TV+, encerrou a primeira temporada com um clímax que surpreendeu o público, mas a trajetória até esse ponto passou por diferentes versões de roteiro. Em entrevistas recentes e no episódio mais novo do podcast oficial da série, a atriz Rhea Seehorn, o criador Vince Gilligan e o diretor, roteirista e produtor executivo Gordon Smith revisitaram o desenvolvimento do último capítulo, revelando que a plataforma descartou múltiplas propostas de desfecho antes de aprovar a que foi exibida.
Quem participou das decisões
A linha de frente do processo criativo foi composta por Rhea Seehorn, intérprete da protagonista Carol, Vince Gilligan, responsável pela concepção da série, e Gordon Smith, que acumula funções de direção, roteiro e produção executiva. Além do trio, executivos do serviço de streaming acompanharam cada versão elaborada, avaliando o potencial de impacto em um contexto de alta concorrência entre produções originais.
O que estava em jogo na escolha do final
Segundo Smith, o primeiro rascunho previa um encerramento com tom sutil. Na versão inicial, Carol regressaria à própria residência e aceitaria, de forma discreta, uma parceria com Manousos — personagem envolvido em tramas de poder dentro da narrativa. Essa solução era articulada como um gesto silencioso, semelhante a um acordo tácito, simbolizado por um aperto de mãos. A reflexão criativa, entretanto, mostrou que a sutileza podia não atender à expectativa de um público que acompanhou uma temporada repleta de tensão.
Como a Apple avaliou os roteiros
Conforme relatado no podcast oficial, Smith encaminhou sucessivas versões do roteiro final à Apple. Cada envio recebia, em resposta, a observação de que o desfecho não alcançava o nível de impacto considerado ideal para o encerramento de temporada. O ciclo de revisão repetiu-se várias vezes, obrigando a sala de roteiristas a reexaminar a estrutura dramática e a escalar gradualmente a intensidade das cenas finais.
A virada conceitual que levou ao desfecho exibido
Durante uma das discussões de roteiro, Gilligan e Smith questionaram o quão extremo o ato final poderia se tornar sem perder coerência interna. Dessa reflexão surgiu a proposta de inserir um pedido de bomba atômica dentro da trama, recurso narrativo que elevou a escala do conflito ao máximo. A ideia atendeu ao critério de contundência apontado pela plataforma e garantiu ao episódio uma identidade marcante. O resultado foi considerado pelo time como o ponto de equilíbrio entre ousadia e verossimilhança, atributos que a Apple pretendia enfatizar na conclusão.
Por que versões mais suaves foram deixadas de lado
Os envolvidos classificam as alternativas anteriores como interessantes, porém incapazes de catalisar a mesma resposta emocional no espectador. Parte dessa avaliação surgiu de feedbacks de executivos, que analisaram a repercussão potencial e defenderam um clímax mais incisivo. A decisão reflete a estratégia de streaming de reter assinantes com momentos de forte repercussão, sobretudo em títulos anunciados como carro-chefe da temporada.
Consequências para a continuidade da série
A segunda temporada de Pluribus foi confirmada antes mesmo da estreia da primeira. Contudo, Gilligan indicou que o intervalo até a estreia dos novos episódios será maior do que ele mesmo desejaria. O motivo apontado é o tempo necessário para calibrar cada elemento do projeto, um processo descrito como minucioso e possivelmente mais demorado que em outras obras do criador, dada a complexidade narrativa e de produção.
Tempo de produção comparado a projetos anteriores
Gilligan, conhecido por produções altamente refinadas, afirmou que o ajuste fino de Pluribus exige um cronograma extenso. A equipe busca assegurar que a construção de personagens, a integração de efeitos especiais e a coerência dos arcos dramáticos alcancem o mesmo padrão estabelecido na temporada inicial. A agenda de desenvolvimento inclui redação de roteiros, aprovação de revisões pela Apple, pré-produção, filmagens e pós-produção, etapas cuja coordenação minuciosa prolonga o calendário.

Imagem: Divulgação/Apple
Disponibilidade do Apple TV+ e condições de assinatura
O serviço que abriga a série opera em mais de 100 países e regiões por meio do aplicativo Apple TV, acessível em iPhones, iPads, Apple TVs e Macs. Dispositivos Android, televisores inteligentes, players de mídia digital como Roku e Amazon Fire TV, além de Chromecast com Google TV, consoles PlayStation e Xbox, também oferecem acesso à plataforma. O custo de assinatura é de R$ 29,90 mensais, acompanhado de teste gratuito de sete dias. Compradores de novos iPhones, iPads, Apple TVs ou Macs obtêm três meses de acesso promocional, e o serviço integra o pacote de assinaturas Apple One.
Relação entre modelo de negócios e expectativa por impacto
Os detalhes de bastidores relatados pela equipe de Pluribus ilustram o alinhamento entre decisões criativas e objetivos de retenção de assinantes. Ao priorizar um final de temporada com alto grau de impacto, a Apple visa estimular discussões, ampliar a visibilidade nas redes sociais e reforçar o valor percebido do catálogo. Essa dinâmica influencia não apenas o conteúdo exibido, mas também a cadência de lançamentos e a comunicação de marketing em torno de cada título.
O papel de Seehorn na percepção do público
Embora o debate sobre finais alternativos tenha sido conduzido principalmente por Gilligan e Smith, Rhea Seehorn figura como peça central na repercussão das decisões de roteiro. Sua atuação como Carol sustenta a credibilidade de viradas narrativas tanto sutis quanto explosivas. Ao assumir que o destino da personagem poderia variar de uma silenciosa aliança com Manousos a um cenário envolvendo armamento nuclear, Seehorn adiciona camadas de interpretação que impactam diretamente a aceitação da audiência.
Perspectivas para os próximos passos
Com a confirmação de que o retorno da série demandará um período prolongado, o público tende a acompanhar com atenção qualquer atualização oficial. A fase atual concentra-se na elaboração de roteiros que mantenham a consistência estabelecida e, ao mesmo tempo, entreguem novidades à altura do desfecho anterior. Enquanto isso, a Apple prossegue utilizando o apelo de Pluribus para reforçar a competitividade de seu portfólio diante de outras plataformas de streaming.
As informações compartilhadas pelo trio criativo revelam o funcionamento interno de uma produção de grande visibilidade. Da troca de versões do roteiro às diretrizes estratégicas que determinam o nível de impacto, cada passo evidencia o rigor aplicado para alinhar narrativa, expectativas de audiência e objetivos comerciais do serviço de assinatura.

Paulistano apaixonado por tecnologia e videojogos desde criança.
Transformei essa paixão em análises críticas e narrativas envolventes que exploram cada universo virtual.
No blog CELULAR NA MÃO, partilho críticas, guias e curiosidades, celebrando a comunidade gamer e tudo o que torna o mundo dos jogos e tecnologia tão fascinante.

