O primeiro iPhone SE, lançado em 2016 como opção de entrada no ecossistema da Apple, passou a ser oficialmente classificado como produto obsoleto pela companhia após atualização da lista interna divulgada na segunda-feira (1). A mudança encerra qualquer possibilidade de suporte de hardware, tanto nas lojas próprias da marca quanto em centros de serviço autorizados, que não podem mais solicitar peças de reposição para o aparelho.
O que significa a inclusão na categoria obsoleta
Quando um dispositivo migra para o status de “obsoleto”, a Apple determina o fim definitivo do atendimento pós-venda relacionado a hardware. A diretriz vale mundialmente e se estende aos parceiros credenciados, eliminando a possibilidade de trocar componentes, substituir baterias ou realizar reparos que exijam peças originais. O suporte a software já havia sido interrompido anteriormente, mas, até a classificação atual, ainda era viável encontrar componentes em estoque nas assistências – cenário que, a partir de agora, deixa de existir de maneira oficial.
Cronograma de vida útil adotado pela Apple
O processo de retirada de suporte segue um cronograma padronizado dentro da empresa. Conforme informações da própria página de suporte da Apple:
• Vintage: um produto recebe essa denominação cinco anos depois de ter as vendas encerradas nas lojas oficiais. Durante esse período, persistem reparos desde que existam peças disponíveis em estoque.
• Obsoleto: sete anos após a retirada do mercado, o dispositivo é promovido à categoria que encerra definitivamente o serviço de hardware, suprimindo qualquer pedido de novos componentes.
Esses intervalos foram aplicados integralmente ao iPhone SE de primeira geração, que saiu das prateleiras em setembro de 2018 e, portanto, atinge sete anos de descontinuação em 2025, cumprindo o requisito para tornar-se obsoleto.
Especificações técnicas do modelo que fez história
Apresentado em março de 2016, o iPhone SE original combinou elementos de dois aparelhos distintos lançados anteriormente pela marca:
• Processamento: trouxe o chip Apple A9, o mesmo que equipava o iPhone 6S, oferecendo desempenho idêntico de CPU e GPU para aplicações e jogos daquele período.
• Design: manteve o formato compacto do iPhone 5S, com laterais retas em alumínio e o tradicional botão de início físico integrado ao leitor de digitais Touch ID.
• Tela: utilizou um painel de 4 polegadas com resolução de 640 × 1136 pixels, dimensão reduzida em comparação aos modelos superiores que já exibiam telas maiores.
• Câmeras: contava com sensor traseiro de 12 megapixels e câmera frontal de 1,2 MP, configuração que o colocava à frente de diversos rivais intermediários da época na captura de imagens principais, mas mantinha uma câmera de selfies modesta.
O conjunto reforçava a proposta de reunir desempenho avançado em um corpo pequeno e de menor custo, atraindo consumidores que queriam ingressar no universo iOS sem pagar o preço dos flagships.
Do lançamento à obsolescência: linha do tempo completa
A trajetória do primeiro iPhone SE pode ser dividida em etapas precisas:
Março de 2016 – Lançamento oficial: a Apple apresenta o aparelho ao mercado global, incluindo o Brasil, posicionando-o como alternativa “acessível” dentro do portfólio.
Setembro de 2018 – Fim das vendas: pouco mais de dois anos depois, o dispositivo sai do catálogo. A data marca o ponto inicial para a contagem dos prazos de vintage e obsoleto.
2023 – Entrada na lista vintage: após cinco anos sem comercialização, o produto passa ao primeiro nível de descontinuação. Ainda era possível reparo em casos nos quais sobravam peças em estoque.
2025 – Classificação obsoleta: cumpridos sete anos fora das lojas, o modelo de 2016 perde o suporte de hardware em todos os canais oficiais, seguindo o padrão global da empresa.

Imagem: Thássius Veloso
Outros dispositivos afetados na mesma atualização
O iPhone SE não foi o único equipamento a atingir a obsolescência no comunicado mais recente. A Apple incluiu na mesma relação:
• iPad Pro de segunda geração (12,9ʺ): o tablet profissional, apresentado com tela grande e recursos avançados, também encerra reparos oficiais por ter ultrapassado o ciclo definido.
• Apple Watch Series 4 – Edições Nike e Hermès: as variantes esportiva e de grife do relógio inteligente perdem o abastecimento de peças específicas, como pulseiras exclusivas ou componentes internos.
• Beats Pill 2.0: a caixa de som sem fio da subsidiária Beats fecha seu suporte de hardware, alinhando-se às políticas da controladora Apple.
Todos esses produtos atravessaram o mesmo itinerário de cinco anos na categoria vintage antes de migrarem para o grupo obsoleto, respeitando o cronograma corporativo.
Situação dos modelos subsequentes do iPhone SE
A família SE ganhou duas atualizações depois do lançamento original. O segundo exemplar desembarcou em abril de 2020 e o terceiro, em março de 2022, ambos com tela de 4,7 polegadas. Nenhum desses aparelhos alcançou ainda o limite de cinco anos fora de venda, portanto não são considerados vintage nem obsoletos. Entretanto, a linha completa foi descontinuada em 2025, ano em que o iPhone 16e passou a ocupar a posição de opção mais acessível da marca.
A interrupção das vendas não provoca impacto imediato sobre assistência técnica. Os proprietários dos modelos de 2020 e 2022 continuam elegíveis a reparos, dentro ou fora de garantia, e podem solicitar componentes originais enquanto o estoque corporativo estiver disponível. A contagem para futuras mudanças de categoria só terá início quando a Apple remover oficialmente esses dispositivos do portfólio.
Consequências para consumidores e centros de serviço
A passagem de um produto para a lista obsoleta gera reflexos diretos na manutenção e no mercado de peças. Para os usuários, a principal implicação é o fim do reparo com componentes novos obtidos por intermédio das assistências credenciadas. Qualquer conserto futuro dependerá de estoque já existente nas oficinas ou da busca por soluções de terceiros, que não fazem parte do ecossistema oficial da Apple.
Para os centros autorizados, a restrição é obrigatória: pedidos de peças ao sistema interno da empresa ficam bloqueados, e eventuais reparos que exijam substituição de hardware deixam de ser oferecidos. A diretriz vale para a rede mundial de assistência, mantendo o alinhamento de políticas em todos os países onde a marca opera.
Nesse cenário, consumidores que ainda utilizam o iPhone SE de 2016 ou qualquer outro dispositivo incluído na nova lista devem considerar a disponibilidade de componentes já armazenados e os custos de procedimentos fora de garantia. Caso o estoque interno de uma assistência esteja zerado, a oficina não poderá repor a parte solicitada, mesmo que o pagamento seja integral por parte do proprietário.
Motivos que levam ao encerramento do suporte
A Apple adota critérios técnicos e logísticos para determinar o fim de fornecimento de peças. Ao atingir sete anos sem comercialização, o volume de usuários ativos tende a ser menor, e a produção de componentes específicos deixa de ser viável em grande escala. A classificação como obsoleto viabiliza a otimização de recursos para produtos mais recentes, mantendo disponibilidade de estoque para dispositivos que ainda não completaram o ciclo de vida.
No caso do iPhone SE original, a empresa precisava lidar com processadores, telas, câmeras e baterias que já não se encontram em fabricação de linha há anos. A unificação do suporte em faixas definidas facilita a gestão de inventário e comunica de forma transparente o limite de atendimento que a marca é capaz de oferecer.
Panorama geral e próximos passos para os donos do iPhone SE
Com a atualização de status, o iPhone SE lançado em 2016 torna-se parte da história da Apple como o primeiro celular “baratinho” a adotar o processador de um modelo topo de linha e, anos depois, atravessar todas as fases do ciclo de suporte até a obsolescência. Para quem ainda utiliza o aparelho, a recomendação é verificar a condição atual de componentes essenciais, como bateria e display, aproveitando estoques remanescentes em assistências autorizadas que, eventualmente, ainda possuam as peças. Não há previsão de retorno das peças ao catálogo, pois a obsolescência é definitiva dentro da política da companhia.
Os demais integrantes da lista – iPad Pro de segunda geração, Apple Watch Series 4 (Nike e Hermès) e Beats Pill 2.0 – enfrentam condição idêntica. Usuários desses dispositivos devem adotar a mesma estratégia, consultando a rede de autorizadas enquanto ainda existir inventário interno.
O anúncio reforça o posicionamento da Apple em relação ao ciclo de vida de seus produtos, oferecendo prazos claros de suporte e indicando, com antecedência razoável, quando cada categoria de dispositivo deixará de receber assistência de hardware oficial.

Paulistano apaixonado por tecnologia e videojogos desde criança.
Transformei essa paixão em análises críticas e narrativas envolventes que exploram cada universo virtual.
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