Quem: a Polícia Federal, por meio da Diretoria Técnico-Científica (Ditec).
O quê: aquisição de quatro novas licenças – duas de suítes de criptoanálise e outras duas de ferramentas para ataque de senha – destinadas a quebrar sistemas de criptografia em computadores da Apple equipados com chip T2.
Quando: a contratação foi anunciada neste ciclo de licitação, com vigência das licenças por 60 meses a partir da assinatura do contrato.
Onde: as soluções serão empregadas no Laboratório de Criptoanálise da Ditec, em Brasília, e em até outros 19 pontos de uso simultâneo espalhados por unidades da Polícia Federal.
Como: o investimento, avaliado em R$160,4 mil, garante softwares capazes de conduzir ataques de quebra de senha em Macs fabricados entre 2018 e 2020, suprindo a lacuna técnica imposta pelo chip T2.
Por que: sem ferramentas atualizadas, peritos federais não conseguiam atender a demandas envolvendo criptoanálise de dispositivos Apple. A renovação das licenças busca restabelecer a capacidade de coletar provas digitais protegidas por criptografia.
Investimento direcionado à criptoanálise
A Polícia Federal destinou R$160,4 mil do orçamento público para retomar plenas operações no Laboratório de Criptoanálise. O montante cobre duas licenças completas de suíte de criptoanálise e outras duas especificamente voltadas a ataques de quebra de senha. O pacote contratado libera o uso das soluções em até 20 estações de trabalho de forma simultânea ao longo de cinco anos, o que, segundo o estudo técnico da licitação, assegura escalabilidade e previsibilidade de custos para a instituição.
Nas palavras do documento de justificativa, o resultado esperado é a “ampliação das atividades do Laboratório de Criptoanálise frente às demandas da Criminalística” e a consequente “otimização dos exames periciais” quando os dispositivos analisados forem Macs com criptografia ativa. Essa expectativa se apoia na premissa de que, com as ferramentas adequadas, os peritos poderão extrair dados bloqueados por senha em casos de sucesso nos ataques.
Dispositivos alvo: Macs com chip de segurança T2
A contratação mira especificamente computadores da Apple que incorporam o chip T2, produzido para modelos lançados entre 2018 e 2020. Entre eles encontram-se:
• iMacs e iMacs Pro;
• Mac mini;
• MacBook Air;
• MacBook Pro.
Todos esses equipamentos foram comercializados com processadores Intel, mas receberam o chip T2 como um co-processador dedicado à segurança. O componente gerenciava, entre outros recursos, a proteção de dados criptografados em repouso, o armazenamento seguro de chaves do Touch ID e a verificação de integridade da inicialização por senha.
Desafios encontrados antes da renovação
Até a nova compra, a perícia federal dispunha de licenças adquiridas em 2018, ano em que o chip T2 chegava ao mercado. Esses contratos expiraram em 2024, deixando as equipes sem suporte atualizado. Com isso, solicitações de análise envolvendo Macs protegidos por T2 ficaram represadas. O Serviço de Perícias em Informática destacou, no parecer que embasou a licitação, a impossibilidade de atender à demanda de criptoanálise sem a renovação das ferramentas.
O impasse se tornou crítico porque o chip T2 impede a leitura convencional do disco rígido ou unidade SSD quando a senha de acesso não é fornecida. Sem ferramentas específicas para realizar ataques de força bruta ou métodos correlatos, os peritos não conseguem sequer inicializar o sistema em modo de recuperação para obter dados.
Objetivos declarados pela Polícia Federal
O estudo administrativo que acompanhou a licitação afirma três propósitos principais:
1. Restaurar a capacidade de exame forense em Macs protegidos por T2.
2. Aprimorar a produtividade do laboratório, reduzindo o tempo de espera por resultados de criptoanálise.
3. Ampliar a cobertura geográfica, permitindo que até 20 máquinas executem os softwares simultaneamente.
A soma desses fatores, segundo o documento, fortalece a cadeia de custódia da prova digital, pois possibilita que os investigadores coletem informações dentro dos prazos processuais sem recorrer a serviços externos.

Imagem: Internet
Chip T2: camada extra de segurança na era Intel
Descontinuado após a transição da Apple para processadores próprios (Apple Silicon), o chip T2 permaneceu durante três anos como guardião de diversas rotinas de segurança. Além da criptografia de dados, ele controlava o Touch ID, o Secure Enclave e a validação de inicialização, impedindo alterações não autorizadas no sistema operativo.
Esse desenho arquitetônico reforçou a privacidade dos usuários, mas introduziu barreiras adicionais para a perícia criminal. Ainda que o disco pudesse ser fisicamente removido, as informações permaneceriam inutilizáveis sem a senha original ou sem um ataque de quebra de chave bem-sucedido.
Evolução das licenças e uso no Paraná
A primeira aquisição de softwares de criptoanálise voltados a produtos Apple ocorreu em 2018. As licenças foram distribuídas ao Laboratório de Criptoanálise da Ditec e ao Laboratório de Criminalística da Superintendência da Polícia Federal no Paraná. Com validade de seis anos, essas ferramentas perderam suporte em 2024.
Desde então, os casos que exigiam acesso a Macs com T2 ficaram submetidos a atrasos ou dependentes de cooperação com outros órgãos que dispusessem de tecnologia compatível. A licitação recém-concluída busca eliminar essa lacuna operacional.
Escopo técnico do novo contrato
Conforme detalhado no termo de referência, as soluções contratadas devem:
• Oferecer módulos de ataque de senha adaptados ao conjunto de algoritmos de criptografia empregados pela Apple.
• Permitir atualizações automáticas durante todo o período de vigência de 60 meses.
• Operar em rede local, obedecendo às diretrizes de segurança digital da própria PF.
• Registrar logs de auditoria, garantindo rastreabilidade de todas as tentativas de quebra.
A especificação também exige suporte técnico direto do fornecedor, inclusive em situações que envolvam atualizações de firmware ou mudanças nas versões do macOS referentes aos modelos 2018-2020.
Expectativa de ganhos operacionais
A Polícia Federal projeta que, com a reinstalação do parque de licenças, o laboratório retome a cadência de análises digitais sem a necessidade de deslocar equipamentos ou pessoal entre estados. O uso simultâneo em 20 computadores pretende eliminar gargalos quando existirem múltiplos inquéritos envolvendo dispositivos Apple ao mesmo tempo.
Além disso, a renovação tende a facilitar a transferência de conhecimento entre peritos. O estudo de viabilidade menciona explicitamente que a manutenção de uma “suíte homogênea de criptoanálise” favorece treinamentos internos, pois todos os profissionais trabalharão com o mesmo conjunto de ferramentas e procedimentos.
Impacto sobre investigações em curso
A nova infraestrutura poderá ser empregada em inquéritos que aguardam a extração de informação armazenada em Macs bloqueados. Embora o resultado de cada tentativa de quebra dependa da complexidade da senha e de outros fatores técnicos, a mera disponibilidade da ferramenta já representa, segundo o parecer técnico, “otimização dos exames periciais”.
De maneira objetiva, o contrato firmado permite que a Polícia Federal reenquadre prazos processuais antes ameaçados pela falta de recursos. Caso a quebra se concretize, os dados obtidos podem subsidiar diligências, cumprir ordens judiciais de busca de provas digitais e apoiar a produção de laudos conclusivos.
Perspectiva futura para dispositivos Apple
Embora o chip T2 tenha sido substituído pela arquitetura Apple Silicon, muitos computadores lançados entre 2018 e 2020 continuam em uso no mercado brasileiro. Investigações podem, portanto, deparar-se com esses aparelhos por vários anos. A validade de 60 meses das licenças cobre justamente esse horizonte de relevância.
O estudo que fundamenta a contratação considera que, após esse período, “a maior parte do parque de máquinas em circulação já terá migrado para arquiteturas posteriores”, o que exigirá nova análise sobre a adequação de ferramentas às futuras gerações de segurança da Apple.
Resumo do investimento público
• Valor contratado: R$160,4 mil.
• Quantidade de licenças: 2 suítes de criptoanálise + 2 módulos de quebra de senha.
• Prazo de vigência: 60 meses.
• Acesso simultâneo: até 20 computadores.
• Finalidade: restaurar a capacidade de acessar Macs com chip T2, atendendo demandas periciais da Polícia Federal.

Paulistano apaixonado por tecnologia e videojogos desde criança.
Transformei essa paixão em análises críticas e narrativas envolventes que exploram cada universo virtual.
No blog CELULAR NA MÃO, partilho críticas, guias e curiosidades, celebrando a comunidade gamer e tudo o que torna o mundo dos jogos e tecnologia tão fascinante.

