Matter 1.5 amplia padrão de casa inteligente e passa a incluir câmeras de vídeo, garagens, sensores e integração com concessionárias

Lead — O que aconteceu

O padrão aberto de casa inteligente Matter chegou à versão 1.5 e, pela primeira vez, engloba câmeras de vídeo de diversos tipos. A nova especificação, publicada pela Connectivity Standards Alliance (CSA), estende a compatibilidade do protocolo a dispositivos como câmeras internas, externas, alimentadas por cabo ou por bateria, campainhas com vídeo e babás eletrônicas. A mudança permitirá adicionar qualquer modelo certificado a plataformas como Apple Home, Amazon Alexa ou Google Home, unificando o gerenciamento de imagens mesmo quando os equipamentos são de fabricantes diferentes.

Quem é responsável pelo Matter

A CSA, organização que coordena o desenvolvimento do protocolo, reúne empresas do setor de tecnologia, automação residencial e eletrônicos de consumo. Essa entidade publica as especificações técnicas, define requisitos de certificação e supervisiona o uso da marca Matter. Desde o primeiro lançamento, o objetivo declarado é garantir interoperabilidade entre dispositivos de marcas distintas, reduzindo a fragmentação que historicamente marcou o mercado de casa conectada.

Por que as câmeras eram aguardadas

Desde a estreia do Matter, em 2021, luzes, tomadas, interruptores, sensores ambientais e termostatos já estavam contemplados. Ainda assim, um dos segmentos mais populares da automação residencial — vigilância por vídeo — ficava de fora. A ausência forçava consumidores a manter aplicativos ou ecossistemas paralelos apenas para visualizar imagens, gerando complexidade na gestão do lar inteligente. Ao incluir câmeras na versão 1.5, o protocolo fecha uma lacuna expressiva e oferece aos usuários a possibilidade de centralizar funções críticas de segurança no mesmo painel de controle usado para lâmpadas ou fechaduras.

Como funcionará a compatibilidade com câmeras

Segundo a CSA, o suporte será liberado por atualização de firmware over-the-air (OTA). Isso significa que modelos já instalados poderão aderir ao padrão sem a troca do hardware, desde que o fabricante distribua o novo software. A retrocompatibilidade existe no nível da especificação, mas a decisão de liberar o update cabe a cada marca. Portanto, a chegada aos lares dependerá do cronograma de empresas individuais, e a CSA estima que um intervalo mínimo de doze meses costuma separar a publicação de uma versão do padrão e a presença significativa de produtos no mercado.

Recursos técnicos disponíveis para câmeras

O texto oficial da versão 1.5 lista as capacidades que um equipamento certificado deve oferecer:

• Transmissão de vídeo e áudio ao vivo: o dispositivo deve enviar imagem e som em tempo real para apps ou hubs compatíveis.
• Comunicação bidirecional: microfone e alto-falante permitem falar e ouvir através da câmera, viabilizando interação com quem está no ambiente.
• Acesso local e remoto: as imagens podem ser vistas dentro da rede doméstica ou pela internet, sem obrigar ao uso de servidores externos.
• Controles de inclinação e zoom: quando o hardware possuir motor ou lente móvel, comandos padronizados permitem ajustar enquadramento.
• Zonas de detecção e privacidade: áreas específicas do campo de visão podem ser configuradas para alertas ou para bloquear gravação.

Segurança da informação e liberdade de implementação

O protocolo prevê criptografia de ponta a ponta para transmissões, porém a adoção dependerá das escolhas de cada fabricante. De maneira semelhante, não há imposição de resolução mínima ou máxima, nem de funções avançadas como detecção de objetos por inteligência artificial. Essa flexibilidade foi mantida para que marcas diferenciem seus produtos com recursos proprietários, sem comprometer a comunicação básica garantida pelo Matter.

Integração com plataformas de casa inteligente

Uma vez certificados, os dispositivos podem ser pareados a ecossistemas já populares. Um usuário poderá, por exemplo, adicionar uma câmera de marca A ao Apple Home, outra de marca B à Amazon Alexa e visualizar ambas no mesmo aplicativo, desde que os três componentes — câmeras, hub e app — atendam à versão 1.5. O mesmo princípio vale para Google Home ou qualquer controlador que implemente o padrão.

A expansão para novas categorias além das câmeras

O pacote 1.5 não se resume ao vídeo. Quatro novos tipos de dispositivos foram incluídos oficialmente:

Controladores de portas de garagem: passam a se conectar ao Matter, permitindo abrir ou fechar o portão via comando unificado.
Sensores de umidade do solo: úteis para irrigação automatizada, enviam dados sobre a quantidade de água presente no terreno.
Carregamento bidirecional para veículos elétricos: o protocolo agora contempla estações que tanto carregam quanto devolvem energia do carro à rede.
Dados de tarifa de energia elétrica: introduzidos como funcionalidade que permite a concessionária informar preço em tempo real e qualidade da rede.

Como funcionará a comunicação com concessionárias de energia

Com as “tarifas de energia elétrica”, a especificação apresenta um caminho para que provedores de energia transmitam valores dinâmicos de kilowatt-hora, além de indicadores de estabilidade da rede. Os dispositivos Matter capazes de receber essas informações podem ajustar consumo de forma autônoma ou via plataforma de gerenciamento de energia, priorizando horários mais baratos ou suspendendo carga durante picos de tarifa.

Benefícios do carregamento bidirecional de veículos

O carregamento bidirecional, também chamado de vehicle-to-grid (V2G), torna o carro elétrico uma bateria móvel. Ao suportar essa função, o Matter permite que a estação de recarga converse com outros aparelhos da residência e com a própria rede elétrica, equilibrando fornecimento de energia. O aspecto bidirecional foi incorporado para alinhar o protocolo às tendências de uso de veículos como fontes auxiliares, principalmente em regiões com sistemas de energia renovável e variação de preço por horário.

Importância dos sensores de umidade do solo

A agricultura residencial e os jardins automatizados ganham um componente padrão para medições precisas. Ao reportar percentuais de umidade, esse tipo de sensor pode acionar irrigadores, evitando desperdício de água e preservando plantas. A inclusão formal no Matter simplifica o processo de integração, eliminando a necessidade de pontes proprietárias.

Processo de adoção e cronograma provável

A retrocompatibilidade declarada significa que produtos lançados antes da versão 1.5 podem, em tese, operar sob as novas diretrizes. Entretanto, a realidade de mercado envolve etapas de desenvolvimento, certificação e distribuição de firmware. Como a CSA lembra, um intervalo de pelo menos um ano costuma separar a finalização da especificação do momento em que a maioria das marcas consegue atualizar linhas existentes ou colocar novos modelos nas prateleiras.

Impacto para fabricantes

Marcas que já produzem câmeras compatíveis com plataformas proprietárias tendem a avaliar a viabilidade de liberar atualizações OTA que adicionem o cluster de câmera do Matter. A decisão leva em conta custo de suporte, capacidade de hardware para criptografia ou compressão de vídeo e estratégias de diferenciação comercial. Já os fabricantes que planejam produtos ineditos podem projetá-los nativamente em torno da versão 1.5, simplificando o caminho até as prateleiras.

Expectativa de interoperabilidade real para o consumidor

A partir da consolidação do suporte, um usuário poderá montar um sistema de vigilância mesclando campainha com vídeo de um fornecedor, câmera externa de outro e babá eletrônica de um terceiro, todos acessíveis pelo mesmo aplicativo ou assistente de voz. O padrão também reduz a dependência de clouds proprietárias, pois o acesso local é parte intrínseca do protocolo, oferecendo menor latência e potencial de maior privacidade nos fluxos de dados.

Visão geral das novas possibilidades na casa inteligente

Com a chegada da especificação 1.5, o Matter cobre um espectro maior de dispositivos críticos para segurança, energia e manutenção do lar:

Segurança: câmeras, campainhas com vídeo, portas de garagem.
Eficiência energética: carregadores bidirecionais de veículos, ajuste automático baseado na tarifa elétrica.
Bem-estar e manutenção: sensores de umidade do solo integrados a sistemas de irrigação.

Conclusão factual

O lançamento da versão 1.5 do Matter representa a entrada oficial de câmeras de vídeo no portfólio de categorias suportadas, além de expandir o protocolo para dispositivos de garagem, sensores de solo, carregamento veicular avançado e comunicação direta com concessionárias de energia. A adoção prática dependerá da atualização de firmware e do calendário de cada fabricante, mas a especificação estabelece as bases técnicas necessárias para que, em aproximadamente um ano, produtos compatíveis cheguem ao mercado com funções padronizadas de streaming, controle e economia de energia.

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