Lead — Perfis ativos em diferentes redes sociais passaram a divulgar pacotes pagos que prometem conceder o selo de verificação no Free Fire, adicionar diamantes à conta todos os meses e liberar skins exclusivas. Os valores publicados variam de R$ 110 a R$ 250, porém nenhuma dessas ofertas possui confirmação da desenvolvedora Garena, criando risco imediato de perda de dinheiro, exposição de dados e até comprometimento das contas dos jogadores e criadores de conteúdo.
Quem está por trás das novas ofertas de verificação
As publicações detectadas partem de contas que se apresentam como páginas de “suporte”, “lojinha” ou “parceria oficial”, mas não exibem vínculo institucional com a Garena. Esse conjunto de perfis utiliza nomes semelhantes aos de comunidades conhecidas, incorpora o ícone azul que simboliza verificação e replica elementos gráficos comuns ao universo do game, como personagens estilizados e fundos com efeitos luminescentes. A combinação de identidade visual familiar e linguagem promocional visa transmitir legitimidade e, assim, atrair jogadores em busca de status dentro do título mobile.
Ao menos três formatos de pacote aparecem nas imagens divulgadas pelos golpistas. Cada arte traz preço único, descrição objetiva dos supostos benefícios e a ressalva de que o selo seria “permanente”. A uniformidade gráfica sugere coordenação entre diferentes perfis ou a adoção de um mesmo material de divulgação circulando em grupos privados.
O que exatamente é anunciado nos pacotes
Os golpistas tabelaram três combinações principais, cada uma com foco em um perfil de consumidor:
• Promoção da Semana — R$ 110: promete selo de verificação, 2.000 diamantes creditados de forma única e uma skin referente ao mês.
• Promoção do Dia — R$ 195: oferece selo de verificação, 3.000 diamantes mensais e skins mensais.
• Plano Influenciador — R$ 250: garante selo de verificação, 5.000 diamantes mensais, banners personalizados e avatar especial.
Todas as modalidades afirmam transferir benefícios de longa duração e manter um fluxo recorrente de moedas virtuais, recurso que pode ser usado para adquirir itens dentro do jogo. A menção a “diamantes mensais” é o elemento que mais desperta atenção de quem busca melhorar o inventário sem recorrer a recargas oficiais de preço superior. Essa promessa, somada ao selo azul, forma o gatilho para decisões financeiras precipitadas.
Quando e onde as publicações circulam
Os anúncios vêm sendo veiculados em plataformas populares que permitem criação rápida de perfis, como redes sociais de vídeo curto, aplicativos de mensagem e marketplaces informais. Há registros de postagens diárias com variações mínimas no texto, sugerindo ampla replicação. O avanço ocorreu recentemente: antes restritos a mensagens diretas enviadas a alvos selecionados, os golpistas passaram a adotar divulgação pública, exibindo tabela fixa de preços e destacando frases como “últimas vagas” para gerar sensação de escassez.
Como o golpe é estruturado na prática
O processo descrito pelos próprios perfis segue roteiro repetido:
1. O interessado realiza contato via mensagem privada.
2. Recebe instruções de pagamento antecipado — normalmente por transferência, PIX ou carteira digital.
3. Após o envio do comprovante, o perfil promete retorno em até 24 horas com o selo ativo e o primeiro lote de diamantes creditado.
4. Caso o comprador questione o atraso, o perfil aponta “fila de processamento” ou solicita mais dados de conta para “verificação interna”.
Esse fluxo não envolve contrato, recibo formal ou qualquer mecanismo de contestação. A ausência de comprovantes adequados elimina possibilidade prática de reembolso e deixa o comprador vulnerável a bloqueios repentinos por parte do anunciante.
Por que a oferta não tem respaldo oficial
A Garena não comunicou, em nenhum de seus canais institucionais, a comercialização direta do selo de verificação. Procedimentos legítimos que envolvem parcerias, reconhecimento de criadores ou torneios internos ocorrem mediante convite ou inscrição em programas específicos, sem custo pré-anunciado ao público. Dessa forma, qualquer proposta vinculada a “venda de verificado” fora de ambiente controlado carece de legitimidade.
Além disso, o fornecimento contínuo de diamantes por meio de plano externo também não encontra correspondência em políticas públicas do jogo. Recargas oficiais exigem transação em plataformas autorizadas, com preço estipulado em moeda real e crédito imediato, não mensal.
Principais riscos associados ao negócio
Perda financeira direta: o pagamento antecipado não assegura entrega nem devolução, já que o anunciante pode simplesmente deixar de responder após receber o valor.
Exposição de dados pessoais: informações solicitadas para suposta vinculação de conta aumentam a chance de roubo de identidade ou invasão de perfil no Free Fire.

Imagem: Internet
Comprometimento da conta do jogo: a posse indevida de credenciais pode resultar em mudança de senha e retirada de itens legítimos acumulados ao longo do tempo.
Sanções internas: ainda que o jogador recebesse diamantes de origem duvidosa, a conta poderia ser suspensa por irregularidade, pois créditos não oficiais violam termos de uso.
Por que o golpe passou a usar preços públicos
A migração de abordagens individualizadas para tabelas abertas revela tentativa de escalar o esquema. Ao adotar valores fixos e mensagens padronizadas, os operadores reduzem o tempo de negociação, atraem curiosos sem grande experiência e potencializam o alcance por meio de compartilhamentos orgânicos. Esse modelo também cria a ilusão de campanha institucional, pois muitos jogos divulgam pacotes promocionais em datas específicas. A diferença central é que, no caso analisado, não existe declaração da empresa responsável pelo título.
Como identificar a ausência de autenticidade
Alguns sinais presentes nas publicações permitem concluir que se trata de ação não oficial:
• Falta de link para domínio corporativo da Garena.
• Ausência de selo de verificação da própria rede social na conta que vende o serviço.
• Erros gramaticais ou tradução automática nos cards promocionais.
• Uso de mensagens urgentes como “apenas hoje” ou “restam poucas vagas”.
• Solicitação de print da carteira de identidade ou senha temporária da conta.
Recomendações imediatas ao jogador e ao criador de conteúdo
Evitar qualquer pagamento não oficial: suspender a transação impede o prejuízo financeiro inicial.
Não compartilhar dados de acesso: informações de login jamais devem ser fornecidas fora do aplicativo ou do site da desenvolvedora.
Denunciar perfis suspeitos: cada plataforma oferece ferramenta de denúncia, contribuindo para redução do alcance do golpe.
Consultar fontes formais: antes de aderir a qualquer promoção, verificar se a oferta aparece em portal, rede social ou comunicado verificado da Garena.
Impacto potencial no cenário competitivo
O Free Fire abriga circuitos amadores e profissionais que valorizam visibilidade. Criadores iniciantes enxergam o selo como porta de entrada para parcerias e audiências maiores. Essa expectativa é explorada pelos golpistas, que anunciam o “Plano Influenciador” a preço superior, reforçando a ideia de que um investimento único resolveria a necessidade de reconhecimento. Sem respaldo oficial, entretanto, o aspirante a influenciador corre o risco de iniciar a carreira com perda financeira e danos à reputação caso divulgue serviço não reconhecido.
Como funciona o processo legítimo de verificação
A validação oficial de criadores, streamers ou organizações de e-sports segue critérios internos que incluem consistência de produção de conteúdo, alinhamento às políticas da empresa e, em alguns casos, participação em programas de parceria. Os convites chegam por e-mail corporativo ou painel interno, nunca via anúncio aberto com cobrança direta. Esse canal formal preserva transparência e reduz possibilidade de fraudes.
Consequências além do prejuízo monetário
Quando dados sensíveis circulam em ambientes de baixa segurança, o problema pode ultrapassar o universo do jogo. Informações como nome completo, telefone e cópia de documento, muitas vezes exigidas para “concluir a ativação”, podem ser reutilizadas em outras fraudes, abertura não autorizada de contas e extorsão digital. Para menores de idade, cenário comum na base de jogadores, esses riscos atingem também responsáveis legais.
Avaliação do alcance atual do esquema
A prática ganhou visibilidade justamente pela adoção de modelos de preço e linguagem publicitária. Com publicações impulsionadas ou compartilhadas em grupos de fãs, a fraude se posiciona como serviço regular, dificultando a distinção por parte do usuário novo. Apesar disso, a falta de qualquer citação em sites, transmissões oficiais ou notas de atualização do Free Fire permanece o indicativo mais evidente de que se trata de iniciativa paralela e não reconhecida.
Panorama para os próximos meses
Embora não existam dados oficiais sobre número de vítimas, a proliferação de perfis anunciando os mesmos pacotes sugere continuidade do esquema. Jogadores que buscam selos ou itens raros devem permanecer atentos, pois diferentes variações do golpe podem surgir, substituindo nomes dos planos, valores ou bonificações prometidas, mas mantendo a lógica de pagamento antecipado sem garantia. A verificação de autenticidade nos canais oficiais do jogo se mantém como ação preventiva central.

Paulistano apaixonado por tecnologia e videojogos desde criança.
Transformei essa paixão em análises críticas e narrativas envolventes que exploram cada universo virtual.
No blog CELULAR NA MÃO, partilho críticas, guias e curiosidades, celebrando a comunidade gamer e tudo o que torna o mundo dos jogos e tecnologia tão fascinante.

