Power bank no avião: limites da Anac, riscos de incêndio e cuidados essenciais para viajar em segurança

O desvio de um voo da LATAM, ocorrido em janeiro de 2026, trouxe à tona uma velha dúvida de passageiros: até que ponto é seguro transportar e usar um power bank dentro de uma aeronave? Na ocasião, a rota entre São Paulo e Brasília foi interrompida devido a um incidente com a bateria portátil, levando o piloto a pousar em Ribeirão Preto (SP). Não houve feridos graves, mas o episódio acionou todos os protocolos de segurança e evidenciou a importância de conhecer as regras definidas pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) para esse tipo de dispositivo.

Quem pode levar power bank no avião e em quais condições

A Anac permite o transporte de baterias portáteis em voos comerciais, porém estabelece dois limites de capacidade energética medidos em watt-hora (Wh):

• Até 100 Wh: transporte liberado sem necessidade de autorização extra.
• Entre 100 Wh e 160 Wh: transporte limitado a duas unidades por passageiro e condicionado ao aval prévio da companhia aérea.

Qualquer modelo que ultrapasse 160 Wh não está contemplado pelas regras gerais e, na prática, tende a ser recusado no check-in. A agência opta pelo watt-hora porque o número expressa a energia total armazenada, critério decisivo para avaliar o potencial de risco. Já a marcação em miliampère-hora (mAh) é apenas a indicação de capacidade elétrica e precisa ser convertida para Wh quando ocorre a fiscalização.

Por que a bagagem de mão é obrigatória

A norma da Anac determina que baterias portáteis sejam transportadas exclusivamente na cabine. A justificativa é simples: caso um power bank apresente falha, curto-circuito ou superaquecimento no compartimento superior, a tripulação consegue identificar o problema rapidamente e executar os procedimentos de contenção. No porão, o acesso é restrito e o combate ao fogo se torna mais complexo, elevando o risco para todos a bordo.

Como descobrir a capacidade do power bank

Quase sempre, a capacidade vem impressa diretamente no corpo do acessório ou em sua embalagem. Pode aparecer como “20 000 mAh”, “74 Wh” ou combinação similar. Quando apenas o valor em mAh está visível, o passageiro precisa convertê-lo para Wh utilizando a voltagem da bateria. Embora fabricantes nem sempre divulguem essa voltagem de forma clara, uma estimativa comum indica que:

• 100 Wh equivalem a, aproximadamente, 27 000 mAh;
• 160 Wh giram em torno de 40 000 mAh.

A fiscalização aeroportuária exige que essa informação esteja legível e completa. Caso contrário, o item pode ser retido antes do embarque. Segundo especialistas, a ausência de dados básicos já representa um sinal de alerta a respeito da procedência do dispositivo.

Uso do power bank durante o voo: permitido, mas sob vigilância

As normas brasileiras não proíbem o uso do carregador portátil dentro da cabine, desde que o aparelho esteja em boas condições. No entanto, é recomendado mantê-lo à vista e evitar situações que favoreçam o superaquecimento, como deixar o celular carregando dentro de bolsas fechadas, sob travesseiros ou entre cobertores. Qualquer odor estranho, aumento excessivo de temperatura ou comportamento incomum deve ser comunicado imediatamente à tripulação.

Companhias aéreas podem impor restrições pontuais — por exemplo, solicitar que o dispositivo permaneça desligado durante decolagem e pouso. Essas medidas variam conforme a avaliação de risco de cada empresa e não contradizem a liberação geral da Anac.

Risco de explosão é maior dentro de uma aeronave?

Casos como o registrado no voo da LATAM são raros, mas chamam atenção justamente porque o ambiente pressurizado e de baixa umidade pode intensificar defeitos já existentes na célula de íons de lítio. Pequenas fissuras internas podem se agravar, causando expansão de gases e eventual combustão. Existe também um fator mecânico relevante: ao cair nos vãos entre assento e encosto, o aparelho pode ser esmagado pela estrutura metálica do banco quando este é ajustado, gerando curto-circuito quase instantâneo.

Motivos para a revisão frequente das regras

Diversos países passaram a analisar novas restrições desde 2025. Entre os principais motivos estão:

Maior densidade energética nos power banks modernos, que concentram mais carga em carcaças menores.
• Popularização de tecnologias de carregamento rápido, como Power Delivery e Quick Charge, que elevam a corrente e, portanto, o calor gerado em caso de falha.
• Histórico, ainda que pontual, de incêndios a bordo atribuídos a baterias de íons de lítio.
• Necessidade de padronizar procedimentos, sem impedir que cada companhia adote políticas suplementares, segundo sua própria matriz de risco.

Dicas essenciais de segurança antes e durante o embarque

Especialistas em tecnologia e segurança digital listam cuidados que reduzem drasticamente as chances de acidente:

• Transporte sempre na bagagem de mão, com os terminais protegidos por tampa ou fita isolante para evitar contato com chaves, moedas ou cartões.
• Uso em ambiente ventilado: evitar carregar dispositivos em mochilas fechadas, sobretudo em voos longos.
• Monitoramento visual constante: se houver aquecimento fora do normal, cheiro de plástico queimado ou ruídos incomuns, interromper o uso e notificar a equipe de bordo imediatamente.
• Manter apenas o cabo necessário conectado e evitar adaptadores múltiplos que possam sobrecarregar o circuito de proteção interno.

Sinais de que o power bank não deve viajar

Antes de arrumar a mala, vale observar se o acessório apresenta qualquer um dos seguintes indícios:

• Inchaço perceptível na carcaça, conhecido como “efeito almofada”.
• Superaquecimento mesmo quando não está em uso.
• Rachaduras externas, partes soltas, vazamento de líquido ou odores químicos.
• Etiqueta de capacidade apagada ou ilegível.

Qualquer uma dessas condições justifica o descarte seguro do aparelho em pontos de coleta adequados e o não embarque com o item.

Como escolher um power bank confiável

A procedência do produto é o principal indicador de confiabilidade. Modelos fabricados pelas próprias marcas de smartphones tendem a ter circuitos de proteção compatíveis com padrões internacionais. No Brasil, a homologação pela Anatel é o selo que confirma testes de segurança elétrica e térmica. O número de certificação costuma vir impresso no dispositivo ou na embalagem e pode ser consultado no site da agência reguladora.

Dispositivos muito baratos ou vendidos sem qualquer documentação podem ser falsificados. Baterias piratas geralmente economizam justamente nos componentes responsáveis por prevenir curtos-circuitos e controlar a temperatura, elevando o risco de incêndio.

Responsabilidades de passageiros e companhias aéreas

Os órgãos reguladores, como a Anac e a Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata), definem requisitos mínimos. Companhias aéreas, por sua vez, podem adotar regras adicionais, desde limitar o número de unidades a proibir o uso durante todo o voo, conforme a política interna. Cabe ao passageiro conferir a política da empresa antes de se dirigir ao aeroporto, garantindo que a capacidade do power bank se enquadra nos limites estipulados.

Resumo das regras em vigor

1. Capacidade de até 100 Wh: transporte permitido sem autorização extra.
2. Entre 100 Wh e 160 Wh: máximo de duas unidades por pessoa, sujeito a aprovação da companhia.
3. Acima de 160 Wh: geralmente não aceito.
4. Transporte exclusivamente na bagagem de mão.
5. Etiqueta de capacidade legível é obrigatória.
6. Uso a bordo permitido, salvo restrições específicas da companhia e desde que o dispositivo permaneça em condições ideais.

O incidente com a aeronave que precisou pousar em Ribeirão Preto mostrou, na prática, como o cumprimento dessas normas minimiza danos e preserva a segurança coletiva. Entender a capacidade do próprio carregador, manter as etiquetas visíveis e observar qualquer sinal de defeito são atitudes simples que fazem diferença quando o destino final é chegar ao aeroporto seguinte sem contratempos.

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