Safari atinge 99% de compatibilidade nos testes do Interop 2025 e lidera avanço da interoperabilidade entre navegadores

O projeto Interop 2025, conduzido em parceria por Apple, Bocoup, Google, Igalia, Microsoft e Mozilla, concluiu seu quarto ciclo anual com um salto expressivo na uniformidade de comportamento entre navegadores. A divulgação, realizada no blog do WebKit, detalha que o índice geral de compatibilidade de código entre os principais softwares de navegação subiu de 29% para 97% nas versões estáveis, alcançando 99% nas compilações experimentais. Dentro desse quadro, o Safari registrou o maior avanço individual, saltando de 43% para 99% na edição Safari Technology Preview.

Quem esteve envolvido na iniciativa

Seis organizações compõem o núcleo do Interop. A Apple, representada pelo time do WebKit, atuou em conjunto com a consultoria Bocoup; a fundação de software de código aberto Igalia; os desenvolvedores do Google Chrome; a equipe do Microsoft Edge; e a comunidade responsável pelo Mozilla Firefox. Ao longo de 2025, esses grupos concentraram esforços para identificar e corrigir discrepâncias comportamentais que faziam com que um mesmo fragmento de código apresentasse resultados distintos dependendo do navegador.

O que foi medido nos testes de 2025

O escopo de avaliação se fixou em cinco áreas prioritárias de investigação, entre elas CSS, JavaScript, APIs da Web e desempenho. Cada área reuniu cenários de teste que procuravam validar se a implementação de um determinado recurso seguia um comportamento uniforme. As baterias de verificação abrangeram situações práticas de uso, simulando condições comuns do desenvolvimento moderno para websites e aplicações na internet.

Ao iniciar o ciclo de 2025, apenas 29% dos cenários apresentaram resultado satisfatório simultaneamente em todos os navegadores incluídos. Isso significava que, em mais de dois terços dos casos, algum software de navegação se distanciava do comportamento esperado. Durante o ano, correções específicas foram integradas em cada motor — V8, Chakra, SpiderMonkey, além do próprio WebKit — até que o índice coletivo atingisse 97% nas releases estáveis publicadas ao público.

Quando a melhora ocorreu

O período de trabalho correspondeu ao ano civil de 2025, marcado como o quarto ciclo do programa Interop. O anúncio final foi disponibilizado no mesmo ano, consolidando doze meses de avaliações sucessivas, aplicação de melhorias e retestes. Os resultados foram desmembrados entre as compilações oficiais, distribuídas ao usuário final, e as versões experimentais, nas quais novos ajustes são liberados antes de chegarem ao canal principal.

Onde os dados foram divulgados

O boletim público foi publicado no blog mantido pelo time do WebKit, motor de renderização que sustenta o Safari. Esse canal serve tradicionalmente para detalhar implementações, avanços de performance e mudanças na base de código do navegador da Apple. A divulgação ali confere transparência ao processo e permite que desenvolvedores acompanhem as métricas oficiais sem intermediários. Todas as organizações participantes revisaram os números antes da publicação, assegurando coerência entre os dados apresentados.

Como as metas foram alcançadas

O método empregado no Interop 2025 partiu de um conjunto de testes automatizados que executam trechos de código idênticos em cada navegador. O sistema compara o resultado efetivo de cada motor com o comportamento de referência estabelecido pelos padrões da web. Qualquer divergência aciona um registro de falha, que então gera uma tarefa de correção.

A etapa seguinte envolve engenheiros das seis organizações, responsáveis por investigar a causa direta da incompatibilidade. Dependendo do caso, isso pode significar reescrever partes do motor de renderização, ajustar flags internas de recursos ou revisar o pipeline de otimização de scripts. Sempre que uma correção é aplicada, o mesmo teste é repetido. Caso o resultado passe a coincidir com a referência, a falha é encerrada e o percentual de compatibilidade sobe.

Nas compilações experimentais — Chrome Canary, Edge Dev, Firefox Nightly e Safari Technology Preview —, as mudanças chegam primeiro. É nesse ponto que o índice de conformidade bateu em 99%, sinalizando que praticamente todos os cenários avaliados já contam com um comportamento padronizado. Quando a estabilidade se confirma, esses acertos migram para a linha estável, onde alcançaram 97% de acertos no fechamento do ciclo.

Por que a evolução do Safari se destaca

Dentro do relatório, o navegador da Apple exibiu a transformação mais acentuada. O Safari Technology Preview, que em testes anteriores do mesmo ano atingia somente 43% de aprovação, avançou até 99% ao término do processo. Esse crescimento de 56 pontos percentuais indica que o WebKit foi o motor que mais reduziu discrepâncias ao longo do ciclo.

Para usuários do ecossistema Apple — seja em desktops, notebooks, tablets ou celulares —, o ganho representa menor incidência de falhas específicas e navegação mais confiável em sites que antes exigiam adaptações. Para desenvolvedores, o resultado reduz a necessidade de inserir condicionais ou trechos de código voltados exclusivamente ao Safari, prática conhecida como hacks de compatibilidade.

Impacto para usuários finais

Interoperabilidade elevada implica que elementos visuais, funcionalidades interativas e métricas de performance apresentam consistência independente da escolha de navegador. Na prática, o visitante de um site passa a ter experiência semelhante se alternar entre Safari, Chrome, Edge ou Firefox, reduzindo surpresas em layout, travamentos inesperados ou atrasos no carregamento.

A redução de erros manifestados apenas em um software específico também simplifica processos de suporte. Equipes de atendimento a consumidores tendem a gastar menos tempo diagnosticando problemas relacionados à plataforma de navegação, pois os comportamentos convergem. O resultado esperado é diminuição de fricção e aumento da satisfação do público.

Repercussão para a comunidade de desenvolvimento

Para quem escreve código, cada ponto percentual de compatibilidade economiza horas de depuração. Quando uma aplicação depende de CSS ou de APIs da Web que se comportam diferente conforme o motor, o programador precisa inserir condicionais, duplicar regras ou criar rotinas paralelas. Esse esforço gera manutenção adicional, complexidade desnecessária e maior risco de regressões.

O avanço para 97% — e, nas prévias, para 99% — reduz drasticamente esse fardo. Em vez de múltiplos caminhos, o desenvolvedor passa a confiar em um único padrão de implementação. Além de cortar custos operacionais, o movimento favorece a adoção rápida de novos recursos de plataforma, já que a garantia de suporte homogêneo se torna mais abrangente.

Cenário anterior e trajetória do projeto Interop

O Interop foi iniciado quatro anos antes de 2025, com o objetivo central de converter compatibilidade de recurso em indicador mensurável. A cada ano, novas áreas de foco são selecionadas em consenso pelos participantes, definindo o escopo de testes e a régua de conformidade. Os números divulgados em 2025 mostram a evolução mais alta já registrada desde o início da iniciativa.

No ciclo inaugural, muitas APIs nem sequer obtinham cobertura de teste. Ao amadurecer o processo, as organizações passaram a coletar métricas mais granulares e a responder a falhas com correções rápidas. Esse histórico explica o salto agregado de 29% para 97% em um único ano: a fundação de infraestrutura de testes estava pronta, permitindo priorização direta na execução de ajustes.

Próximos passos implícitos

Embora o documento não detalhe planos futuros, a tendência natural é manter a rotina anual de redefinição de áreas prioritárias e expansão da cobertura de testes. Com 97% nas versões estáveis, o intervalo restante de 3% representa cenários marginais, mas, ainda assim, relevantes. Ao atingir 99% nas builds experimentais, o grupo evidencia a proximidade de um alinhamento quase completo.

Conforme novas tecnologias da Web emergirem, essas também devem ingressar na lista de verificação do Interop. A dinâmica cíclica de seleção, teste, correção e estabilização criada pela colaboração entre Apple, Bocoup, Google, Igalia, Microsoft e Mozilla oferece o arcabouço para que esse processo se repita com consistência nos anos subsequentes.

Benefícios consolidados do Interop 2025

A conclusão do quarto ciclo deixa três benefícios centrais para o ecossistema:

1. Experiência uniforme ao usuário: Layouts, interações e tempos de resposta alinham-se entre navegadores, minimizando discrepâncias perceptíveis.
2. Eficiência no desenvolvimento: A padronização reduz a quantidade de código condicional, encurta ciclos de testes e facilita manutenção a longo prazo.
3. Avanço conjunto dos motores: Ao compartilhar métricas e soluções, os participantes eliminam pontos de divergência sem criar novos fosso de compatibilidade.

Indicadores numéricos de referência

29% – Taxa de compatibilidade geral no início do ciclo 2025.
97% – Compatibilidade nas versões estáveis ao final do ano.
99% – Compatibilidade nas versões experimentais (Chrome Canary, Edge Dev, Firefox Nightly e Safari Technology Preview).
43% → 99% – Evolução do Safari Technology Preview ao longo do período.

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