Tim Cook relata conversa com Trump após mortes atribuídas ao ICE e envia mensagem de desescalada a funcionários da Apple

O diretor-executivo da Apple, Tim Cook, encaminhou um memorando interno aos colaboradores da empresa no qual aborda dois acontecimentos recentes em Minneapolis, estado de Minnesota, envolvendo a morte de cidadãos norte-americanos durante operações do Serviço de Imigração e Fiscalização Aduaneira (ICE). No documento, Cook descreve uma conversa mantida na mesma semana com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declara estar “de coração partido” e conclama à redução de tensões. O conteúdo da mensagem, revelado à imprensa, oferece um retrato de como a companhia reage a episódios de repercussão nacional enquanto mantém diálogo direto com a Casa Branca.

Quem são as vítimas citadas no memorando

O texto distribuído pelo chefe da Apple menciona dois cidadãos que perderam a vida em circunstâncias associadas à atuação do ICE. Na primeira ocorrência, datada de 24 de janeiro, o enfermeiro Alex Pretti foi morto enquanto participava de um protesto contra a presença de agentes federais em Minneapolis. A segunda referência é à norte-americana Renee Nicole Good, falecida aproximadamente duas semanas antes em situação descrita como semelhante. Ambas as fatalidades ganharam destaque por envolverem a força policial de imigração do governo federal e desencadearam debates sobre métodos de abordagem e uso de força.

Quando e onde os eventos aconteceram

As duas mortes registradas pelo executivo ocorreram no início de 2021, com curto intervalo entre si, na cidade de Minneapolis, maior centro urbano do estado de Minnesota. O primeiro caso citado no memorando — o de Renee Nicole Good — ocorreu cerca de quinze dias antes do incidente que vitimou Alex Pretti. Já o segundo evento, ocorrido em 24 de janeiro, deu-se durante manifestação pública organizada para contestar a atuação do ICE no mesmo local. A sucessão de episódios em curto espaço de tempo ampliou a visibilidade da questão e levou diferentes setores da sociedade a manifestar preocupação.

Como o ICE se tornou foco de protestos

Nos dois eventos mencionados, a presença de agentes do Immigration and Customs Enforcement converteu-se em ponto de tensão. Segundo o memorando, Pretti protestava contra a atuação do órgão quando foi alvejado. A morte da enfermeira Renee Nicole Good, em cenário descrito como análogo, já havia desencadeado manifestações iniciais. A sequência levou grupos locais a organizar atos públicos, mobilizando residentes que questionam métodos de fiscalização migratória e o grau de força empregado durante operações na cidade.

Reação imediata de Tim Cook

Após a segunda ocorrência, o diretor-executivo sentiu-se impelido a endereçar o tema aos próprios funcionários. No texto interno, Cook afirma estar entristecido e estende “orações e condolências” às famílias. O tom adotado é de apelo à desescalada, termo repetido no memorando para propor redução das tensões que se acumulam após as mortes. Ele frisa acreditar que os Estados Unidos são mais fortes quando todos são “tratados com dignidade e respeito, independentemente de quem sejam ou de onde venham”. Esses trechos indicam que a liderança da Apple procura alinhar-se a valores de inclusão e respeito em meio à crise.

Detalhes da mensagem enviada à equipe

No memorando, estruturado em parágrafos curtos, Cook saúda a equipe, externa pesar pelos acontecimentos e reforça que a companhia preserva ideais que valorizam a humanidade compartilhada. Ele revela ter mantido uma “ótima conversa” com o presidente Donald Trump durante a mesma semana em que o texto foi redigido, agradecendo a abertura para dialogar sobre temas “importantes para todos nós”. O executivo também reconhece ser um “momento emotivo e desafiador” para muitos e elogia o nível de empatia demonstrado pelas equipes da Apple, qualificando tal característica como um “dos maiores trunfos” da organização.

Conversa entre Cook e Donald Trump

O encontro telefônico relatado pelo CEO é um ponto central do documento. Segundo o próprio texto, Cook compartilhou suas opiniões a respeito dos incidentes em Minneapolis e recebeu do chefe do Executivo disposição para ouvir. Não são fornecidos pormenores adicionais sobre o teor exato do diálogo, porém o simples fato de o executivo enquadrá-lo como “ótimo” indica que as partes mantêm canal aberto, mesmo diante de críticas externas à aproximação entre eles.

Críticas por comparecimento a evento com Melania Trump

A decisão de Cook de participar de um compromisso oficial com Melania Trump, primeira-dama dos Estados Unidos, horas após a morte de Alex Pretti, gerou questionamentos públicos. Para parte dos observadores, a presença em cerimônia oficial na mesma data poderia soar dissonante em relação ao clima de consternação. O memorando, portanto, surge também como instrumento de resposta interna, no qual o executivo contextualiza as razões e esclarece o engajamento que pretende adotar diante da situação.

Histórico de aproximação entre Apple e governo federal

Embora o recente texto realce tom de empatia diante de tragédias, o documento não ignora o histórico de relacionamento institucional entre Apple e governo. Durante o primeiro ano do segundo mandato de Donald Trump, Cook consolidou relação considerada próxima com a Casa Branca. Esse contato incluiu a entrega de uma placa de reconhecimento ao presidente em nome da empresa, sinalizando apoio a metas econômicas e produtivas anunciadas pelo Executivo norte-americano.

Compromisso de investimento de 600 bilhões de dólares

Parte expressiva da afinidade entre Apple e governo foi marcada pelo anúncio, feito pelo próprio diretor-executivo, de que a companhia pretende aplicar US$ 600 bilhões nos Estados Unidos ao longo de vários anos. O montante, descrito oficialmente como investimento, cobre iniciativas diversas e reforça o posicionamento de que a empresa contribuirá com expansão econômica doméstica. Ainda que não se vincule diretamente às mortes em Minneapolis, o volume financeiro ajuda a explicar o interesse do governo federal em manter diálogo constante com a liderança da fabricante de iPhones.

Ausência de fabricação integral de iPhones em território norte-americano

Mesmo depois de repetir publicamente a intenção de ampliar a presença industrial nos Estados Unidos, a Apple ainda não transferiu a produção integral de iPhones para fábricas nacionais. O dado ganha relevância pelo fato de Donald Trump ter manifestado em diferentes ocasiões o “sonho” de ver o dispositivo montado completamente em solo americano. A não concretização desse objetivo, contudo, não impediu que a relação entre as partes seguisse cordial, como evidenciado pela conversa destacada no recente memorando.

Benefícios recebidos pela empresa após a aproximação

Informações disponíveis indicam que a Apple já colheu vantagens tangíveis pela disposição de colaborar com agendas econômicas do governo. Entre os pontos citados estão isenções generosas de taxas de importação e “possíveis vitórias na justiça do trabalho”. Ainda que o memorando não explore detalhes sobre esses ganhos, o histórico de incentivos demonstra que a interlocução frequente com a Casa Branca resulta em condições favoráveis a projetos corporativos da gigante de tecnologia.

Empatia como valor corporativo reiterado

Na parte final do comunicado, Tim Cook dedica parágrafo a reconhecer comportamentos internos que, segundo ele, distinguem a cultura da Apple. O executivo afirma ter “orgulho” da maneira como as equipes se preocupam “com o mundo além dos muros” da empresa. Consequentemente, a empatia figura como atributo valorizado e, conforme a escrita de Cook, essencial para enfrentar períodos “emotivos e desafiadores” como o atual. Esse trecho reforça a intenção de alinhar conduta corporativa a posicionamentos que preservem respeito às vítimas e às famílias afetadas.

Chamado à desescalada

Em síntese, o memorando circulado pelo executivo emprega a palavra “desescalada” para exortar calmaria social após os dois episódios fatais. O termo é utilizado pelo menos duas vezes no corpo da mensagem, sinalizando desejo explícito de conter escalada de violência ou retaliações subsequentes. A escolha do vocábulo indica que a liderança da Apple pretende se colocar não apenas como observadora, mas como parte ativa no apelo por um ambiente menos conflagrado.

Interação contínua com funcionários

Ao culminar o texto, Cook agradece “tudo o que vocês fazem”, dirigindo-se diretamente a empregados e colaboradores. A formulação estabelece linha de comunicação que parte do principal cargo executivo da empresa até a base operacional, reiterando transparência em momentos de forte cobertura midiática. Esse gesto revela a preocupação da administração em manter coesão interna enquanto fatos externos de grande repercussão desafiam posicionamentos corporativos.

O memorando, portanto, reúne manifestações de pesar, apelos por respeito mútuo, menção a diálogo presidencial e reafirmação de valores historicamente associados à empresa. Em meio à conjuntura de protestos em Minneapolis e críticas ao relacionamento com o Executivo federal, o documento busca apresentar a postura oficial da Apple e do seu diretor-executivo diante das mortes ligadas à atuação do ICE.

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