Alteração discreta no Safari distorceu estatísticas e revela iOS 26 presente em mais da metade dos iPhones

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Uma recente revisão de dados de mercado mostrou que o iOS 26, sistema operacional mais atual do iPhone, está instalado em 51,7 % dos aparelhos em uso, porcentagem significativamente maior que os 16,3 % divulgados anteriormente. A discrepância foi provocada por uma mudança silenciosa implementada pela Apple no Safari, navegador padrão do iPhone, alterando a forma como a versão do sistema é reportada a serviços de medição estatística como a Statcounter. O ajuste, executado nas últimas semanas e motivado por razões de privacidade, levou a empresa de análises a atualizar seu relatório no dia 19 de janeiro, corrigindo a percepção de que a adoção do iOS 26 estaria excepcionalmente lenta.

Contexto da distorção: modificação no Safari

O cerne da divergência numérica reside em uma escolha técnica do Safari. Desde a mudança, o navegador passou a identificar dispositivos que executam o iOS 26 como se operassem versões anteriores — especificamente, o iOS 26.2 aparece como iOS 18.7 e o iOS 26.1 surge como iOS 18.6 nos cabeçalhos de rede utilizados por ferramentas de análise de tráfego. Esse artifício impede que serviços externos reconheçam de forma simples a versão de software em cada aparelho, dificultando a prática conhecida como fingerprinting, em que detalhes técnicos do dispositivo são combinados para rastrear usuários na web.

Como funciona o fingerprinting? O rastreamento explora sinais como dimensão de tela, lista de fontes instaladas, padrão de endereços IP, idioma definido e, crucialmente, a versão do sistema operacional. Ao mascarar essa última informação, o Safari reduz o número de variáveis disponíveis para compor um perfil único do usuário. A medida não bloqueia cookies, mas debilita métodos alternativos de identificação que contornam a rejeição de cookies por parte do público.

Método da Statcounter e impacto da alteração

A Statcounter monitora o tráfego de milhões de sites e, a partir dos cabeçalhos enviados pelos navegadores, estima a participação de cada sistema operacional. Quando o Safari passou a omitir a versão real do iOS, a plataforma interpretou o tráfego proveniente dos iPhones atualizados como se ainda fossem modelos com iOS 18. Consequentemente, o relatório preliminar indicou que apenas 16,3 % dos usuários estavam no iOS 26. Esse percentual correspondia, na verdade, aos acessos provenientes de navegadores de terceiros instalados no iPhone, que não sofreram a alteração e representam uma fatia de mercado bem menor.

Após identificar a nova estratégia do Safari, a Statcounter revisou a metodologia para distinguir os casos em que o navegador oculta a versão e, assim, recalculou os índices. A correção elevou a participação do iOS 26.2 para 45,5 % e a do iOS 26.1 para 6,2 %. Somadas, as duas versões totalizam 51,7 % da base ativa de iPhones medidos até 19 de janeiro.

Evolução da adoção: comparação com o ciclo do iOS 18

Mesmo após o ajuste, a adoção do iOS 26 permanece atrás do registrado pelo iOS 18 no mesmo período do ano anterior, quando cerca de 63 % dos usuários já tinham migrado para a versão mais recente. A diferença sugere um ritmo de atualização relativamente mais lento em 2024, embora a magnitude da desaceleração seja menor que o cenário inicialmente alarmante.

Além da barreira estatística introduzida pelo Safari, dois fatores ajudam a explicar o intervalo de crescimento mais contido:

1. Cautela da Apple nas atualizações automáticas
Relatos de desenvolvedores apontam que a empresa adotou um cronograma mais gradual para liberar o iOS 26. Segundo registros de uso coletados em aplicativos populares, o sistema apresenta ondas de expansão — picos abruptos seguidos de períodos de estabilidade — padrão similar ao de 2023, porém com intensidade inferior. Essas ondas indicam que os servidores de atualização automática estão permitindo a instalação em lotes, possivelmente para mitigar riscos de instabilidade.

2. Complexidade das novidades do iOS 26
O iOS 26 trouxe mudanças extensas em arquitetura de segurança e novos recursos de interface. Em ciclos anteriores, sistemas com modificações substanciais exigiram um período adicional de testes em larga escala antes que a distribuição automática fosse ampliada a todas as regiões. Essa abordagem reduz a incidência de falhas graves e melhora a experiência de suporte técnico.

Análise detalhada das ondas de instalação

Dados compartilhados pelo desenvolvedor David Smith, responsável por aplicativos como Widgetsmith e Pedometer++, mostram três picos bem definidos de adoção do iOS 26 desde o lançamento da versão final. Cada pico coincide com a liberação de versões intermediárias (26.0.1, 26.1 e 26.2) e corresponde a momentos em que a Apple parece ter elevado a prioridade de atualização automática. Entre um pico e outro, a taxa de crescimento diminui, sugerindo que ainda há um número expressivo de usuários que opta por instalar manualmente ou aguarda a notificação.

Esse padrão reflete o modelo incremental adotado pela empresa: liberar uma compilação, coletar relatórios de falhas, corrigir eventuais problemas e somente então avançar para uma nova onda. Embora acarrete um ritmo mais pausado, o método tende a reduzir impactos negativos em grande escala, sobretudo em mercados corporativos que dependem de estabilidade de software.

Repercussões em iPadOS, visionOS e macOS

A modificação de identificação de versão não se limita ao iPhone. Informações técnicas demonstram que o mesmo comportamento foi implementado no iPadOS 26 e no visionOS 26, indicando política de privacidade uniforme entre as plataformas móveis da Apple. Assim, estatísticas relativas a tablets e ao headset de realidade mista podem estar passando por distorções semelhantes, caso as ferramentas de medição não corrijam seus filtros.

O macOS, por sua vez, adotou prática equivalente em 2019, a partir do macOS 10.15 Catalina. Desde então, o navegador do sistema de desktop deixa de registrar nos cabeçalhos a identificação exata da versão, tornando complexa a extração de dados refinados sobre o ritmo de adoção de cada edição anual do macOS.

Implicações para analistas e anunciantes

Para empresas que dependem de métricas de participação de mercado, o episódio destaca a importância de validar fontes de dados e compreender as particularidades dos navegadores. Métricas baseadas unicamente em cabeçalhos HTTP podem se tornar menos confiáveis conforme fabricantes fortalecem barreiras contra rastreamento. No caso específico do iPhone, qualquer estimativa que desconsidere o comportamento do Safari corre o risco de subestimar substancialmente a penetração do sistema mais recente.

Já para anunciantes, a ocultação da versão do sistema operacional representa mais um obstáculo na construção de perfis de audiência. A prática reforça o movimento amplo de proteção à privacidade, em que identificadores tradicionais — cookies, ID de anúncios e agora até a versão do sistema — se tornam menos acessíveis, exigindo modelos alternativos de segmentação.

Panorama atual da base instalada

Com a correção aplicada, o cenário de distribuição do iOS em janeiro apresenta a seguinte composição:

• iOS 26.2: 45,5 %
• iOS 26.1: 6,2 %
• Demais versões (anteriores a 26.1): 48,3 %

Os números sugerem que quase metade dos usuários permanece em edições anteriores, parcela que tende a diminuir nas próximas ondas de atualização. Historicamente, sistemas da Apple alcançam patamares superiores a 70 % de adoção cerca de seis a oito meses após o lançamento, ritmo que poderá se confirmar caso o cronograma de liberações se acelere ao longo do primeiro trimestre.

Próximos passos esperados

Embora a Apple não comunique publicamente seu calendário de distribuição automática, o histórico recente indica a possibilidade de uma quarta onda de atualização coincidir com a liberação de um eventual iOS 26.3. Caso isso ocorra, a participação do iOS 26 deve ultrapassar com folga a marca de 60 %, aproximando‐se dos níveis observados no ciclo anterior. Paralelamente, serviços de análise de tráfego precisarão ajustar seus algoritmos para reconhecer as estratégias de privacidade do Safari, garantindo que futuras estatísticas reflitam a realidade de forma mais fiel.

O episódio reforça a relevância do alinhamento entre fabricantes de navegadores, empresas de métricas e desenvolvedores, de modo a preservar a precisão dos indicadores de mercado sem comprometer as iniciativas de proteção de dados dos usuários.

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