80% dos usuários da iTunes Store não assinam o Apple Music, revelam dados da Luminate

Dados recentes da empresa de pesquisa Luminate mostram que uma parcela expressiva dos consumidores que continuam comprando faixas e álbuns na iTunes Store não utiliza o serviço de streaming da própria Apple. A análise, divulgada pela Bloomberg, indica que cerca de 80% da base ativa de compradores na loja digital não possui assinatura do Apple Music, mesmo com a forte estratégia da companhia voltada ao streaming. O quadro aponta para a coexistência de dois modelos de consumo — download permanente e acesso ilimitado — que seguem atendendo a públicos com motivações distintas.

A coexistência de duas frentes: iTunes Store e Apple Music

A Apple mantém, em paralelo ao Apple Music, a iTunes Store, plataforma inaugurada em 2003 e responsável por popularizar a venda unitária de arquivos de áudio em formato digital. Embora hoje o streaming concentre a maior parte da atenção da indústria, a companhia opta por não descontinuar a loja de downloads. Segundo os números de mercado divulgados, o streaming alcança valores de receita muito superiores, mas o ato de comprar arquivos ainda representa um segmento relevante para determinados perfis de ouvintes.

Mesmo que a popularidade da assinatura mensal seja evidente, o conceito de “ter a música” permanece associado a práticas como colecionar álbuns, guardar cópias fora dos catálogos e apoiar financeiramente artistas preferidos. As informações da Luminate reforçam essa dualidade, ao revelar que existe um grupo considerável de consumidores que consome música de forma tradicional — pagando por cada álbum ou faixa — ao invés de depender exclusivamente de serviços on-demand.

Quem está comprando música digital em 2025

O relatório aponta características comportamentais específicas entre os compradores de downloads. De acordo com a Luminate, consumidores que constroem bibliotecas digitais demonstram 44% mais probabilidade de afirmar que as opiniões dos artistas têm relevância direta em seu consumo. Essa estatística evidencia que, para esse segmento, a relação com o criador da obra possui peso acima da média observada nos usuários de streaming puro.

Outro traço notado é a predisposição para ouvir lançamentos imediatamente após chegarem às plataformas. A Luminate indica que esse público está mais aberto a reproduzir um álbum no dia da estreia, o que se conecta à ideia de apoiar o artista no momento em que cada unidade vendida faz diferença perceptível para rankings e receitas.

Importância da compra individual para as paradas musicais

O peso conferido a downloads no cálculo de rankings, como a Billboard, aparece como incentivo adicional. Conforme detalhado, enquanto um único download de álbum na iTunes Store corresponde a uma unidade completa para efeito de contagem, são necessários 1.000 streams para gerar o mesmo impacto. A disparidade motiva fãs dedicados a adquirir versões digitais quando pretendem impulsionar a posição de um lançamento nas listas semanais, principalmente nos primeiros dias.

Esse mecanismo vincula o mercado de downloads a campanhas de divulgação de artistas, que veem na venda direta uma maneira eficiente de concentrar pontuação logo na estreia. O streaming, por sua vez, mantém papel predominante no consumo cotidiano, mas oferece impacto diluído frente ao método de compra unitária para métricas de desempenho.

Renovação da base compradora ao longo da última década

Informações fornecidas pela Apple complementam o panorama. A empresa relata que metade dos usuários que hoje adquirem faixas ou álbuns na iTunes Store começou a fazê-lo nos últimos dez anos. O dado contraria a percepção de que o público comprador seria composto majoritariamente por consumidores das primeiras gerações do download pago. Há uma entrada contínua de novos usuários, revelando que o modelo se renova mesmo em um contexto dominado pelo streaming.

Ainda segundo a Apple, cerca de 50% dos 10 mil álbuns mais vendidos em cada trimestre correspondem a títulos lançados recentemente. Essa proporção comprova que a loja digital não se limita a funcionar como catálogo de arquivos antigos, mas serve também como canal para obras que acabam de chegar ao mercado.

Receita: comparação entre download e streaming nos Estados Unidos

A Luminate também consolidou números de faturamento referentes ao primeiro trimestre de 2025. No período, as plataformas de streaming reuniram US$ 4,7 bilhões em receitas nos Estados Unidos, enquanto as vendas de downloads somaram US$ 139 milhões. A disparidade indica uma diferença superior a trinta vezes entre as duas modalidades.

Apesar da vantagem expressiva do streaming, o montante obtido com downloads não é irrisório. Para selos independentes, artistas em fase de consolidação ou consumidores que priorizam propriedade sobre conveniência, os US$ 139 milhões representam um fluxo relevante, ajudando a manter viva a infraestrutura de lojas digitais como a iTunes Store.

A relevância do número de 80% fora do Apple Music

O percentual de 80% de compradores da iTunes Store que não estão no Apple Music evidencia que a loja capta um segmento externo ao ecossistema de streaming da Apple. Não se trata, portanto, apenas de assinantes que complementam o acesso com compras ocasionais; existe um contingente que prefere a posse definitiva do arquivo, seja por motivos de compatibilidade, arquivamento ou preferência pessoal.

Essa realidade reforça a estratégia da Apple de manter duas ofertas paralelas: uma baseada em assinatura e outra centrada na transação individual. Ao reter a loja de downloads, a empresa atende consumidores que, por razões diversas, não se sentem atraídos pela mensalidade ou desejam alternativas complementares.

Novos lançamentos e apoio ao artista

Metade dos 10 mil títulos mais vendidos a cada trimestre são lançamentos recentes, segundo a Apple. Tal indicador sugere que o download pago permanece vinculado a ciclos de novidade. Fãs que desejam impactar diretamente o artista por meio de uma compra, ou que valorizam o acesso imediato a versões sem compressão adicional, recorrem ao iTunes no dia do lançamento.

Com base no peso diferenciado que cada unidade de download exerce nas paradas, ações coordenadas de fã-clubes podem resultar em aumento imediato de posições nas primeiras semanas de um álbum. É nesse contexto que a estatística de 44% sobre o interesse pela opinião dos artistas encontra relevância prática: o consumidor que valoriza o posicionamento do músico tende a responder às estratégias de divulgação lançadas por ele.

Queda gradual, mas não extinção

O mercado de downloads está em declínio visível nos últimos anos, refletido no contraste entre o faturamento de US$ 139 milhões em downloads e o de US$ 4,7 bilhões em streaming. Entretanto, a presença de um grupo fiel garante a continuidade da modalidade. As informações da Luminate mostram que, ainda que minoritária, a compra direta de arquivos não desapareceu e segue com fluxos financeiros concretos.

A renovação da base compradora, a relevância nas métricas de paradas e o impacto direto na remuneração dos artistas sustentam a importância estratégica da iTunes Store para a Apple. Enquanto houver consumidores dispostos a pagar cada álbum ou faixa, a empresa encontra motivos para manter a plataforma ativa, mesmo que o foco institucional esteja majoritariamente no Apple Music.

Perspectivas de curto prazo

Os dados expostos para o primeiro trimestre de 2025 oferecem fotografia de momento. Acompanhando a tendência histórica, espera-se que o streaming continue ampliando participação na receita total da indústria musical. Porém, as estatísticas apresentadas indicam que downloads ainda detêm vantagens específicas que dificilmente serão replicadas por completo no modelo de assinatura, sobretudo no que concerne à contagem para paradas e ao senso de posse conferido ao usuário.

Para a Apple, a manutenção de um portfólio híbrido possibilita responder a diferentes exigências do mercado. Usuários que priorizam curadoria, descoberta e conveniência encontram no Apple Music uma solução completa, enquanto aqueles que almejam preservar álbuns em bibliotecas particulares ou contribuir mais incisivamente para a performance de um lançamento contam com a iTunes Store.

À luz das cifras divulgadas, o cenário aponta para a continuação da convergência entre modelos, cada qual atendendo motivações distintas. O 80% de usuários da iTunes Store fora do Apple Music sintetiza a existência de um nicho independente, cuja participação financeira e simbólica continua relevante para a cadeia produtiva da música digital.

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